A decadência Hollywoodiana (?)

Em uma pesquisa feita pelo site The Hollywood Reporter, foi revelado que o ano de 2018 marcou a pior audiência da história da transmissão televisiva do Oscar: 26,5 milhões de pessoas. A queda foi de 19% do último ano (que marcou 32,9 milhões) e foi também a primeira vez que a marca baixou a casa dos 30 milhões. Com esses expressivos números, será que dá para se pensar que Hollywood e as premiações estão em decadência?

Pensar em fatores para esse acontecimento se torna extremamente complicado, mas o lado da falta do cinema mais blockbuster disputando grandes categorias é fato. Um exemplo bem claro de se pensar é uma possível participação de “Mulher-Maravilha” ou “Logan” na categoria de Melhor Filme, já que a questão da torcida dos fãs de gênero de super-herói poderia gerar um imenso boom e hype para mais pessoas assistirem. Além disso, a falta de uma maior diversão na apresentação acaba por fazer o longo tempo da cerimônia se tornar quase chato. Talvez a última grande apresentação tenha sido a de Ellen DeGeneres, em 2014. Esse ano, Jimmy Kimmel parecia querer de todas as formas reduzir o número de erros, o que fez até com que os acontecimentos e anúncios se tornassem cada vez mais rápidos.

Por um outro ponto de vista, o fator inesperado tem sido algo que também tira o foco das pessoas. Até mesmo os cinéfilos mais fervorosos sabem em quem apostar nos bolões, já que as vitórias nas outras premiações dão gigantescos indicativos de quem deverá vencer. Parece faltar um certo desvincilhamento com outras ideais de premiação e criar algo com a cara do próprio evento, com o glamour e gala que o mesmo pede.

Outro fator que chama bastante a atenção é a discussão que os longas trazem. Dentre os filmes que disputavam esse ano, apenas uma obra se destacava como algo realmente original e diferente de estar disputando no topo: “Corra!”, filme dirigido por Jordan Peele, que também é dono da maior bilheteria dentre os indicados nas principais categorias. O vencedor, “A Forma da Água”, é uma trama que já foi apresentada outras vezes, assim como o próprio “Três Anúncios para um Crime”, no qual foi muito comparado com obras dos irmãos Coen.

Por fim, pode-se pensar na questão de um desinteresse cada vez maior por parte do público nas premiações em si. É claro que são possíveis de serem vistos comentários na internet falando da “não-validade” do prêmio, mas é fato pensar que o título Oscar já teve uma tonalidade bem mais forte. Além dele, o Grammy e o Emmy parecem também perder cada vez mais sua credibilidade. Se isso é reflexo da atual geração ou até mesmo é demonstrando como uma forma de crítica, só o tempo irá demonstrar.

Fato é que a grande cerimônia do mundo do cinema precisa começar a se renovar. Seja por meio da escolha de outros filmes, seja uma seleção para novos membros da Academia um pouco mais aberta. A questão é que existe um problema bem claro, que é o desinteresse crescente no homem dourado, mas será que essa falta de interesse foge da sua importância?

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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