A Revolução dos Bichos pode dar certo nos cinemas?

George Orwell é, definitivamente, um dos maiores nomes da literatura de todos os tempos. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente pelo seu valor crítico, além dele ser lembrado muito forte pelo seu lado de militante socialista – incluindo combater na Guerra Civil Espanhola.

Dentre seus trabalhos mais famosos, os maiores destaques são 1984, o mais elogiado, e A Revolução dos Bichos, que será o foco desse texto. No livro, o autor realiza a famosa “brincadeira” do antropoformismo, transformando em seres com sentimentos e ações extremamente humanas. É a partir daí que Orwell explora uma trama sobre corrupção, destruição de valores pessoais, tomada de poder à força, vingança, debate sobre índole e, acima de tudo, ideologia. Mas, diferente da forma comentada por John Carpenter no filme Eles Vivem, o escritor realiza um debate pessoal, dentro, inclusive, do meio intelectual da esquerda, criticando medidas e posturas que eram tomadas pelo governante da União Soviética, Joseph Stalin, apesar das diversas outras interpretações possíveis.

A ideia aqui é tentar entender se realizar uma adaptação cinematográfica dessa famosa obra pode ser uma boa escolha. A notícia saiu recentemente: Andy Serkis foi contratado para o papel de diretor e a Netflix como distribuidora global. Será uma mistura de live-action com captura de movimento, algo já realizado por Serkis na última trilogia O Planeta dos Macacos.

É significativo lembrar que já houve uma adaptação anterior: um longa animado, de 1954, que se perdia muito no lado crítico contestador que o material de origem tinha. Um dos pontos mais discutidos dentro disso é por se tratar de uma produção estadunidense, o que necessitaria retirar esse objetivo para obter maior apelo com o grande público.

Além disso, é injetado um tom cômico que torna a narrativa quase bizarra, criando algo novo – e não muito bom –  que pouco ou nada acrescenta para quem está assistindo, algo que provavelmente fez Orwell se revirar no túmulo. (O autor faleceu em 1950.

Com esse passado em mente, é difícil não encarar essa nova produção com um pé atrás. Mesmo contando com nomes de peso, já que, além de Serkis, Matt Reeves (diretor do vindouro The Batman) trabalhará como produtor dentro do projeto, ainda se torna um filme que possui em suas entranhas a necessidade de atingir um público diversificado. Será que realmente o canal de streaming irá querer entrar na questão desafiadora que o material original possui?

Com efeito, um dos pontos que criam boas expectativas é o dedo criativo muito forte e presente em Andy, já que ele é o primeiro nome a se pôr na mesa quando discute-se efeitos visuais e captura de movimento.  Suas experiências passadas e também feitas com sua próxima direção, Mogli: O Livro da Selva, podem resultar em algo inovador, próximo com o que foi feito na saga dos símios. Esse assunto é relevante pois nos lembrar que todos os macacos na trilogia eram extremamente humanizados e desenvolvidos. Possuíam diferentes personalidades e tinham um desejo, bem claro, de emancipação e revolução, o que é intrínseco à obra de Orwell.

A Revolução dos Bichos ainda não possui uma data de estreia, mas deve demorar um bom tempo para sair. Será um filme para revelar alguns velhos questionamentos e trazer, talvez, isso para o momento atual, onde entender o seu papel no mundo é cada vez mais relevante. A questão é esperar para saber se todos os animais são mesmo iguais ou se alguns são apenas mais iguais do que os outros.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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