Castlevania só não chegou lá porque não quis

Depois do início da onda de adaptações de histórias em quadrinhos de heróis para o cinema e TV, chegou a vez dos games terem a sua vez. Com uma grande leva de filmes programados, não era difícil imaginar que as séries viriam pelo menos caminho, inclusive com as próprias animações – como Halo e Resident Evil tem feito. Sendo assim, não irá difícil de imaginar que um dos games de melhor história, Castlevania, seguiria na mesma tendência. O mais impressionante de tudo isso é que a Netflix comprou essa ideia. Com uma animação.

O seriado se baseia na história do jogo de 1990 Castlevania III: Dracula’s Curse. Nele, Conde Drácula reúne um exército de demônios para matar todos os humanos após terem queimado sua esposa sob a acusação de bruxaria. Para enfrentá-lo, Trevor Belmont, o último de uma família matadora de vampiros, é chamado por um grupo católico. Inicialmente contrário a ideia, ele se vê na necessidade de lutar contra esse mal.

A ideia de apenas 4 episódios com apenas 25 minutos nessa primeira temporada não foi nada boa. Em primeiro lugar, porque há uma necessidade clara de apresentação de universo e de personagens aqui, algo que toma um determinado tempo da trama. O primeiro capítulo é totalmente dedicado a Drácula, levando o seu grande motivo de realizar aquilo tudo. Já no segundo, observa-se tudo pelo lado de Trevor, de como ele lida da sua linhagem nobre e como está decidido a não batalhar com seu nome. Apenas nesses dois é possível ver claramente a falta de tempo que o seriado têm, não fazendo sentido algum o pouquíssimo tempo para os reais acontecimentos. Dessa forma, quando tudo começa a engrenar é simplesmente interrompido, gerando uma enorme frustração em todos.

O roteiro do grande quadrinista Warren Ellis é totalmente picotado, mas o que é mostrado aqui empolga bastante. Um excelente desenvolvimento de personagem, criando um trio de protagonistas com um número gigantesco de camadas, algumas exploradas e outras para o pensamento do telespectador. Além disso, é possível ver um claro arco que o protagonista Trevor possui, se tornando uma outra pessoa no final de tudo.

Em relação a animação, ela é incrível nas cenas de diálogos e nas situações comuns, mas perde muito o seu efeito nas batalhas, criando uma ideia de artificialidade um pouco bizarra. Não se aproxima dos jogos, ao mesmo tempo que nem se afasta muito deles. Parece simplesmente não ter sentido.

Sobre as referências a franquia, elas são inúmeras e incansáveis. Desde todas as armas que Belmont usa no game, até a roupa de Alucard e as animações dentro do jogo… É um show fanservice, que promete ser totalmente inesgotável ainda mais pela revelação de 8 novos episódios no próximo ano.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido… e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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