Sense8 acabou… e você não têm o que reclamar

O dia primeiro de junho de 2017 ficará marcado como o cancelamento da série original da Netflix Sense8. Após duas temporadas, sendo a segunda saindo depois de dois anos (730 dias!) e que levou o nada a lugar nenhum, mas que tinha um senso de representatividade muito forte.

Para começar tudo, devemos pensar: por quem a série é vista? Em um ranking divulgado no final de 2016, com os seriados mais vistos da produtora no ano mundialmente, “Sense8” não figurava entre elas. Ok, alguns podem analisar que devido a não ter tido nenhuma temporada durante esse período faz sentido ela não estar na lista, mas algo impressionante é que os antigos anos de “House of Cards” e “Unbreakable Kimmy Schmidt” se encontravam no topo.

Dessa forma, chegamos a mais um pensamento: “se mundialmente a série das irmãs Wachowski não faz sucesso, porque só vejo todo mundo comentando?”

Em primeiro lugar: é impressionante o sucesso que a obra faz sucesso aqui no Brasil. Bem impressionante mesmo, mas não chega nem perto do que poderia render. Sim, RENDER.

A Netflix é uma produtora, e como uma empresa, ela precisa de dinheiro retornando dos seus conteúdos, ainda mais dos originais. Sendo assim, a taxa de lucro precisa ser concisa com o retorno. Além disso, produtoras com conteúdos como esse não precisam dar nenhum tipo de explicação sobre pautas de cancelamento, e a Netflix é uma das muitas a seguir esse tipo de sigilo. A partir de um momento que se assina o canal de streaming, se diz em seu contrato que “qualquer conteúdo poderá ser retirado ou cancelado”, algo que talvez algumas pessoas possam ter consciência, e por tanto, sem nenhum tipo de compromisso com quem a banca.

E não pense você todos amam “Sense8”! As críticas especializadas do segundo ano vieram abaixo e já não eram muito bem faladas durante toda a primeira temporada. As belas cenas entre os protagonistas e o show de sexo chamava muito mais atenção (é bom lembrar que foi por isso que todo mundo pediu para aparecer na nova temporada), do que a própria história, praticamente inexistente e como citamos antes, compromisso. Isso é um erro grave para os showrunners e para o conteúdo intelectual da trama, que apostando no vazio, não se dá conta de obrigações além das que já são forçadamente vendidas, como a representatividade.

Por fim, além da questão do lucro, o seriado tem uma questão extremamente importante: seu CUSTO. O chamado “custo-benefício” é baixíssimo aqui. São mais de 8 locações extremamente diferentes, onde se têm que utilizar efeitos especiais, podem atrasar devido a possíveis problemas de vôos e atrasos climáticos, um elenco gigante, uma pós-produção extremamente demorada e um resultado não tão bom assim. Dessa forma, pensemos todos com a cabeça de uma empresa que quer ter seu dinheiro alto em caixa.

Parte dos exageros mirabolantes de produções como estas são exatamente o que prometem em sua essência: o entretenimento visual, artístico e intelectual. As Irmãs Wachowski, responsáveis pela criação da série, são famosas por seus altos custos de produção e um grande investimento visual de suas produções, mas acabam trazendo pra indústrias como a da TV/Streaming algo que além de não ter nenhum ponto forte de equilíbrio, leva a uma individualidade e arrogância desnecessários, gerando algo que não rende frutos.

Entre esses casos, temos de exemplo a outra série que veio com a lista de novas baixas da Netflix, ”The Get Down”. Idealizada pelo cineasta Baz Luhrmann, a série é uma das mais caras em produção original, custando o equivalente a 120 milhões de dólares só a sua primeira temporada. Cada episódio tem mais de 1 hora de duração, tornando a série além de cara, desnecessária em seus tratamentos. O renomado diretor explicou que seu comprometimento com a série estaria acabado, e esse seria um dos motivos maiores para o fracasso de novos episódios. Em post oficial a página do Facebook, deixou claro:

”Netflix e Sony foram muito parceiras. Me sinto terrivelmente mal por não poder me dividir em dois e não continuar a série, mas a verdade é que eu faço filmes.”

O que vale mais a pena: manter um seriado meia-boca (e meio custo, já que não vale nem 1/3 da produção de Sense8), que gera público e discussão como “13 Reasons Why” (Os Treze Porquês), ou uma série mais ou menos, sem apoio de público e abandonada por muita gente como a em questão?

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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