Coachella: Beyoncé retorna aos palcos, no Coachella, e sugere mudança do nome do festival para ‘Beychella’

Obrigada por eu ser a primeira mulher negra a ser artista principal no Coachella“, declara Beyoncé segundos depois de surgir no palco erguida pelo famigerado mecanismo que a faz emergir para a superfície da estrutura em um dado momento de seu show no Coachella, certo tempo após um intervalo para troca de roupas.

A declaração aquece o coração, mas também deixa o questionamento: por que diabos demorou tanto tempo para que uma cantora negra fosse convocada para ser o line-up de um festival tão popular? A dúvida aparece estampada no rosto da artista por um milésimo de segundos – talvez sem que ela se dê conta -, mas é o suficiente para causar certo constrangimento quando a informação é digerida.

Se ainda havia dúvidas de que Beyoncé é a performer em atividade mais relevante de sua época, a texana fez questão de sanar todas elas em apenas uma noite. Dando continuidade aos shows do festival, que contou com performances de BØRNS, Tyler, The Creator, HAIM e Post Malone, ela encerrou a segunda noite com um espetáculo inebriante.

Prestes a lançar seu aguardado sétimo álbum de estúdio, a americana surge em um visual que faz clara referência a Nefertiti, rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito. Logo, desaparece e muda de figurino em questão de segundos, em um movimento que já é natural em suas apresentações, enquanto se prepara para apresentar a previsível “Crazy In Love“.

As próximas horas são de um espetáculo repleto de canções que marcaram sua carreira e alguns de seus registros mais recentes.

Embora estejamos diante de um show repleto de coreografias criteriosamente marcadas e vocais no ponto, é o conceito adotado pela artista que faz o espetáculo inteiro atingir um novo nível de qualidade: todas as músicas foram retrabalhadas, e instrumentos de sopro foram adicionados, dando a sensação extremamente satisfatória de uniformidade entre faixas. Desse modo, fazendo com que o show pareça um grande número executado por animadores de torcida. Mesmo o palco parece a arquibancada de um ginásio.

Um dos únicos pontos realmente negativos do show talvez seja as pausas extremamente longas durante as quais a cantora troca de roupa, que são intercaladas por interludes. Se você está acostumado a dinâmica dos espetáculos de Beyoncé, provavelmente já sabe que deve esperar por essas pausas e mesmo sabe exatamente quando esperar por elas. Caso contrário, pode ser que estranhe ou mesmo fique enfadado.

A artista atingiu um status em que já não precisa mais cantar todas as músicas de sucesso em seu catálogo para manter o interesse do público. Ela pincela alguns desses hits em mashups que são tão instantâneos que terminam antes que a plateia consiga entrar no clima da coisa. E não tem medo do total vácuo do público ao entoar sua parte na desconhecida e nada memorável “Top Off“, parceria com DJ Khaled, JAY Z e Future, por exemplo.

Para um público mais calmo, talvez o show de Beyoncé seja difícil de acompanhar e digerir de primeira por seu ritmo quase frenético. Poucos são os momentos de interação com o público e, mesmo quando se faz, não é exatamente o tipo de interação que tornaria seu show mais fluido; a cantora parece saber exatamente o que dizer, como e quando dizer. Mas isso não é ruim: talvez, apenas um reflexo de sua personalidade extremamente regrada e controlada.

Ela traz ao palco suas companheiras de “Destiny’s Child“, e juntas, as meninas que compartilharam o palco por tantos anos retomam alguns dos antigos sucessos que a tornaram mundialmente conhecidas. JAY Z também surge em dado momento para acompanhar a artista em “Deja Vu“. Além do rapper, mesmo a irmã da cantora, Solange, tem o seu momento.

Para os fãs que esperavam algum tipo de prévia de seu novo álbum, ou de alguma música nova, Beyoncé não deixou nada escapar. Pelo menos não explicitamente. A mesma já é conhecida por deixar pistas rigorosamente escondidas em suas performances, de modo com que só façam sentido depois que seus trabalhos são lançados. Então talvez o mais sensato seja permanecer atento a cada detalhe.

O show foi o primeiro da cantora no festival. Ela se apresentará outra vez no próximo sábado, 21 de abril. Dessa vez, sem transmissão online.

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