A arquitetura que nos cerca

Uma das coisas mais importantes em uma obra cinematográfica é o cenário em que essa lhe apresenta. Sejam guerras interplanetárias, um só planeta devastado, uma solitária floresta, uma casa mal assombrada… O que for. Esses ambientes sempre contam bastante do que a história irá buscar passar para o telespectador ao assistir determinado filme. Columbus, filme de 2017, traz uma abordagem diferente para algo que sempre está a nossa volta: a arquitetura. A partir dali, ele nos faz perceber como essa é fundamental na nossa experiência no mundo.

A ideia base do diretor e roteirista Kogonada poderia ser explorada de várias formas possíveis, até porque sua trama se baseia em uma relacionamento entre dois personagens. Eles são Jin (interpretado por John Cho) e Casey (feita por Haley Lu Richardson). A tensão dramática desenvolvida ao longo da narrativa pelos duas se incia pela paixão dessa segunda pelos prédios e construções da cidade de Columbus, na Indiana. O lugar, que já é reconhecido mundialmente por esse fato, precisava ser explorado por alguém na arte, algo que é feito de uma maneira bem única. É extremamente singelo entender como cada obra/construção tem suas histórias e feitos por trás, fazendo com que o público quase entenda seus arquitetos como verdadeiros artistas.

Esse ponto gera a interessante situação da maneira visual em que os prédios estão apresentados, já que eles são a transposição visual dos sentimentos entre os protagonistas. Ao mesmo tempo que os lugares servem para geração de memórias, coisas que são inesquecíveis. É como se o cineasta fizesse questão que você relembrasse aonde aconteceu seu primeiro beijo, aonde foi a última vez de ter visto um ente querido, aonde se teve a maior felicidade e a maior tristeza da vida. São composições que, mesmo comuns, estão intrínsecas na vida de todos, como se a história ali representada tivesse um paralelo bem claro com quem assiste.

Columbus, a cidade, é o pano de fundo perfeito para essa trama, que precisava de um vigor, de uma regionalidade. Essa terceira protagonista da narrativa é a poesia visual por trás dos pensamentos mundanos, por trás de qualquer conversa. Não é a toa que, além dos personagens principais, vemos várias vezes outras pessoas em diálogo direto com as construções, mostrando que o que está acontecendo em tela não é único, mas múltiplo.

Talvez esse tenha sido um texto que pouco acrescentou para uma real leitura do filme, mas a sétima arte não é feita apenas com os atores e o texto. As composições visuais acrescentam o necessário para se existir mundo, até porque… Imagina como Senhor dos Anéis seria sem a sua Terra Média? Columbus é uma aula de fazer cinema e uma grande homenagem para a cidade-título. É quase uma mensagem de que, as vezes, precisamos olhar não só nas pessoas, mas também na arquitetura que nos cerca.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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