Crítica: A Torre Negra

A adaptação cinematográfica da Torre Negra conta a história de Jake, um garoto de 14 anos que sonha constantemente com um mundo estranho aonde crianças são raptadas por uma organização e utilizadas para “energizar” uma enorme arma com a intenção de destruir a Torre Negra, uma massiva torre no centro do universo que conecta todos os diferentes mundos em um único ponto.

Se fosse uma história original o filme até funcionaria, ele tem cenários incríveis, um elenco excelente e uma história até que interessante, o problema principal na minha opinião como leitor dos livros, é justamente o fato de ser uma adaptação. Isso porque o filme faz mudanças inaceitáveis na história, como por exemplo o fato de o personagem principal ser o Jake e não o pistoleiro Roland e o homem de preto ser um mago “de RPG” usando feitiços de fogo, telecinese e etc. E pelo material original ser tão mal adaptado, mesmo os momentos de “fan service” não são empolgantes, por exemplo em certo momento do filme é dita a frase que abre o primeiro livro da série “o homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”, o problema é que isso é nada mais que uma frase solta e sem sentido no meio do filme uma vez que quase não tem deserto no filme e no filme Roland não está perseguindo o homem de preto no sentido literário da frase. Vale comentar ainda sobre alguns outros pecados que a adaptação comete, como o fato que nele o Roland quer matar o homem de preto não para defender a Torre Negra, mas somente para vingar a morte do seu pai, ou também o modo como o transporte entre os diferentes mundos na adaptação é feito através de um portal super tecnológico e não através de portas normais como é nos livros.

Mesmo as cenas de ação que são muito bem feitas no filme perdem a sua atração por acontecerem o tempo inteiro durante o filme, no primeiro livro da série temos um grande tiroteio entre Roland e uma cidade inteira, ficamos impressionados pela habilidade do pistoleiro e voltamos a falta de ação da sua perseguição ao homem de preto, já no filme em uma hora e meia quase temos mais tiroteios que nos primeiros três livros da série juntos.

Outra coisa que falta no filme são as escolhas de peso que o pistoleiro tem que fazer durante a sua jornada, como matar uma cidade inteira ou então uma das cenas de maior impacto emocional de todos os sete livros que é quando Roland tem que escolher entre salvar Jake e se distanciar novamente do homem de preto ou seguir atrás dele e deixar Jake cair de um “penhasco” para a sua morte. E no fim isso tudo faz com que a adaptação seja nada mais que uma hora e meia sem a emoção, o drama e o charme que o material original tem.

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