CRÍTICA: Kamen Rider EX-AID

Esse texto contém spoilers

Mais um ano se passa e mais uma série Rider chega ao seu fim. A franquia completa seu 27º aniversário com a temática games nas costas, com uma história que prometeu muito, surpreendeu bastante, principalmente pelo visual de seus protagonistas, especialmente em Rider, que possui como rosa sua cor básica. Mas será que essa jornada valeu realmente a pena?

Como toda boa história finca suas raízes no passado para estabelecer suas causas nos dias atuais, com EX-AID não é diferente. 5 anos atrás um novo tipo de vírus começou a infectar a humanidade, chamado de bugster virus, na qual transformava os humanos em bugsters. No presente, por alguma razão desconhecida, Emu Hojo, um residente e gênio nos games, ganha um Game Driver juntamente com o Mighty Action X Gashat o que lhe permite a possibilidade de se transformar em Kamen Rider EX-AID e curar as pessoas desse vírus maligno, juntamente com outros heróis.

EX-AID veio com a promessa de inovar a franquia de uma forma nunca antes vista, começando pela sua cor inicial ser rosa, algo inovador para um Rider principal. Além disso, a temática de jogos vêm com a intenção de atrair um certo novo público para a franquia, já que o povo japonês é vidrado em jogos eletrônicos. Uma série de transformações e detalhes são colocados logo de cara os primeiros episódios da série, quando se acompanhava um misterioso vilão, que mais tarde se revela Kuroto Dan, a mente por trás dos Gashats e seus dispositivos, arco esse que o tokusatsu constrói com louvor até sua metade, mas que vai perdendo a força de maneira muito abrupta.

Pondo de forma divisória, EX-AID está dividido em 3 partes: 1 – Arco Genm / 2 – Arco Parad e / 3 – Arco Cronus. Dessa forma simplificada fica mais fácil entender aonde a obra acertou e onde ela errou.

A série merece um grande crédito devido a coragem de matar alguns de seus personagens, exemplo disso está na encruzilhada contra Kuroto Dan e sua forma imortal Kamen Rider Genm Level 10 Zombie. Kojo Kiriya acaba investigando muito a fundo os mistérios que envolviam o chamado Zero Day e os motivos que levam Emu Hojo a ser capaz de se transformar em EX-AID, acaba por sofrer as consequências por isso e morto pelo vilão, fato totalmente inesperado.

Por outro lado, o seriado consegue uma boa justificativa para trazer Kiriya de volta mais a frente, logo após exemplificarem que as pessoas que morreram na batalha pelas Chronicles Kamen Rider apenas viraram dados. Os mistérios que rondavam as reais intenções dos bugsters e o passado do protagonista são os pontos mais altos aqui, já que logo após a ameaça de Kuroto Dan ser desfeita, Parad se mantém em luta, mas de uma forma misteriosa e aparentemente escondendo seu real motivo. O desenvolvimento de personagem não é ruim, porém acaba sendo algo inesperado. Ele acaba sendo a razão pela qual Emu consegue se transformar e se revelar ser a outra personalidade de Emu, o que faz sentido como esse conseguiu ficar mais forte nos momentos de desespero.

Nesse ponto da trama, a história começa a decair um pouco, já os motivos que levaram Parad a cometer as atrocidades que fez acabam sendo fracos para o vilão que ele se mostrava ser. Porém, conseguiu alguns bons momentos durante seu arco, como a transformação de Poppy numa Rider e protetora das Chronicles Kamen Rider, o que proporcionou um ótimo desenvolvimento de personagem para atriz Asuna Karino. Nesse meio tempo, a linha narrativa também trouxe outra presença feminina forte com Nico Saiba. A rival de Emu nos games no passado acaba entrando no perigoso game como a Ride Player Nico. Não se pode deixar de falar que sua relação com Taiga Hanaya (KR Sniper) foi uma das melhores de toda série.

Um ponto que vale comentar está nos crossovers, já que a TOEI – dona da franquia já faz pelo menos uns 5 anos – tornou a conexão entre os universos das séries cada vez mais comum e aqui não foi diferente. Tivemos um episódio crossover com Super Sentai, que acabou por ter um envolvimento mútuo dos dois seriados. Mesmo não tendo acrescentado muito a narrativa das histórias específicas, acabou se tornando um motivo a mais para os fãs assistirem.

 

É importante falar um pouco também sobre o drama médico existe, principalmente, na figura de Hiiro Kagami (KR Brave), um cirurgião único com capacidades acima da maioria em operações. Seu drama pessoal com sua ex-namorada, que veio a falecer 1 ano antes, é explorado no final dessa primeira parte. Com a perda de forma no decorrer dos fatos, devido ao fim do arco de Parad, o Arco Cronus tem início e traz consigo o pai de Kuroto Dan para o palco. Por mais que o personagem comece excelente e o ator Hiroyuki Takami faça um ótimo trabalho, principalmente com relação a imposição da voz do vilão, o personagem traz uma aura completamente má consigo, que acaba sendo vazia em muitos momentos, algo que leva ele a perder um pouco seu carisma nos capítulos finais.

No arco final, o drama interno de todos os personagens fica exposto,o que permitiu que a volta de Kiriya como Kamen Rider Lazer Turbo ser um grande choque, mas o seu retorno foi extremamente bem explicado, já que Cronus é capaz de controlar a vida e morte através de seu Gashat. O grande fato, nessa parte final, é que vários personagens acabam sendo usados pelo vilão e o que mais chama atenção é Hiiro, que com a possibilidade de rever sua amada acaba comprometendo a rede médica e toda a operação.

O grande ponto alto de EX-AID está na reviravolta de seus personagens e no carisma do elenco. A forma como a série conseguiu demonstrar o ir e vir de protagonistas sem comprometer a trama é algo importante a ser pontuado. O mesmo vale para o elenco, na qual não se parece ter um elenco de apoio ou personagens secundários, já que todos estão ligados a um fio de extrema importância em todo momento. Esse fator gerou grandes cenas, como a de Nico Saiba contra Cronus e o drama do passado de Taiga em não ter feito seu papel como médico no início da invasão do vírus. Ambos sofreram um pelo outro no ponto final, o que foi algo admirável dos personagens.

No fim das contas, Kamen Rider EX-AID é uma série um tanto quanto incompleta por si só. Seus detalhes estão espalhados entre pequenos especiais exibidos durante o lançamento e o filme que será lançado ainda esse ano, com o verdadeiro fechamento dessa saga. Para se ter uma noção, é possível ter uma outra perspectiva da obra somente assistindo os especiais, pois esses possuem um tom completamente diferente, sendo um mais dramático e  outro mais sombrio, na qual abordam sobre a tragédia de fato que foi a liberação do vírus nesse mundo.

A verdade é que o 27º Rider foi superior ao seu antecessor, Ghost, em inúmeras formas, apesar de certos clichês aqui e ali. O seriado se provou inovador e promissor dentro do tema que se prestou a falar sobre. Não é nenhuma excelência como Kamen Rider Gaim foi  – e quem sabe quando virá uma no mesmo nível -, mas certamente foi um trabalho acima da média, na qual merece a apreciação dos fãs.

Comentários

Raphael De Souza

Graduado em Jornalismo pela FACHA. Lançou durante seu período de faculdade o livro “Costuras Poéticas de uma Vida Reaproveitada”. Chegou palestrar sobre a cultura asiática e seus desdobramentos, na área de Mídia da UFF – Faculdade Federal Fluminense e eventos do cunho oriental. Hoje trabalha como empresário, jornalista e nas horas vagas piloto de automobilismo. E ainda consegue arranjar espaço na sua agenda para séries, animes e tokusatsu e filmes. Defende o crescimento do gênero Tokusatsu no Brasil como forma de cultura.

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