Death Note – Prós e contras de uma das últimas falhas do cinema mundial

A adaptação norte-americana de Death Note (2017) pela Netflix é provavelmente o filme mais xingado dos últimos anos, se igualando em notas de crítica e perdendo nas de público pra Esquadrão Suicida. Essa semana fomos tomados pela chuva de ódio em cima da nova adaptação do anime de 2006. Esse, por sua vez, já adaptado da série de mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata.

Muito se reclamou em relação à falta de fidelidade, ao tom cômico, às atuações, ao roteiro, etc; Com esse texto, iremos analisar e apontar os prós e contras envolvendo a concepção e o marketing desastrosos do filme, aspectos que andam sendo ignorados ou mal analisados. E, que na minha opinião, fazem toda a diferença no resultado final do longa e na opinião do público.

ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS MÍNIMOS E NÃO AFETAM A VISÃO DA SÉRIE E NEM DO LONGA.


COMO ADAPTAR UMA OBRA

Há dois tipos de adaptação para cinema: a fiel ao material original e a que pega elementos do universo e faz sua própria interpretação. Para os dois casos, é fácil achar exemplos maravilhosos e péssimos.

Scott Pilgrim vs The World (2010) é um filme que se prende mais ao material, ajustando aqui e ali pra caber a trama num longa (e é amado), enquanto Watchmen (2009), que também tem bastante coisa parecida com o quadrinho, é xingado até hoje por não conseguir pegar nem a essência de sua obra original.

No caso das obras que pretendem mudar o estilo temos Scarface (1984) que é bem mais maluco que o original de 1932, Drive (2012) que muda o tom do livro de James Sallis para algo menos noir clássico e mais art house (acabando com o tédio enorme presente nesse livro que acho bem ruim) e até Evil Dead, que mesmo tendo seu gore exagerado, foge bastante do tom quase cômico do primeiro filme (ideia do próprio Sam Raimi ao contratar roteirista e diretor para o remake).

Drive, adaptação em longa de 2011 por Nicolas Winding Refn

Pra adaptações ruins, é fácil: os Resident Evil do Paul W.S. Anderson ou os filmes de Uwe Boll (considerado um dos piores diretores da história). Só pega mesmo, não assiste. Sério, pelo seu bem.

O que quero dizer é: Técnica usada não é garantia de nada sem contar todos os outros fatores. Dá pra ter filme fiel ruim porque não se adapta bem ao meio e não-fiel que funciona exatamente por se adaptar. Adaptação vem do verbo e vale a pena lembrar o que ele significa, né.

É bem difícil e toda decisão importa.

A saga pra adaptar Death Note pros EUA começou em 2007, com dois roteiristas contratados para escrever o longa ainda antes do final do anime. A Warner comprou os direitos em 2009 e em 2011 anunciou Shane Black como diretor e dois novos roteiristas. O intuito da Warner nesse momento era tirar os Shinigami (deuses da morte) e focar numa história de vingança. Shane recusou esse rumo, mas continuou no filme. Em 2014 houveram rumores de Gus Van Sant substituindo Black, mas só em 2015 veio a contratação de Adam Wingard para a direção do roteiro que começou em 2007 (a primeira dupla está creditada). Um ano de trabalho e a Warner decidiu diminuir seu catálogo de lançamentos. Wingard, depois de ser chamado por quase todos os grandes estúdios de Hollywood, fechou com a Netflix.

Não sabemos qual era a liberdade que o contrato dava. Podia ser exclusivo para continuar o projeto ou podia dar à produtora direito de voltar ao zero e/ou trocar equipe e manter só os direitos de adaptação. Desconfiamos que era só para continuar o projeto.

Quando uma equipe está realizando algo há um ano e Hollywood inteira quer comprar do jeito que está, é improvável de que ela venda o filme com direito a grandes alterações. Com direitos adquiridos, a Netflix tinha duas preocupações essenciais: a reação do público que conhecia o anime e a adaptação para uma obra ocidental. Comecemos pelo primeiro erro cometido.


DECISÃO DE LONGA-METRAGEM

Há um tempo atrás me passaram um vídeo que um editor americano fez condensando toda a série Breaking Bad em um longa de 2h. O cara era bom. BEM bom. Editava cenas de temporadas diferentes criando sua própria trama de modo bem sutil. Nem da primeira temporada ele começava. Mas no fim o filme não conseguia nada da magia da série por uma razão bem simples: a graça da série não podia ser transferida pro filme, a essência sumia.

Breaking Bad é tão amada por causa do desenvolvimento de todos os personagens, pela tensão que ia aumentando entre eles a cada acontecimento, a cada decisão as vezes não inteligente mas totalmente dentro dos sentimentos do personagem na cena, etc. Não tem como você passar isso pra 1h40 do mesmo jeito. Simplesmente não tem. Meios diferentes, produtos diferentes. Lembrem do filme Avatar: The Last Airbender (2010). Ele não é ruim só por isso, mas que faz uma graaaande parte do problema, faz.

O anime de Death Note trabalha o tempo todo na batalha de intelecto entre Light e quem o quer preso, que muda ao longo da história. É um desenho BEM cheio de tensão. O objetivo ali é mostrar que o tempo todo Light corre o risco de ser pego. A tensão não está só em alguns momentos do episódio. Os obstáculos que os levam a Light são vencidos e novos são impostos inúmeras vezes por episódio. Assim o espectador está sempre  em estado de tensão tentando achar um jeito dele sair da situação atual. Nos apresentam as possibilidades, mas somente Light é inteligente o suficiente pra achar uma saída. Nós admiramos o personagem, ficamos aliviados e vamos para o próximo momento de tensão.

Isso é bom, mas se sustenta por quanto tempo?

Já viram como vários animes vão aumentando os poderes dos personagens e dos vilões absurdamente até todo mundo destruir planetas a cada espirro que dá? Acaba sendo necessário, pois só manter tudo na mesma batalha de sempre cansa o público e, como a série não é cancelada, eles têm que segurar a audiência de algum jeito. Death Note, infelizmente, faz isso. O Light que já era genial no início, quando chega no final, está calculando mais coisas que vidente, com planos cada vez mais absurdos e mirabolantes. É nessa parte que o desenho me perdeu, mas isso não vem ao caso.

Agora, imagine o filme no primeiro estilo de adaptação que eu falei lá em cima. Primeiro: qual seria a história a ser contada?

Pensando que eles queriam só um longa, teria que ser tudo, certo? Light pega o Death Note, começa suas matanças, passa a ser perseguido, luta mental aqui luta mental ali, Light perde no final. Bem por cima, seria isso. Bota isso num longa. No primeiro ato você mostra como era a vida dele até receber o Death Note. No segundo é desde esse momento até o começo da sequência do clímax. No terceiro tem clímax e conclusão. Nesse segundo ato, quantas cenas de tensão você poderia incluir? E quantas poderiam ter a tensão e o timing da série? A série que tem um episódio praticamente inteiro com Light andando na calçada junto de uma mulher tentando descobrir seu nome para matá-la e salvar sua própria pele. Nem um filme do Tarantino manda isso. Fora do mainstream você acha, e mesmo assim não nesse nível. Poderia sim ter tensão, poderia ter batalhas de inteligência (aqui curtas, pois deveriam acontecer as vitórias e perdas de cada um dos lados rapidamente antes do terceiro ato), mas onde teria toda a graça da série que cito acima?

Seria o filme do Breaking Bad.
Pior: já foi feito algumas vezes e ficaram sem a graça do anime.

Portanto, o primeiro erro foi não tornar séria a adaptação. Já recomendaram também uma trilogia, mas continuo frisando que não seria uma boa opção pois só haveria repetição e nada novo poderia ser apresentado se o intuito é manter o tempero do anime.

A melhor adaptação possível seria uma minissérie de mais ou menos 13 episódios. Desse modo, você consegue ter todos os prós do anime sem se estender a ponto de chegar nos contras citados acima. O timing lento e a batalha de gênios estariam ali com um mínimo de repetição que uma série nos deixa ter, mas ainda se aproveitando de um crescendo de tensão durante o arco todo.

Mas o projeto foi feito em 2007. A nossa “era de ouro” da TV não tinha começado, o streaming da Netflix tinha acabado de lançar e minisséries pra esse público não existiam. Em 2007 a moda televisiva ainda era ter muitas temporadas enormes, esticando a história. A indústria ainda não tinha aprendido com os erros da produção de Lost.

Esse primeiro erro mal pode ser considerado um erro, pois nem possibilidade era. Contando que o filme tinha que continuar como estava, a chance da Netflix se safar passou no momento em que ela comprou o projeto.


JÁ QUE TEM QUE SER LONGA…

Sobre as decisões tomadas pelos roteiristas (e produtores, claro) para a adaptação ocidental… Por enquanto não falarei do tom cômico, mas calma que ele vem depois.

Esse filme não teria tempo para uma boa subida na batalha de gênios entre Light e L, então eles tomaram a decisão que mais traria conflitos: ações de Light trariam mais obstáculos a ele porque seus inimigos são mais inteligentes. Não, Light não é burro como falaram por aí. Ele é só… normal.

Ele explicar tudo para Mia logo de cara é mais um erro do roteiro do que uma burrice do personagem, já que destoa das decisões de Light no resto do filme. Foi simplesmente um jeito rápido e preguiçoso de unir os dois personagens e começar a trama principal. O roteiro tem sim suas boas falhas mas Light é, na maioria da história, normal.

É essa normalidade e falta de frieza genial calculista que faz com que L consiga descobrir sua identidade muito mais rapidamente do que no anime. E que bom, pois assim a história move pra próxima etapa: agora L e Light têm outros obstáculos pros seus respectivos objetivos, bem estilo 3 atos usado em Hollywood diariamente (e com razão).

Aí veio a ótima decisão de mudar a Misa!

Não sei como foi pra vocês, mas eu ajoelhei e agradeci a todos os deuses porque… Acho a Misa do anime um porre absurdo que só é bem utilizado em raros detalhes de tramas, enquanto não presta pra nada no resto.

A personagem não é bem desenvolvida no longa e a ótima Margaret Qualley é totalmente desperdiçada, mas passa de Misa um fan service para Mia que faz três papéis muito importantes: obstáculo para Light, contraponto de personalidade e dupla para diálogos.

Margaret Qualley como Mia

Muito do anime se passa na cabeça de Light e é BEM difícil o que conseguiram fazer. Segurar tanto de uma trama só com narração é difícil pra caralho. O público de animes aceita diálogos longos de exposição como característica do meio, mas no cinema ocidental isso não funciona. As expectativas são outras, sua narração com certeza cansaria o espectador e seria duramente criticada.

É com Mia que esses diálogos acontecem, mas não são expositivos. Neles vemos o embate entre as opiniões dos dois em relação ao que fazem, começando no mesmo lugar e cada vez mais se distanciando, com Light querendo ser mais cauteloso e não matar inocentes e Mia mais na ofensiva, pouco a pouco cedendo ao poder que o livro lhe dava.


KKK EAE MEN

Agora sim o tom cômico.
Depois de algumas discussões que participei, achei importante frisar uma coisa aqui: A comédia do filme não é acidental, é completamente intencional.

Adam Wingard em Death Note (via Netflix)

O diretor Adam Wingard declarou:
“[Death Note] is probably closest in design to something like The Guest, (…)”
“…where everything’s larger than life.”

Deixando claro que o design de Death Note é bem próximo do filme The Guest.

Pra quem não conhece The Guest, é um thriller do mesmo diretor que possui tom cômico e é muito bem falado por público e crítica. Como que o filme é sempre comentado por aí nos textos de crítica? “black-comedy thriller“, “pitch black comedy“, etc. Devo enfatizar que em todas as críticas, seu teor cômico é comentado.

Além da palavra do diretor, há também todos os elementos de produção: Fotografia (ângulo e movimentos), atuação, posicionamento e movimento dos atores, trilha extremamente brega, edição; tudo tudo aponta para o exagero. Até o contraste da cor do sorvete na mão do pai de Light com o resto da imagem está ali pra isso.

Nesse vídeo (abaixo), Tony Zhou analisa a comédia visual de Edgar Wright (o vídeo possui legendas em português nas configurações). Podemos notar que a maioria das técnicas visuais são utilizadas na direção de Death Note, desde transições a entradas de objetos e personagens no quadro. Tudo o que é usado pra justificar a qualidade de Wright como comediante visual.

 

Mesmo usados com frequência muito pequena, até alguns cortes e reações do personagem comuns em filmes dos Irmãos Coen estão em Death Note. Todos esses fatores mudam completamente a filmagem que já é caríssima e não acontecem simplesmente por coincidência. Acidentes acontecem aqui ou ali, mas não em conjunto com todos os departamentos durante anos e meses em mais de um filme do mesmo diretor.

Intenção pode não mudar a opinião do espectador sobre o filme, mas pra análise muda tudo. O ator não é ruim “porque não fez o papel sério” se o diretor falou pra ele não fazer. A trilha brega não destoa do filme sério se o projeto não é feito pra ser sério. Ela pode ainda não funcionar, mas por razões bem diferentes.

Lembrem da intenção, pois voltará no final do texto pegando mal pra Netflix.


APRESENTAÇÃO DO TOM

Queria chamar atenção pra uma cena muito importante pro filme: o encontro de Light e Ryuk.

É nela que praticamente toda a proposta é lançada. O exagero está nos planos holandeses (planos deixando o horizonte torto, alguns aqui com lente aberta alongando as formas e o espaço), nos movimentos de câmera (às vezes acelerados na edição), nas cadeiras e mesas lançadas com papéis voando, em movimento e posição de cada ator dentro do quadro, terminando com Light escondido enquanto a mesa, de surpresa, sai voando de trás dele. Assim, Adam bota na mesa do espectador esses elementos e diz “presta atenção, é assim que é pra você entender o meu filme“. Depois disso, tudo vai exatamente de acordo com o apresentado na detenção.


ROTEIRO

Tirando as mudanças que defendemos acima e umas críticas que enquadro como contra a intenção do filme, a grande maioria das reclamações que vejo por aí realmente faz sentido. Os diálogos estão bem medianos e algumas motivações como a união de Light e Mia na revelação apressada do livro a ela são mal desenvolvidas. No final, um Deus Ex Machina é explicado numa cena posterior, mas ela bem possivelmente vai contra as regras estabelecidas pelo livro e acaba virando um furo…

Isso é MUITO normal em Hollywood. Tudo isso é facilmente encontrado em praticamente todos os filmes de grande orçamento. Inclusive os que a galera que está xingando Death Note provavelmente fala muito bem. Raras raras são as exceções.

Não estamos dizendo que uma média baixa justifique um roteiro ruim, mas indignação, se não é constante, existe por alguma razão. Nesse caso, acho que é muito menos uma real análise das falhas e qualidades do filme e mais uma reação a….


NETFLIX ERROU MAIS VEZES AINDA

Daqui pra frente, só falamos de minimizar danos, independente de opinião sobre o filme.

Então, lembra lá em cima quando disse que a Netflix tinha que se preocupar com a reação do público?

Poster de divulgação da primeira adaptação live action de Death Note. O filme foi dirigido por Shûsuke Kaneko em 2006.

Fãs gostam de lealdade ao material, o que é bem difícil, já que quanto mais longe a mídia original for da final, mais difícil é adaptá-la de modo satisfatório aos fãs. E quanto mais perto, maior a chance de ouvir “esse filme é desnecessário se já existia o outro”.

Por exemplo: no formato de minissérie, a produção conseguiria manter o bastante do anime pra agradar fãs e mudar o bastante para trazer um sentimento de novidade.

Adaptação de qualquer meio tem que avaliar a relação entre público original e público-alvo do novo produto. Se o original é desconhecido, você muda o que você quiser. Vai ter fã com raiva, mas meia dúzia não afeta nada. Se é famoso, aí toma cuidado.

As críticas (de profissionais e público) de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) nunca mencionam os originais, porque… Simplesmente não importa. O público-alvo não conhece e vários falam mal do filme por si mesmo. Agora, e Percy Jackson? Esse filme é mais jogado em discussão sobre adaptação ruim do que Hitler em… qualquer discussão. Olha o tamanho da fanbase.
Isso, em casos de mudança de tom, faz toda a diferença. Ninguém em 2012 ligava pra mudança de Anjos da Lei porque o público-alvo em sua maioria não seguia a série de 87.

Death Note é famosíssimo! Ainda mais nesse público-alvo. E o que aconteceu depois do anúncio do filme? Quem conhecia recomendava pra quem não tinha visto e vários fãs novos surgiram ao assistir o anime… Na própria Netflix!

Passaram-se todos os anos de desenvolvimento e  a produtora aposta em um filme com um tom cômico, mesmo sabendo que um longa sério seria ignorável pelo novo público como foram os japoneses (com mais críticas porque remake americano sempre é mal falado) porém irritaria menos os fãs por ferir fidelidade.

O que o marketing da Netflix deve fazer na divulgação? Deixar clara a sua mudança. Nesse ponto do campeonato, já terá gente com raiva se negando a ver o filme, mas tá lá: você vende o que você vai entregar.

E isso é o que foi vendido:

 

 

Opinião não vem só do que você recebeu, vem da relação importantíssima entre o que recebeu e o que esperava. O trabalho mais importante do produtor é dar o que o público-alvo quer ou pelo menos algo que ele não sabia que queria mas gostou de receber (esse é difícil). Do marketing, é convencer o público de que aquilo que ele vai receber é o que ele quer.

Seu filme é brincadeira e muito do público não entrou na onda dele. Alguns entraram e riram, outros entraram e não riram. O objetivo era um público grande (o filme não era focado em nicho) rir. Por uma sequência de decisões ruins, o resultado foi um público que, em sua grande maioria, não achou graça nenhuma. E achou que foi acidental (desculpa, mas aqui culpo o público) ou “tão ruim que eu ri”.

Com um roteiro melhor dava pra ter sido maravilhoso no mesmo tom cômico. Até eu que me diverti horrores e agradeço que pelo menos pegaram um diretor bom e não alguém facilmente substituível cujos filmes só fazem sucesso por causa de improviso dos atores(Oi, Paul Feig), tenho que dizer:

Netflix. Admita, você falhou no seu objetivo.


Analisando todo o seu processo, desconfiamos que a única chance de levar o filme para um caminho de menos ódio (longa sério ignorável) foi na contratação de Shane Black. Ali, talvez ele tivesse conseguido mudar o rumo do projeto.

Depois, como mostrei acima, foi uma cascata de decisões que levaram Death Note a ser um dos lançamentos mais desastrosos dos últimos anos.

Comentários

Gustavo Lucciola

Paulista que mora no Rio, ama cinema bem mais do que deveria e espera dirigir e escrever filmes pra viver.

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