It: A Coisa está entre as melhores adaptações de Stephen King

Em setembro de 1986 era publicado pela primeira vez um dos livros mais cultuados do escritor americano Stephen King, It – A Coisa. O livro foi o mais vendido nos Estados Unidos no mesmo ano e, já em 90, foi adaptado para uma minissérie de 2 episódios. A série teve certo sucesso, inclusive vencendo o Emmy de trilha sonora e sendo indicada por melhor edição. Em sua grande parte a adaptação foi boa, contando com boas atuações e um ótimo uso do conceito do medo utilizado por Pennywise, mas apesar disso ela teve alguns grandes problemas, sendo um dos maiores a batalha final entre as crianças e A Coisa dentro do esgoto, que além de simplificar muito o conceito do monstro sofreu bastante com os efeitos especiais disponíveis na época. Tendo isso como pano de fundo, como a mais nova adaptação do livro se sai?

Grande parte das histórias criadas por Stephen King não são sobre monstros gigantes ou demônios te dando sustos e isso vale também para as histórias que tem monstros ou demônios, e esse é o caso daqui, apesar de ter uma entidade que se transforma naquilo que você tem medo e devora crianças. Essa obra é sobre muito mais que isso, ele é sobre traumas de infância, abusos parentais e sobre amizade, algo que foi falado em maiores detalhes em nosso outro texto. Isso tudo fica bem evidenciado no filme que, mesmo tendo um Pennywise muito mais assustador que o do seriado, depende desse muito mais para criar o terror, inclusive com alguns dos momentos mais tensos do longa sequer tem seu vilão neles e isso só serve para engrandecer tudo e ajudar a torna-lo muito mais que só mais um filme de monstro. É por todos esses fatores que esse é um filme cujo sucesso depende muito mais que o normal da escolha do elenco e uma vez que – uma vez que os protagonistas são todos crianças – essa não era uma tarefa fácil. Apesar disso, o elenco está impecável a ponto de esse ser um daqueles raros casos de um filme sobre um grupo de crianças no qual elas realmente parecem crianças, fazem piadas sobre mães, brigam e acima de tudo vivem em um mundo real com perigos reais como bullys, pedófilos e doenças pra dizer alguns.

Outro ponto muito forte da obra é o modo que o diretor Andy Muschietti (conhecido por Mama) cria a atmosfera de terror, gerada pela presença de Pennywise na vida das crianças, mas ao mesmo tempo quebra esse terror nos pontos certos, seja com o humor que você só encontra em um grupo como esse ou com os momentos mais sérios onde as amizades podem tão facilmente ser quebradas quanto fortalecidas. E isso é obviamente também grande mérito do elenco, que transmite com perfeição a amizade dos personagens até mesmo nos momentos de conflito dentro do grupo.

Isso tudo não é pra dizer que o filme não tem seus problemas. São poucos e, no geral, insignificantes, mas ele tem alguns. Desses problemas o único que realmente incomoda um pouco é a escolha de em diversas das cenas com o palhaço, o longa depender mais tanto de CGI quanto de efeitos práticos, muito mais do que da atuação do Bill Skarsgård para dar o impacto na cena. Como, por exemplo, em uma cena que está presente na maioria dos trailers, onde Bill está no porão conversando com “seu irmão” e A Coisa levanta de uma poça no chão e sai correndo na direção dele com a cabeça balançando e girando freneticamente. Esse tipo de situação diminui a cena em relação á outras, que depende simplesmente da atuação para causar o desconforto.

O TRECHO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DA CENA FINAL DO FILME

Um momento do filme que também o elevou bastante em comparação a minissérie é o embate final entre as crianças e A Coisa dentro do esgoto, mas isso por alguns motivos diferentes. Começando pelo CGI atual, que ajuda muito não só em criar o ambiente sujo, úmido e cheio de crianças e pedaços de corpos flutuando e coisas do tipo, mas também no próximo motivo, que é a batalha em si. Diferente da série, no longa Pennywise não se transforma em um medo genérico como uma aranha monstruosa e é isso ai. Não, nessa adaptação ele realmente vai de acordo com o conceito do personagem e se transforma diversas vezes no decorrer da luta alternando entre o medo de cada criança, baseado em quem ele está tentando atacar sua aparência se altera da mulher deformada, para o leproso cheio de doenças, e por ai vai.

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