Megarrromântico: Comédias românticas e a metalinguagem

A metalinguagem é uma das ferramentas mais eficazes do cinema.

O diretor Todd Strauss-Chulson já havia trabalhado bem com a metalinguagem na comédia de horror Terror nos Bastidores, na qual uma jovem e seus amigos ficam presos em um típico filme de terror oitentista. Agora, o cineasta entra no campo das comédias românticas, um gênero cujas fórmulas e clichês são grande tópico de discussão. Todavia, em vez de abraçar todas elas, ele parece mais preocupado em rir de si mesmo.

A história fala sobre Natalie (Rebel Wilson), uma cética arquiteta que, após um acidente no metrô, vê sua realidade tomar todas as proporções de uma típica história de romance americana. Enquanto se ajusta às novas versões de pessoas que ela já conhece, como os colegas de trabalho Whitney e Josh, Natalie vê no empresário Blake (Liam Hemsworth) sua chance de voltar para a sua vida de verdade.

Embora Superrromântico não seja pioneiro em seus questionamentos aos padrões que o romance traz em seus filmes, ele destaca ao trazer isso de maneira tão irônica e destacada não só nos discursos da protagonista mas também nos cursos da história. Ao contrário do filme anterior de Chulson, aqui a direção não possui muito espaço para se destacar, já que está tão preocupada em seguir o guia plástico e colorido de comédias românticas. O roteiro segue uma fórmula rápida e enxuta, mas cumpre mais do que o esperado ao entregar não só momentos engraçados, como também charmosos e gentis. Embora a mensagem final que o longa entrega não vá surpreender nenhum espectador, continua sendo válida.

Wilson, hoje um nome já conhecido na comédia, recebe certas críticas do público por interpretar personagens semelhantes. Aqui ela tem a chance não só de carregar a história nas costas, mas também de fugir da persona que acabou criando em trabalhos anteriores. Embora mantenha algumas tiradas e o típico humor deadpan, Natalie é bem construída é fácil de se identificar. Além disso, há a questão da representatividade de moças gordas em histórias de romance. Ainda que o filme seja uma grande paródia, não deixa de ser trazer uma história de amor e encantar com ela.

Os coadjuvantes não possuem muito espaço pra brilhar (com exceção de Hemsworth, que certamente se divertiu bastante interpretando uma versão exagerada e cômica de galãs românticos), mas fazem o que podem com o espaço que têm. Adam Devine também aproveita a chance de sair do humor “dudebro” que geralmente faz e não faz feio com um personagem com mais carisma.

Ao fim da sessão, Superromântico acaba sendo mais uma plástica e colorida aventura romântica, com uma mensagem de aceitação e amizade no final. Mas com uma direção e elenco que levam a história tão na brincadeira quanto o público deve levar, acaba se tornando uma comédia divertidíssima e acima da média. Se comédias de romance buscam cada vez mais trazer clichês ao público, aqui o filme parece cada vez mais preocupado em rir sobre tudo isso.

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