O coeso Love + Fear de MARINA

Após a turnê de seu último disco Froot, Marina decidiu dar uma pausa na carreira e focar em sua vida pessoal,para se reconectar consigo mesma. E assim passou alguns anos apenas escrevendo para seu blog, até que em 2019 ela anuncia seu retorno ao mundo da música, causando muita expectativa para o que viria a seguir de seu tempo sozinha.

Marina and the Diamonds sempre teve uma estética muito forte e definida para cada trabalho, no entanto pegou todos de surpresa quando decidiu que iria mudar seu nome artístico e seguir apenas como MARINA. E assim começava sua nova estética, nada trabalhado ou com personagem, apenas ela mesma em seu lado mais natural.

O primeiro single Handmade Heaven pinta como seria o álbum. Diferente dos anteriores, contaria com uma temática mais positiva, vendo a vida de outra forma. O single é poderoso, conseguimos ver a essência da Marina tanto na letra quanto na batida, mas é diferente de tudo que ela já fez. É diferente, mas é bom. No entanto, os fãs tiveram um gostinho que seria diferente quando ela lançou, antes de tudo, a colaboração com Clean Bandit e Luis Fonsi – o que poderia ser uma bagunça, mas saiu uma boa e divertida faixa.

Ela decidiu que o álbum será dividido em duas partes: Love e Fear. Uma que seria mais calma e ela contemplaria essa nova fase dela e e outra que teria um tom mais existencialista, que ela faz muito bem. A escolha foi muito inteligente, pois ainda que haja uma consistência entre as duas partes, elas são bem diferentes entre si.

Acompanhando Handmade Heaven, Orange Trees, Enjoy Your Life e True nos levam para um lugar feliz. As duas canções podem parecer bregas no começo, mas com o tempo dá para entender o momento em que Marina estava ao escrever tais músicas e entender o que ela quer passar e, particularmente, te faz ficar no minimo na mesma vibe. E isso é acompanhado de algo romântico, com Baby e End Of the Earth. End Of The Earth que, junto com To Be Human (que trata do sentimento de não saber o que significa ser humano), começa a preparar o ouvinte para o lado Fear, já que trata de um amor que vai até o final da vida do planeta.

A preocupação com a falta de significado para a vida humana é percebida também em Life Is Strange. Não tão romântica como antes, Marina admite que tem dificuldade de acreditar no amor e que não precisa de mais caras babacas na sua vida, com Believe in Love e No More Suckers. E quando tenta, em Too Afraid, é de uma forma mais pessimista. Inclusive, esse álbum pode ser mais pessimista, mas é o que têm a sonoridade mais pop num geral, mas especialmente em You e Karma. Soft To Be Strong encerra o disco perfeitamente, com uma das melhores letras do trabalho e que junta maravilhosamente as duas partes.

Depois da pausa, Marina entrega um disco coeso e completo. A nova estética coube perfeitamente com a sonoridade e promete ser uma de suas melhores fases como artista.

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