Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas executa muito mal as suas ótimas ideias

Os Jovens Titãs, vendo o sucesso que os outros heróis tem tido ao ter seus respectivos filmes, também  querem uma produção própria. É com essa trama, Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas baseia sua narrativa, que acaba remetendo em diversos momentos a série animada (iniciada em 2013) que serviu de base para o filme. No entanto, esses momentos parecem muito mais forçados e estendidos em um longa-metragem. A questão que fica em voga é: será que essas ideias, mesmo que bobas, funcionam nesse novo formato?

A ideia para essa história poderia gerar uma ótima concepção satírica e também que brinca com noções básicas de super-heróis, algo que é feito de maneira até intrigante no início, o que já é mostrado na abertura que se diverte ao gerar paralelos com a abertura dos cinemas da Marvel e da DC. O grande problema dessa auto-referência ao universo baseado em HQ’s é sua extrapolação durante os 84 minutos de duração da fita.

Isso fica ainda mais explícito no personagem de Slade Wilson, o grande vilão. Ele sofre com piadas sobre sua semelhança com o Deadpool, por ter um nome de vilão, por ter um plano maléfico. São fatos que poderiam sim funcionar facilmente de uma forma mais simples. Porém, são repetidos exaustivamente, gerando um inchaço narrativo que reflete a aparente falta de criatividade dos roteiristas Aaron Horvath e Michael Jelenic (que também são produtores do seriado original).

É complicado realizar um julgamento sobre o nível das piadas, já que se trata de uma película destinada claramente ao público infantil, mas essas deixam a par esse problema de justificativas envolventes para a audiência se conectar ao desenvolvimento dos fatos. As piadas se focam em muitos momentos envolvendo bundas, puns e mais, algo próximo com o humor do longa de Deadpool. Ademais, isso também sacrifica um possível contato maior com a audiência mais adulta.

Apesar disso, existe sim um lado positivo dessa exploração da sátira, como alguns momentos referenciais à cultura pop, como Rei Leão e De Volta Para o Futuro – esses, por sinal, os momentos mais engraçados de toda a obra. Isso se apoia ainda no fator metalinguístico, que gera interações divertidas entre os mais diversos personagens, não apenas os protagonistas.

A animação focalizada no cartoon gera uma inteligente lógica interna, que permite aos animadores brincarem o tempo inteiro com formas e partes do corpo fora de uma realidade comum, sendo o principal exemplo a mão pequena de Robin. Esse, que acaba por ser o grande protagonista e o mais desenvolvido nas suas características principais, particularmente na trama principal. Todavia, isso também gera um drama que não funciona, já que é uma quebra de ritmo e da consistência narrativa cômica apresentada no resto da duração. Esse assunto é tão entendido pela própria escrita, que existe uma tentativa de fazer humor em cima disso, mas já sendo tarde demais para brincar com um erro da produção.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas funciona bem menos do que poderia, utilizando um sátira para dentro do gênero que já não é mais novidade. A tentativa de gerar um humor infantil acaba não funcionando, espantando assim os outros públicos que poderiam se divertir com a produção. Se o objetivo da Warner/DC era tentar gerar algo novo, isso não funciona na sucessão de clichês que é o filme. Talvez, uma série de episódios teria sido melhor.

2.0
  • Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
2

Resumo

Apesar de ser uma sátira interessante, não tem nada de original e esquece de contar a sua história em prol de piadas fracas.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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