PRIMEIRAS IMPRESSÕES: Kamen Rider Build

No último 3 de Setembro, uma nova série Rider abriu as portas para a mais um ano da franquia, que se estende desde a década de 70 até os dias atuais. Criado por Shotaro Ishinamori, em 1971, o herói motoqueiro com o semblante semelhante ao de um inseto que combate o mal nasceu das mãos do que viriam a ser seus vilões. Por que contar sobre o começo da franquia aqui? Pois o que vos espera nas linhas que virão à seguir está diretamente ligado as raízes desta franquia.

O cerne de Kamen Rider Build traz consigo elementos originários do herói gênesis da franquia. Assim como na atual série Tokusatsu, o primeiro Rider foi concebido através de uma dramática situação, na qual vilões estavam fazendo experiências de transformar humanos em androides. O que numa dessas empreitadas criou-se Kamen Rider, a criação que se voltou contra seus criadores, tal como o Frankenstein. E que chega agora em 2017 referenciando a franquia original.

Em apenas dois capítulos o Rider atual relembrou heróis anteriores mais do que qualquer um, mas as referências não param por aí. Seu dispositivo de transformação possui um designer similar ao de Kamen Rider Meteor (Rider secundário da série Fourze). Não obstante, o visual característico que lembra Kamen Rider Double. Todas essas pequenas situações se devem a produção da série, na qual boa parte esteve em trabalhos anteriores da franquia.

A atual equipe do seriado conta com nomes como: Hiroshi Batsuda, que cuida dos efeitos especiais e trabalhou em Gaim, Wizard, OOO, além de muitos outros, destaque para os sentais, estarem em seu currículo. A produtora Chihiro Inoue é outro nome que se destaca, por também ter tido experiência com a TOEI anteriormente na obra Ninninger. O roteirista Shogo Muto vem de uma linha de trabalhos pautados pelos J-Dramas (novelas japonesas). E, para fechar com chave de ouro, o diretor, Ryuta Tazaki, que chega com uma excelente bagagem nas costas, já que seu nome está em trabalhos como: Kamen Rider Amazons, Gaim, Den-O, Kabuto e, até mesmo, a paródia altamente elogiada, Akibaranger.

“Já faz 10 anos que a caixa de Pandora foi aberta e causou a tragédia conhecida como o Skywall. Nosso país foi dividido em três facções: Touto, Seito e Hokuto, desde então o caos e o medo permeiam as ruas nipônicas.”, é a frase de abertura do narrador no começo dos primeiros dois episódios da série.

Apesar do clima Tokusatsu de um seriado aparentemente infantil, o drama estabelecido se prova sólido nesse começo. Fica perceptível que a ameaça é real e o perigo eminente. Algo que põe ainda mais pressão pois retornamos a fase de apenas um herói solitário no começo da história tendo que se virar para impedir que o caos se perpetue por completo.

Quanto a história, se tem Sento Kiryu (KR Build) sendo o protagonista da história. Ele é um físico prodígio que foi vítima das circunstâncias de uma experiência por intermédio do governo corrompido. Seu maior desafio é desvendar os mistérios sobre seu passado, já que após ser capturado ele perdeu a memória do que houve durante o tempo que esteve em cárcere. Sua única memória está ligada a figura de uma criatura chamada Night Rogue (chamado de homem morcego por ele). Após ser encontrado por Soichi, um dono de um café, e Misora Isurugi, que possui a habilidade de purificar os componentes dos Smash e transformar em novos poderes para Build, a jornada de Seito como Kamen Rider Build tem seu início. Seito usa da frase “Que comece o experimento!” quando está prestes a começar uma luta contra um Smash. (Uma pequena observação aqui: Smash é o nome dado a toda e qualquer criatura criada por Night Rogue. Eles são humanos que não mais podem controlar suas emoções e acabam confinadas dentro de um corpo monstruoso.)

No elenco de apoio se tem Ryuga Banjyou (Eiji Akaso conhecido por sua atuação em KR Amazons), um jovem de 23 anos e ex-lutador, que foi preso injustamente por assassinato de um cientista na qual tinha descoberto o mistério da caixa de pandora. Foi submetido as experiências pelo Night Rogue, mas conseguiu escapar com sua humanidade intacta. Além disso, temos também Sawa Takigawa (Yukari Taki conhecida pela atuação em Ultraman Ginga S) como a jornalista/freelancer, que após ser salvar Build, barganha o protagonista a fazer um furo de reportagem sobre o herói Kamen Rider.

Na questão dos vilões e como eles são criados nessa série, há uma certa lembrança de Kamen Rider 555 (Faiz), onde os Orphenocs surgiram de uma causa muito similar a adquirida na série atual, onde os humanos são os adversários que se transformam em monstros. O quanto Build pode ir longe com sua empreitada está logo em seu começo, já que o primeiro capítulo demonstra um empenho extra no que diz respeito ao trabalho de produção, com um cuidado à mais com o CGI e seus efeitos para com o Skywall.

Build veio para desempenhar um papel similar ao que KR Double anteriormente proporcionou, ou seja, o de trazer mistério, referenciar o passado com força e provar pra si que pode fazer a diferença, tudo isso com um roteiro de suspense, drama e as ideias utilizadas no passado. A fórmula Rider não se perdeu ao longo dos anos, ao contrário do que alguns dizem, ela apenas passou por adaptações, por vezes não muito eficazes e outras ótimas. A atmosfera aqui prova que não estamos diante de um simples caso de uma possível vingança contra aqueles que se aproveitam da situação para lucrar como o governo na série faz, mas também estamos em frente a uma plot que pode se provar muito promissora, tendo em vista os efeitos da caixa de pandora em humanos. A mesma que causa mudanças de comportamento e distúrbios mentais avançados em todos que estiveram a menos e um 1km quando a caixa se abriu.

Quanto a canção de abertura, voltamos a ter uma voz feminina na abertura, algo que não se tinha desde de 2013 com Kamen Rider Fourze. A canção se chama “Be The One” por Pandora e a cantora Beverly. O primeiro é um novo projeto formado pelo dueto da TM Network, o produtor Tetsuya e Daisuke Asakura, membro do grupo de J-Pop Access. Anteriormente, ele já havia produzido a abertura de Ultraman Orb: The Origin Saga, enquanto Beverly fez música para o J-Drama Crisis. Falando da abertura de Build propriamente dita, temos cenas bem simplistas, nada muito exagerado, mas o clima gerado pela voz de Beverly traz uma vibe próxima aos anos 2000. Os cálculos matemáticos que aparecem destruindo o muro, demonstra que a física do protagonista será parte da solução.

O seriado demonstra bastante a sua pretensão de ir além nesse começo e, possivelmente, mudar parte do tom da série para adaptar a outra metade de modo mais realista, demonstrando as consequências reais que a divisão do país em três causou as outras facções. O que essa ideia faz é acabar lembrando de filmes como Jogos Vorazes e o próprio Divergente, onde se fala em distopia, que é exatamente o cenário atual em Build.

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Raphael De Souza

Graduado em Jornalismo pela FACHA. Lançou durante seu período de faculdade o livro “Costuras Poéticas de uma Vida Reaproveitada”. Chegou palestrar sobre a cultura asiática e seus desdobramentos, na área de Mídia da UFF – Faculdade Federal Fluminense e eventos do cunho oriental. Hoje trabalha como empresário, jornalista e nas horas vagas piloto de automobilismo. E ainda consegue arranjar espaço na sua agenda para séries, animes e tokusatsu e filmes. Defende o crescimento do gênero Tokusatsu no Brasil como forma de cultura.

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