RESENHA: Crônicas de Amor e Ódio – Mary E. Pearson

As Crônicas de Amor e Ódio é uma trilogia que vai contar a história da princesa de Morrighan, que está de casamento marcado com o príncipe de Dalbreck para selar a aliança entre os reinos. Isso pode parecer bem romance clichê, mas na verdade a história trata de uma fantasia, com uma bela dose de empoderamento feminino, guerras, conspirações e magia.

No primeiro livro da trilogia, intitulado “The Kiss Of Deception”, somos apresentados a personagem principal da história, a Primeira Filha da Casa de Morrighan, Arabella Celestine Idris Jezelia (ou Lia, como ela prefere ser chamada). Já no começo, vemos que é uma personagem forte, com seus pensamentos formados e que não se deixa levar por uma tradição. Ao se ver de casamento marcado com o príncipe de Dalbeck, no qual ela nunca vira pessoalmente, Lia decide fugir horas antes da cerimônia, ainda com o vestido de noiva e o kavah (uma espécie de tatuagem) de casamento, com sua amiga Pauline para o sul do reino de Morrigan, uma cidadezinha chamada Terravin. Assim que sua fuga é notada pelos reinos, começa então uma perseguição do príncipe para achar o paradeiro de sua noiva, e somos surpreendidos ao saber que há também um assassino de aluguel, do reino de Venda, atrás de Lia.

Lia e Pauline se hospedam em uma taverna, da tia de Pauline, e para se camuflar entre os moradores, começam a trabalhar nela. Em um dia, entram na taverna Rafen e Kaden, dois viajantes que logo chamam a atenção das duas amigas.

No decorrer do livro, percebemos que um deles é o assassino e o outro é o príncipe, e o que mais prende a nossa atenção é justamente tentar adivinhar quem é quem.

O livro possui uma pegada um pouco mais arrastada que o normal, mas ficamos preso ao mistério do assassino e do príncipe e também sobre o dom que a Lia possui.

Meu vestido flamulava atrás de mim, agora casando-me com uma vida de incertezas, mas que assustava bem menos do que a vida cheia de certezas que eu tinha encarado. Agora, essa vida era um sonho criado por mim mesma, na qual o único limite era minha imaginação. Era uma vida comandada por mim, apenas por mim.

No segundo livro, “The Heart Of Betrayal”, Lia sai de Terravin e está a caminho de Venda junto com o assassino, sendo seguida pelo pelotão do príncipe.

No Reino de Venda, Lia se vê em um ambiente totalmente diferente do que ela vivia em Morrighan, com pessoas que ela logo pega muita simpatia, menos o chamado Komizar, uma espécie de rei de Venda. O Komizar é escolhido por quem mata o antigo Komizar, desse modo pegando o título para si. Lia é mantida prisioneira em Venda, levada pelo assassino a pedido de Komizar.

Como a personagem principal foge de todos os clichês tradicionais de princesa, Lia logo vira o jogo e em momento algum é tomada como vítima.

Eu tinha sido silenciada vezes demais por aqueles que exerciam poder sobre mim. Não aqui. Minha voz seria ouvida, mas eu haveria de falar apenas quando isso servisse aos meus propósitos.

No terceiro livro, “The Beauty Of Darkness”, vemos mais sobre o empoderamento das personagens femininas da história. O que tinha no começo apenas alguns pontos que demonstravam isso, nesse livro temos a certeza que nenhuma mulher do reino de Morrighan abaixa a cabeça para tradições.

Lia é tão impressionante que em dado momento passa por cima do pai, o Rei de Morrighan, e comanda todo o exército em uma guerra predestinada desde o segundo livro.

Os soldados davam ouvidos a ela, e vi o que já sabia e eu não queria aceitar lá em Venda. Ela era uma líder nata. Aqui era onde ela precisava estar.

A cena dessa guerra é de tirar o fôlego, mas quando acontece o confronto mais esperado, não supera as expectativas. O que não faz o ultimo livro perder o mérito de melhor da saga.

No decorrer de toda essa sagta, vemos trechos de uma história a parte. “Os Últimos Testemunhos de Galdrel” conta a história de como se formou os reinos e a origem dos nomes Morrighan e Venda, além de explorar um pouco mais que o livro o significado do tal dom que Lia tem. Esse fato ajuda muito na expansão do universo, que parece muito mais palpável e rico.

Os títulos dos livros são em inglês?

Sim. A editora Darkside Books resolveu manter na edição em português os títulos originais da obra.

Questionada sobre a origem dos títulos, Mary E. Pearson conta que foi um processo muito longo, juntamente com sua editora. Elas queriam que o título evocasse tanto o mistério como o romance, e também algo que fosse subsequente nos outros dois livros seguintes, se tornando um padrão. As duas não só tiveram que criar o título do primeiro livro, como também criaram do segundo e do terceiro sem nem mesmo eles terem sido escritos.

Quem termina de ler cada livro, percebe como o título tem um grande significado pra história. Vale também ressaltar que as ilustrações da capa ajudam a narrar o enredo que está se passando em cada um dos livros.

Sobre a autora

Mary E. Pearson é norte americana, do estado da Califórnia, e apaixonada por fantasia. Sua preferida, e que serviu como inspiração para a saga, foi a criada por Tolkien, Senhor dos Anéis e O Hobbit. The Kiss Of Deception foi seu primeiro livro.

Em uma entrevista concedida pela Darkside Books, quando perguntada quais referências Mary usa para criar o universo de Crônicas de Amor e Ódio, ela cita uma frase do autor Richard Peck: “Nós escrevemos sob a luz de todas as histórias que já lemos”. Mary diz também, que para criar a história de Lia ela se inspirou no nosso próprio mundo, observando as coisas que referenciamos, odiamos, a busca pelo poder e os erros que cometemos.

Sobre o empoderamento das personagens femininas, Mary diz: “Todos nós conhecemos mulheres poderosas, capazes, fortes e inteligentes. Elas são mulheres reais em nossas vidas. É apenas certo e natural que encontremos as histórias delas entre as páginas dos livros. Mulheres não são coadjuvantes. Elas também são as heroínas do mundo.”

Confira abaixo alguns detalhes da edição lançada pela Darkside:

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