RESENHA: Jogador nº 1, de Ernest Cline

“É preciso deixar um pouco mais difícil essa conquista, para que a vitória fácil demais não desmereça o preço.”

Ernest Cline já trabalhou em diversos empregos, mas sua principal ocupação sempre foi ser nerd. Em seu primeiro livro, o autor deixa claro esse fato recheando-o de referências nerds que vão de Harry Potter a Star Wars, de Atari a Playstation. E isso tudo é Jogador Nº1.

O livro, que possui o seu título original como ”Ready Player One”, conta a história de um universo totalmente online chamado OASIS, onde as pessoas se conectam a ele para fugir do caos em que o mundo havia se transformado. Não sendo só uma plataforma online de videogame, esse mundo oferece a proposta dos jogadores frequentarem aulas em escolas virtuais e ter um emprego virtual, onde o salário recebido poderia ser gasto em coisas no mundo real.

O ano é 2044 e a Terra sucumbiu a fome, ao desemprego e a guerras. Na plataforma virtual, o usuário pode ser quem ele quiser, mas fugir dessa realidade não é o único atrativo para a utopia virtual. Seu criador, o bilionário James Halliday, escondeu antes de falecer uma porção de easter-eggs (referências) e um mega prêmio para quem conseguisse desvendá-los: o controle do OASIS e toda sua fortuna. O jogo é separado em três fases, com desafios inspirados na cultura pop dos anos 80, e só passa para a próxima etapa quem encontrar a chave da primeira fase. A partir daí, somos introduzidos ao jogador Wade Watts, que mora em um parque de trailers na cidade de Oklahoma. Após cinco anos desde o início do enigma proposto por James e sem ninguém ter feito nenhum avanço no jogo, boatos de que tal referência era falsa começam a circular até finalmente encontrar a Chave de Cobre e seu nome ocupa a liderança do ranking, atraindo muitos olhares e instigando jogadores a continuar tendo a ambição de jogar.

“Ser humano é uma porcaria na maior parte do tempo. Os videogames são a única coisa que tornam a vida suportável.”

Imagem da adaptação cinematográfica do livro, que será dirigido por Steven Spielberg. O roteiro conta com a participação do autor da obra e está previsto para meados de 2018.

Apesar de parecer inofensivo, o desafio do OASIS não possui nenhuma regra e isso atrai muitas conspirações e perigos para a vida real dos jogadores. Em meio a um grupo de hackers que quer vencer a qualquer custo, o conhecimento de Wade em tudo o que James fez, chamado Almanaque de Anorak, o faz disputar ponto a ponto com a trapaça, e a única chance dele sobreviver é… Vencendo.

“Isso é tão Black Mirror…”

A maneira como a história criada por Ernest se aproxima da vida real é um tanto quanto assustador. Citando a nota do San Francisco Chronicle (que está na quarta capa), o livro é “um thriller inteligente, divertido, que celebra e critica a cultura on-line”. Podemos analisar mais a fundo como a tecnologia influencia na nossa vida, e mesmo classificado como utopia, é fácil trazer para nossa realidade o que acontece dentro daquele mundo, pois estamos cada vez mais imersos na realidade virtual. Além disso, é possível ver também como a ambição pode mover o ser humano, e no caso de um jogo onde não há regras, qualquer alternativa para vencer se torna válida, mesmo que isso viole leis e morais mais preservadas pelo ser humano.

Cline tem uma escrita tão rica em detalhes e, claramente, um super conhecimento nas referencias que ele cita no livro, o que faz o leitor sentir como se estivesse, literalmente, dentro da plataforma criada por ele. Com certeza muita gente, ao ler a obra, vai desejar ter um OASIS pra si.

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