RESENHA: Thor – Ragnarok

Thor: Ragnarok é mais uma prova que os filmes de super-heróis não precisam ser realistas ou extremamente sombrios para serem bons, muito pelo contrário, dos três filmes da Marvel sobre o deus do trovão, Ragnarok é de longe o menos sombrio e é também não só o melhor dos três como – definitivamente – está entre os melhores do universo dos super-heróis. Essa escolha de não se preocupar em criar um longa soturno e focado para um público adulto não só deixa a história mais divertida e aproveitável para o público, como também para o elenco que, só pelas entrevistas sobre o filme, já havia dado a impressão de terem se divertido imensamente gravando e a certeza é cada vez maior disso.

Grande parte do que faz essa obra ser tão boa é o fato que ele adiciona muita coisa ao MCU e está claramente conectado com tudo anteriormente mostrado em tela e os que ainda está por vir. Apesar disso, ele não gasta tempo tentando servir de conexão com os outros, o que faz com que funcione perfeitamente como uma trama solo, sem deixar obrigação nenhuma de conhecer a mitologia antes ou depois dele para entender completamente a história que está sendo contada ali.

Após um pequeno embate entre Loki (Tom Hiddleston) e Thor (Chris Hemsworth) com a deusa da morte Hela (Cate Blanchett) os irmãos são transportados para o planeta Sakaar – aonde ocorre provavelmente a melhor parte de Ragnarok, principalmente para os fãs das HQs, isso porque nesse ponto a narrativa se torna uma mini-adaptação de Planeta Hulk, escondida pela Marvel dentro do filme. E o que faz essa parte ser tão boa é o modo como o diretor neo-zeolândes Taika Waititi (O que nós fazemos nas sombras) mistura partes dos quadrinhos no meio do segmento, de um modo que nos faça acreditar que é tudo uma história só e não diferentes pedaços de diferentes tramas juntas. Outra coisa que faz esse momento ser provavelmente a melhor aqui é, obviamente, Bruce Banner (Mark Ruffalo), que após os acontecimentos de Vingadores: A Era de Ultron ficou dois anos inteiros presos na forma do Hulk, permitindo que ele consiga até se comunicar com mais do que apenas “Hulk Esmaga”. Essa é provavelmente a melhor versão desse herói nos cinemas e digo isso porque, apesar de continuar sendo o mesmo ator, aqui ele está, finalmente, em sua forma perfeita.

Thor: Ragnarok é  – por vários motivos – o filme mais engraçado da Marvel Studios até o momento. Sim, mais até do que Guardiões da Galáxia. Dentre esses motivos estão a escolha de um diretor com habilidade excelente para comandar comédias e a química entre os personagens, com destaque para Thor e Hulk. Apesar de ser um longa claramente de comédia, ele não fica devendo nada nas cenas de ação, inclusive ele conta com uma das melhores cenas de luta dos filmes de super-heróis até o momento sob o som magistral de “Immigrant Song”, da banda Led Zeppelin. Só isso, já mostra que algo aqui é diferente.

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