Social Cues mantém acesa a chama do Cage the Elephant

Cage the Elephant tornou-se uma das grandes representantes da música independente americana desde seu início, em 2006. Ao divulgar o primeiro trabalho, com título homônimo, contendo o hit “Ain’t no Rest For the Wicked”, eles ganharam uma repercussão mundial. Dessa forma – mesmo com a recepção meio morna do público por Tell Me I’m Pretty -, material novo é sempre uma expectativa enorme. Social Cues trazia isso, tendo sido o maior tempo sem novidades do grupo. E além de cumprir, o álbum parece surgir como algo novo deles. O que pode se esperar do futuro da banda?

A obra inicia com “Broken Boy”, já estimulando toda essa força na vitalidade dos integrantes. A força vocal, o rock meio chiado/grunge, a dança com pés dos ouvintes, a bateria meio agressiva. Tudo traz uma lembrança de sempre, mas, ao mesmo tempo, buscando uma carga de novidade. O parecido acontece na sequência, com a faixa título. Também trazendo essa carga dançante, ela ainda traz uma proporção mais pop, algo na qual o álbum brinca bastante. Se a grande motriz era a mistura do rap e indie, aqui eles parecem absorver a música pop como uma modificação e novidade.

“Black Madonna” e “Night Running” advém dessa linha mais alternativa/indie do grupo. É interessante, todavia, que não parece remeter muito a algo sujo, mas sim a uma polidão nas canções e nos acordes. Rememora em diversos momentos até Interpol e Arcade Fire. A ideia de trazer a bateria só como acompanhamento é o grande DNA do Cage, algo que é repercutido aqui, para que sua própria sonoridade não seja esquecida. “Skin and Bones” ainda repete isso, buscando um refrão bastante chiclete e uma letra direta. É clara a lembrança dos primeiros anos de trabalho do grupo.

A continuação com “Ready To Let Go” volta essa sinergia mais relacionável ao pop/hip-hop. O dançante toma bastante vez. Musicalmente, por sinal, essa canção parece quase esquecida, simplesmente pelo fato de não possuir uma rememoração de quem ouve. Ela é mais composta pelas falas do vocalista Matt Shultz, quase como se tivesse se confessando de alguma coisa específica. De fato, se apresenta nesse instante uma quebra do que vinha sendo apresentado. Logo na sequência, “House of Glass” parece impulsionar nessa questão. A voz de Shultz é quase sussurradora, mas ainda assim hipnotizante. Tem uma cara bem direta de fazer sucesso nas apresentações ao vivo, principalmente na sinergia entre banda e público.

Em seguida, “Love’s The Only Way” traz um lado mais de balada. Podendo ser executada sob égide de uma orquestra, mas também com luzes de celulares durante o show, ela se demonstra única. Existe uma certa beleza presente ali, quase emocional. Talvez seja um pouco esquisita em um contexto mais geral, porém igualmente funcional. “The War Is Over” traz um mesmo clima de otimismo onipresente, apesar de ser um pouco mais rítmica. Nesse quesito, até é possível lembrar de faixas recentes do Arctic Monkeys.

Dessa maneira, “Dance Dance” se mostra uma clara continuação espiritual. Mas, agora, os integrantes imprimem o estilo sempre reconhecível do Cage, nesse mix entre dança e algo mais envolvente. A batida meio pop só complementa todo o conjunto da obra (os riffs de guitarra colaboram bastante nisso). “What I’m Becoming” volta a levada meio pop, com inclusive uma introdução quase a base de sintetizadores. Existe uma elegância, entretanto, ao seu fim. Parece ser algo meio soturno, como a fase dos anos 90 da cantora Madonna – homenageada anteriormente. Talvez sua letra quase falada seja complementar a isso, estigmatizando todo esse clima soturno.

Por fim, “Tokyo Smoke” volta nessa atmosfera indie, buscando bastante uma subprodução característica da banda. A bateria, a voz, o baixo meio esquisito. Tudo rememora a fase do início dos anos 2010 deles, com essa preposição única das músicas, mas confusa no estilo. “Goodbye” finaliza tudo em mais uma composição lenta e bastante original. Existe, entretanto, aqui ainda mais esse valor melancólico. O refrão, repetindo do título da canção, só exacerba isso, além dos acordes meio dissonantes. Parece ser um fim perfeito a um trabalho que coloca a prova todos esses questionamentos de gêneros e melancolia/felicidade a prova.

Apesar de não ser perfeito dentro desses problemas estruturais de continuidade, Social Cues parece ser produto de algum experimento do Cage the Elephant. Se o grupo normalmente se acostumou ao seu jeito meio grunge de realizar arte, agora parece querer trazer algo novo. O rock, alternativo, rap, pop e até eletrônica, compõem algo bastante único dentro desse trabalho. Parece que o Cage gostou dessa nova trajetórias dos grandes expoentes do indie dos anos 2000 em se reinventar. Tudo se mostra como um fim de um ciclo para esse estilo musical e essCD está no meio dele.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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