The Get Up Kids e a redenção do emo no Brasil

O último dia 2 de setembro ficará marcado na memória de muitos como uma das mais intensas visitas ao Carioca Clube, em Pinheiros, zona Oeste de São Paulo. A casa, que possui uma ótima estrutura e divide sua agenda entre shows de sertanejo, pagode, metal e punk rock recebeu os americanos do The Get Up Kids, um dos maiores nomes do emo, 23 anos após sua formação.

Foto: DricoSk8Gru

O gênero, que já atravessou períodos um tanto quanto constrangedores, principalmente no Brasil, onde teve seu nome atribuído a bandas de pop rock visual que com muita boa vontade poderiam ser consideradas “ruins”, vem presenciando um revival do “emo de raíz” desde o final dos anos 00, e muitas das bandas que haviam se desfeito nos anos 90 foram voltando aos poucos, seguindo o crescente interesse do público em nomes como American Football, Mineral, Sunny Day Real Estate e o próprio The Get Up Kids, que, tendo entrado em hiato em 2005, retomou as atividades em 2008 e, desde então já gravou um álbum e um EP, que vieram aumentar o repertório da banda, que já contava com outros quatro álbuns e dois EPs.

E assim, com tanto interesse dos fãs e uma avalanche de “come to Brazil” nas mídias sociais, a agência Powerline provou mais uma vez sua competência e realizou o que, para muitos, foi um dos melhores shows do ano até agora.

Ao entrar na casa, os fãs de emo já eram recebidos por uma discotecagem que contava com clássicos de bandas do gênero, como The Promise Ring e Braid, o que fez a breve espera pelo início dos shows ser bastante agradável. Uma rápida passada pelas bancas de merch oficial das bandas que tocariam na noite e as cortinas já se abrem para o começo do espetáculo.

Foto: Marcela Mattos

A primeira banda da noite é o Horace Green, que trouxe um show bastante técnico, com um trabalho de iluminação muito bom e tocando para um público razoável, principalmente para a primeira banda da noite. Apresentando músicas de seus dois discos, Jazz depois da meia-noite e Madeira, a banda entregou seu “emo faquinha” de maneira energética e rápida em pouco menos de meia hora de show.

Foto: Marcela Mattos

Os destaques foram as músicas Alpha e Ponta Porã, que foram cantadas por parte do público presente, enquanto o resto acompanhava interessado o quarteto que vem crescendo bastante desde sua formação em 2013. Show profissonal, técnico e direto, com certeza agradou quem ainda não tinha dado uma chance à banda e satisfez os fãs.

Foto: Alexandre Cintra Ferraz

Após uma breve pausa e já com bastante público, o Hateen, talvez o maior representante do gênero no Brasil, sobe ao palco para tocar um setlist especial de sua fase em inglês, trazendo um repertório centrado em músicas dos álbuns Dear Life…Loved, ambos repletos de clássicos que foram cantados pelo público com emoção e intensidade.

No meio de um setlist tão especial e esperado pelos fãs, os destaques foram 404 Not Found, Day After Day e um cover inusitado e muito bem tocado de In Circles, do Sunny Day Real Estate, um dos “hinos” do emo que levou a platéia a cantar em uníssono com a banda. Por fim, Mr. Oldman, fechou o show da melhor maneira possível, deixando todos devidamente aquecidos para o evento principal da noite.

Foto: DricoSk8Gru

 O The Get Up Kids já entrou ganhando o público de cara, com Holiday, a música mais popular de seu disco mais popular, Something to Write Home About. O público, que desde o primeiro show vinha em um crescendo de antecipação e intensidade, explodiu aos primeiros acordes da música e deu um show a parte. Durante toda a apresentação, pessoas subiam ao palco para dançar e cantar junto dos americanos, dar stage dives, e, claro, não faltaram abraços e beijos de agradecimento nos membros da banda, que se mostravam receptivos a todas essas interações com os brasileiros.

Foto: Marcela Mattos

Com um repertório que em sua maioria mesclou o já citado Something to Write Home About e o álbum de estreia da banda, Four Minute Mile, também não faltou espaço para algumas músicas do resto da carreira, contemplando os discos On a Wire, Guilt Show e até mesmo b-sides presentes apenas em EPs, como as canções Woodson e Mass Pike, que, mesmo não fazendo parte dos lançamentos principais da banda, foram recebidas pelo público como se fossem os maiores dos hits. Não houve um momento do show em que a platéia estivesse parada e sem cantar.

Vídeo por Alexandre Kitamura:

 

A banda, que contava com o baixista Rodrigo Palma do Saves the Day no lugar de Rob Pope, que estava em turnê com o Spoon estava incrivelmente precisa na execução das músicas, especialmente o tecladista James Dewees e o baterista Ryan Pope. Dividindo as guitarras e vocais, Matt Pryor e Jim Suptic se mostravam confortáveis no palco e era comum contarem piadas entre si, até mesmo resultando em uma canção de aniversário (falso) puxada por Matt para Jim.

Foto: Marcela Mattos

Tocando o que o público queria ouvir, a setlist que teve como destaques Action & ActionWoodsonI’ll Catch You I’m a Loner Dottie, A Rebel, contou com dois bis, onde tocaram covers de Close to Me, do The Cure Beer for Breakfast, do The Replacements. Fechando a noite com a icônica Shorty, a banda fez uma promessa de que não vai demorar mais 20 anos para voltar ao Brasil.

Foto: DricoSk8Gru

Por fim, a satisfação e senso de expectativas atingidas (e até mesmo superadas) era evidente nos rostos e sorrisos de todos os presentes. Comentários animados sobre o show, risadas sinceras e uma sensação de alma lavada acompanharam todos no caminho, em um clima de celebração e contentamento.

Fotos por: Alexandre Ferraz, DricoSk8GruMarcela Mattos

Vídeo por: Alexandre Kitamura

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Alexandre Ferraz

Formado em audiovisual, apaixonado por cinema e música. Colecionador de games, baterista frustrado e provavelmente com sono no momento.

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