Woody Allen volta aos bons filmes com Roda Gigante

Todo ano é ano de Woody Allen. Desde 1982, com Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão, o famoso diretor faz todo ano um filme novo, mas que, na maioria das vezes, acabam sendo mais do mesmo ou sendo extremamente medianos. Em 2017, Allen chega com sua segunda melhor obra dos anos 2000 – apenas atrás de Blue Jasmine -, com um longa dramático e diferente.

Roda Gigante conta a história de Ginny, uma garçonete casada com Humpty, um operador de carrossel no parque de diversões. A vida dos dois é abalada com a chegada da enteada Carolina, que está fugindo do seu antigo marido gangster, e, também, pelo guarda-vidas Mickey, que acaba formando uma relação de amor com a mulher casada.

Diretores que produzem longas frequentemente acabam por, quase sempre, seguir um mesmo caminho em relação a maneira de fazer arte e etc. Isso não foi diferente com o comandante aqui, porém, agora, resolveu sair um pouco do comum em seu estilo. Woody planeja por fazer uma trama quase toda contada com planos longos e poucos cortes. A câmera passeia em torno das discussões de uma maneira incrível, quase como o olho do telespectador para aquele momento. Além disso, a escolha de determinados planos fala muito sobre cada um dos personagens.

Complementando com a sensacional direção, a fotografia também quer dizer muito. Os tons de azul e vermelho – ambos extremamente extrapolados – dominam sempre e falam sobre como cada um dos protagonistas está se sentindo. Os figurinos também compõem muito bem os planos, com destaque sempre dado para quem está em primeiro plano.

Em relação às atuações, basicamente todas estão excelentes, mas quem está acima de todos é Kate Winslet. Sem sombra de dúvidas, é uma das melhores performances da sua carreira, junto com Titanic, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e O Leitor. Suas expressões corporais, olhares e sentimentos extremamente profundos fazem uma indicação ao Oscar ser praticamente certa. Juno Temple e Jim Belushi também estão bem, mas sem um gigantesco destaque. Já Justin Timberlake é de mediano para baixo, sempre sendo “engolido” por qualquer outro que entre em cena com ele.

O roteiro possui alguns pontos muito bons, mas também erra bastante. O destaque fica na parte dos diálogos extremamente ácidos e na construção de cada um dos personagens. O que mais peca são certas subtramas e continuidades. Um exemplo bem claro, é do filho de Ginny, que possui uma história particular, mas que não tem sentido com a narrativa principal e parece ter sido colocada apenas para um momento de alívio cômico. Além disso, algumas dessas pequenas tramas não se resolvem, o que deixa as coisas um pouco estranhas no fim.

Se com Roda Gigante o diretor Woody Allen voltará ao patamar de ser um dos maiores nomes de Hollywood, só o tempo irá dizer, mas algo diferente veio de sua cabeça e isso já é de se mostrar interessante. Mesmo assim, esperar regularidade de um diretor que tem sido um tanto irregular, talvez possa ser otimismo demais.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido… e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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