As 10 comédias mais marcantes da década

Entre os diversos gêneros da sétima arte, é inegável que o drama seja aquele que ganha maior prestígio e destaque em termos de legado e história. Uma tremenda injustiça, levando em consideração que o poder e a qualidade de uma obra de ficção independem de seu gênero, mas sim do esmero com o qual aquela história está sendo contada. A comédia, assim como horror, é como uma faca de dois gumes: pode dar muito errado, com esquetes preguiçosas e temas batidos, ou muito certo, com textos perspicazes e performances inesquecíveis. Pensando nisso, preparamos uma lista com as dez comédias mais marcantes da década (de 2010 até 2019). Confira:

Missão Madrinha de Casamento

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Dois anos do lançamento dessa comédia de Paul Feig, Se Beber Não Case arrasava quarteirões trazendo para o holofote a trope do grupo de amigos boca suja que faz muita besteira junto, dando cabo à situações hilárias. Com um time de comediantes invejável liderado por Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne e Melissa McCarthy (a lista é muito grande mas essas três se destacam), o filme sobre uma confeiteira fracassada que tenta se ajustar ao grupo de damas de honra do casamento de sua melhor amiga se destacou não só pelo ótimo timing do elenco, mas principalmente pela narrativa que equilibrava o humor ácido com uma sensível história de amizade.

Dois caras legais

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Escrito e dirigido por Shane Black, responsável por Homem de Ferro 3 e Beijos e Tiros, o filme se passa em Los Angeles, em 1977, seguindo um detetive azarado (Ryan Gosling) e um policial certinho (Russell Crowe) que se unem para investigar o misterioso desaparecimento de uma adolescente. Apesar de uma história mais do que batida e uma fórmula arriscada (afinal, o buddy cop só funciona quando os dois atores tem uma boa química), a comédia neo-noir de Black logo supera as adversidades dos clichês do gênero, compensando tudo com um mistério envolvendo, muito humor negro e uma das melhores atuações de Ryan Gosling, inspirado e energético em uma performance mais merecedora de Oscar do que alguns de seus papéis dramáticos. A pequena Angourie Rice também rouba a cena como a sagaz filha adolescente do detetive.

A Espiã que Sabia de Menos

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Melissa McCarthy foi o grande destaque de Missão Madrinha de Casamento, sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance. Por isso, não é surpresa que sua segunda colaboração com o diretor Paul Feig seja tão (ou até mais) brilhante do que a primeira. Em uma paródia ao filmes clássicos de espionagem, acompanhamos a empregada da CIA Susan Cooper entrar para o trabalho de campo quando seu parceiro Bradley Fine (Jude Law) é morto em uma missão. Com ajuda de sua melhor amiga Nancy, Susan deve impedir que a perigosa Rayna (Rose Byrne) consiga negociar a compra de bombas nucleares com o vendedor de armas Sergio De Luca (Bobby Cannavale). É possível perceber que uma paródia foi bem-sucedida quando a narrativa e seus clichês são tão bem incorporados e usados que ela poderia ser facilmente confundida com um filme do gênero. Além disso, a interação entre Byrne e McCarthy já vale o filme todo.

A Noite do Jogo

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Esta comédia de humor negro escrita e dirigida por John Francis Daley e Jonathan Goldstein talvez seja um dos títulos menos populares da lista, ainda que tenha sido aclamado pela crítica e tido sucesso na bilheteria em geral. O filme segue um grupo de amigos, liderado pelo competitivo casal Max e Annie (Jason Bateman e Rachel McAdams), que se reúne esporadicamente para uma noite de jogos. Quando o irmão mais bonito e bem-sucedido de Max, Brooks, se une ao grupo com uma proposta diferente e inusitada de jogo, uma noite de perseguição, crimes e loucura começa. Uma trama original e inesperada, repleta de reviravoltas hilárias, aliada ao excelente trabalho dos diretores (que trazem um dos planos-sequência mais divertidos já vistos) fazem de A Noite do Jogo uma das melhores e mais inventivas comédias lançadas nos últimos anos.

Quase 18

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Hailee Steinfeld já havia provado ao mundo seu talento bem cedo, sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Bravura Indômita. Alguns filmes duvidosos e uma carreira musical estável depois, Steinfeld ganhava as telas novamente com esta comédia dramática dirigida e escrita por Kelly Fremon Craig. Na história, acompanhamos a solitária Nadine, que tem dificuldade de se ajustar à sua rotina por seus devaneios e constante pessimismo. As coisas ficam ainda piores quando sua única e melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar seu irmão, um dos rapazes mais populares da escola. O roteiro e a direção de Craig são sagazes e sensíveis o suficiente para entender a angústia de Nadine e tirar o humor dela sem diminui-lo, transformando o que seria mais um coming of age em um filme acima da média.

Fora de Série

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Se Jonah Hill deixou sua marca na comédia duas vezes (com Superbad e Anjos da Lei), sua irmã Beanie Feldstein honra seu legado. Estrelado por Feldstein e pela talentosa Kaitlyn Dever, a estreia da atriz Olivia Wilde na direção segue uma noite insana na vida de duas amigas que, após abrirem mão de toda a diversão do ensino médio para conseguirem entrar em boas faculdades, resolvem tirar o atraso na última festa do ano. Com participações pontuais de nomes como Jason Sudeikis, Lisa Kudrow, Maya Rudolph e Billie Lourde (que rouba a cena a cada quinze minutos da projeção), o filme pode não ter tido o sucesso de bilheteria que merecia, mas já deixou sua marca como uma comédia adolescente tão marcante e especial como não se vê desde os anos 1990.

A Mentira

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Quando A Mentira estreou na primavera de 2010, Emma Stone ainda não era a grande estrela que é hoje, apesar de ter feito pequenas (ainda que marcantes) participações em comédias como A Casa das Coelhinhas e Zumbilândia. Mas não foi até que Stone encarnou Olive Penderghast que ela cementou seu nome como uma das maiores estrelas da Hollywood atual. Com carisma de sobra e um timing cômico excelente, essa adaptação moderna de A Letra Escarlate tem seus méritos particulares, como uma edição dinâmica e um bom time de coadjuvantes, mas dificilmente seria tão marcante quanto virou sem sua protagonista.

Anjos da Lei

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Baseado na série dos anos 80 que alçou Johnny Depp ao sucesso, o filme segue dois policiais, com experiências bem diferentes de dinâmica escolar, que são forçados a reviver o ensino médio quando devem trabalhar disfarçados como estudantes para prevenir que uma nova droga se espalhe e para capturar o culpado. Dirigido pela dupla Phil Lord e Chris Miller, a comédia fez muito sucesso com o público e reviveu o interesse da Sony na franquia, que ainda teve um segundo filme e conta com um spin-off em produção. O elenco ainda conta com Ice Cube, Brie Larson e Dave Franco.

Doentes de Amor

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Talvez a comédia mais dramática da lista, a história autobiográfica narra o romance e as desventuras do casal Kumail e Emily. Ele, um aspirante a comediante. Ela, estudante de psicologia. Os dois engatam em um rápido e carinhoso romance, mas as diferenças culturais entre os dois tornam-se cada vez maiores, já que os pais paquistaneses de Kumail querem que ele mantenha a tradição familiar de um casamento arranjado. Tudo muda quando Emily tem uma infecção no pulmão e é obrigado a entrar em coma induzido. Escrito pelo próprio Kumail e sua esposa Emily V. Gordon, a história real do casal é narrada com sensibilidade, humor pontual e performances incríveis de Kumail Nanjiani e Holly Hunter. O longa também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e foi um dos filmes independentes mais lucrativos de 2017.

Scott Pilgrim Contra o Mundo

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Edgar Wright é famoso por sua “trilogia do Cornetto”, contendo três dos filmes de comédia de gênero mais aclamados da atualidade. Com uma direção altamente estilizada, parecia o nome mais apropriado para comandar a adaptação cinematográfica dos quadrinhos Scott Pilgrim contra o Universo, e foi mesmo. A história sobre um músico que precisa enfrentar todos os ex-namorados malvados da garota pela qual se apaixonou, uma aventura recheada de momentos absurdos e coadjuvantes pitorescos, só poderia dar certo em quem mergulhasse de cabeça na loucura do material de origem. Com elenco de primeira, o filme une com maestria referências a quadrinhos, cinema e games em uma narrativa acelerada e hilária.

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