Como os anos 80 influenciaram o Batman, de Tim Burton?

Quando Tim Burton lançou Batman em 1989, o homem morcego não vivia em seus melhores dias na cultura pop. Ainda com uma imagem bastante marcada perante ao público da série com Adam West dos anos 60, na qual era muito mais para o lado da comédia, a lembrança do público era baseada em algo bem menos sombrio. A chegada do filme nos cinemas balançou a estrutura de adaptações dos quadrinhos. Com um orçamento de US$35 milhões, mais de US$400 milhões foram alcançados. A alcunha de protagonista sombrio voltou a valer com potência. Porém, todo esse sucesso na figura icônica do herói não veio de Burton, muito menos da Warner. Ela veio sim dos quadrinhos do personagem nos anos 80.

É importante relatar que a lembrança dos leitores com o Cavaleiro das Trevas também não era a das melhores. Sob a tutela ainda do sucesso da série, muitas das obras lançadas traziam piadas em excesso e um esquecimento do lado investigativo. Mesmo em boa fase na chamada Era de Prata, ele ainda manteve um status meio renegado. Essa configuração começa a mudar a partir do evento Crise nas Infinitas Terras, acontecido entre 1985 e 86. Com essa abertura, a possibilidade de novas tramas, totalmente fechadas em si mesmas.

Frank Miller aproveitou esse gancho e realizou, ainda em 86, O Cavaleiro das Trevas, um dos maiores clássicos do Batman de todos os tempos. Trazendo na história sua volta à ativa após uma aposentadoria, a maneira como Miller lida com a relação da própria cidade perante ao herói foi e ainda é marcante. Já considerada uma das grandes HQs de todos os tempos, a minissérie trouxe uma nova perspectiva a ser levada em conta pelos apaixonados na nona arte.

Miller ainda continuou trazendo uma nova visão ao realizar no ano seguinte Batman: Ano Um. Dessa vez, o objetivo foi quase remontar a origem dessa onda de criminalidade proposta desde sempre no universo do personagem. A reapresentação de alguns velhos conhecidos, como Comissário Gordon, trouxe a geração de uma nova mentalidade a toda cidade. A Piada Mortal continuou nessa onda geracional da cidade, fomentando, dessa vez, mais sobre a vida de Coringa. Alan Moore buscou um lado menos do suspense, trazendo a progressão da loucura presente no vilão.

A consolidação de todas essas novas assimilações se deu em Morte em Família, criada em 1988. Jim Starlin foi o criador dessa saga, acontecida na própria série regular do homem-morcego, tendo resultado na traumática morte do segundo Robin, Jason Todd. O fator pesado nessa narrativa leva até a uma morbidez maior ao saber que a escolha foi feita pelos leitores, em uma votação.

Chegando assim ao findouro ano da década de 80, quando o longa de Burton chegou as telonas. Mesmo trazendo um frescor a audiência não acostumada com os quadrinhos, é imprescindível observar a novidade trazida por essa outra mídia. Talvez sem essas obras, sem esses autores, não seria possível até ter a trilogia de Christopher Nolan e a formação dessa nova figura, totalmente antagônica a anterior. Isso tudo só mostra as diversas facetas de um herói multifacetado por si só. Até porque, é impossível imaginar o Batman sem seus problemas, não é mesmo?

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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