Crítica – O Limite da Traição

Tyler Perry ficou reconhecido pelo seu cinema cômico, sempre com tons do rídiculo para fazer uma espécie de sátira com a própria ideia de família. Essa questão até tenta ser funcional nos longas de sua personagem famosa, Madea, porém, em grande parte dos casos, soam apenas como bobos, em produções que parecem como qualquer outra da comédia chamada ‘besteirol’. Apesar disso, é interessante perceber a forma que Perry, como ator, buscou fugir um pouco desse estigma, fazendo longas de suspense ou até políticos, como Vice e Garota Exemplar. Tentando trazer essa relação a sua direção, ele realiza O Limite da Traição como uma busca de fazer uma espécie de filme de tribunal junto com um thriller. O problema é que trata-se de algo mais vazio ainda que isso.

Na história, Jasmine (Bresha Webb) trabalha em uma clínica de advocacia e é chamada para fazer um acordo no caso de Grace (Crystal Fox), que teria assassinado seu marido. O problema é que a advogada começa a desconfiar de um possível engano da própria culpada e de que o marido não teria sido morto. Para tentar buscar a verdade, ela vai atrás de todas as provas possíveis afim de inocentar sua cliente.

É esquisito como o longa parece totalmente repartido. Em certo instante, boa parte de seu primeiro ato, temos um drama sobre uma mulher buscando espaço no trabalho e tentando se entender com o esposo, Jordan (Matthew Law). Esse, um policial cheio de tormentos já próprios do trabalho, além de sofrer uma intensa pressão em diversas ações. Pois bem, quando Jasmine adentra de vez no caso chave da narrativa, tudo é parado por cerca de 40 minutos para contar a história de Grace até chegar naquele ponto e os possíveis motivos de seu assassinato. A trama, até então relativamente conexa, parece não querer andar para lugar nenhum. Na direção, Perry gosta de perder tempo com os diversos elementos mínimos nessa parte em busca de “dar pistas” sobre o que poderia ter ocorrido.

Dessa maneira, somos jogados para – teoricamente – o ápice dessa discussão dentro do tribunal. A parte que poderia elevar um certo peso, é apenas uma série de clichês em sequência. A conclusão da produção, para um telespectador minimamente atento, parece ser cada vez mais clara, mesmo com o longa querendo se mostrar ainda mais difícil. O drama da protagonista, se é que pode ser chamada assim nessa parte do filme, se dilui em apenas uma intenção. Ela torna-se mais vazia do que previamente apresentada, tendo uma ligação com o caso apenas por um detalhe mínimo.

Para completar toda essa apresentação, Tyler ainda dá espaço a entrada de um plot-twist inteiramente óbvio, além de uma trama envolvendo uma certa relação de dominação dos homens. Apesar de eu propriamente não gostar de uma análise forte do roteiro, visto que isso pode pouco importar dentro do enredo da obra, é inevitável realizar aqui. O maior problema encaixa-se em como entender todas essas ações em conjunto, visto que elas não fazem sentido de estar colocadas uma dentro da outra. Ao final das quase 2 horas, há a tentativa de causar a impressão que estamos em contato com algo muito mais complexo do que realmente é.

Se Tyler Perry buscava fugir do seu meio de comédias sempre rídiculas com O Limite da Traição, ele acabou não conseguindo tanto. Não exatamente por uma questão de gênero ou forma do filme, mas sim por construir uma narrativa similar aos seus longas passados no quesito ridículo. Em um primeiro momento, parece apenas mais algo genérico, porém, com as diversas adições aleatórias e uma desconexão de tramas repetitiva, a tela parece se transformar em uma risada para o telespectador.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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