Crítica – Monos: Entre o Céu e o Inferno

O instinto humnao é um instinto de morte e violência. Essa pode ser uma percepção errada de alguns pontos de vista, como da psicologia e sociologia, contudo faz parte de quem somos perceber o conflito como algo quase padronizado. A base da humanidade está carcada dentro da ideia dos conflitos, de todas as maneiras que forem. É a partir dessa ideia que o longa Monos: Entre o Céu e o Inferno explora as relações de seus personagens. Todos eles vivem na base desse mundo de constante violência, levado a cabo como um grande universo de morte.

A história, todavia, cria quase uma dicotomia dessa “padrão humano”. Isso porque acompanhamos a vida de oito crianças que fazem parte de uma guerrilha. Eles treinam dentro de uma espécie de selva, em um campo bastante distante de uma vida social. Contudo, pouco sabemos para que eles combatem e o que estão lutando contra, apenas entendemos o apreço daqueles jovens por toda essa ideia de conflito a todo instante. Isso começa a mudar quando uma mulher aparece, trazendo eles desse universo quase lúdico, para o meio de uma guerra sem final. Assim, essa infância totalmente construída e violenta, ganha seus contornos mais profundos de realidade.

É curioso como a obra não chega a adentrar de cabeça em um campo político de debate. Parece, a todo tempo, que o diretor e roteirista Alejandro Landes tentava privar sua trama a apenas um conceito, uma ideia pré-concebida de violência. E o quesito positivo para isso é em como a narrativa do filme envereda quase um mundo parte enquanto eles estão treinando, e que é totalmente destruído quando precisam, verdadeiramente, ir para a guerra. Um dos exemplos é quando eles enconstam em armas pela primeira vez, atirando para todos os lados, se beijando, como se aquilo fosse o máximo da animalidade possível. Entretanto, quando estão com as mesmas armas em meio a tiros e em fugas, possuem mais medo de estar podendo se defender.

Apesar disso, Landes verdadeiramente desenvolve bem seus conceitos na primeira parte de Monos: Entre o Céu e o Inferno. Adotando uma montagem que foca menos na relação direta dramática desses personagens, entendemos eles quase como um conjunto igual, uma verdadeira espécie humana, acostumada com a barbárie da violência. O lado corporal é muito importante nesse sentido, visto que existe essa brincadeira com o amadurecimento, pelo fato de serem crianças, e essa chegada para uma fase adulta, a qual precisam se preocupar com coisas sérias, como a guerra. A obra não chega a debate tudo isso diretamente, mas sempre está implícito dentro de cada ação dos protagonistas.

O problema é que em seu terço do meio ao fim, o longa se perde dentro dos próprios elementos. É como se fossem dois filmes em um, literalmente, que estamos vendo. Dentro da primeira metade, há um verdadeiro desenvolvimento dos pensamentos concebidos para aqueles personagens como conjunto. Já na segunda, estamos em contato com seres individuais, sem quase nenhum desenvolvimento, totalmente estranhos ao telespectador. Assim, em nenhum dos momentos de conflito mais puro que os vemos na segunda metade – demarcada claramente por um plano subjetivo na personagem Doutora (Julianne Nicholson) – parece fazer muito sentido.

Dessa forma, dividido em duas parte, Monos: Entre o Céu e o Inferno pode ser entendido de algumas formas. Entre elas está um apreço pela sua metade que verdadeiramente desenvolve os personagens através de uma camada única relacionada a crescimento e violência, como se, ao tornarem-se adultos, esses personagens virassem “vilões” por natureza humana, propriamente. Entretanto, ao adentrar em um novo momento, nos deparamos com quase uma perplexidade dramática que nunca havia sido deixada claro anteriormente. E dentro desses dois filmes em um, eu prefiro que seu início.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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