John Wick 3: Parabellum e a ação ininterrupta

Inúmeras obras cinematográficas dos últimos anos foram influenciadas pela franquia John Wick. A fórmula de sucesso é basicamente simples: cenas de luta quase ininterruptas, com uma coreografia brutal e orgânica. Mais realista, com socos e chutes tendo um peso maior, que consegue ser sentido pelo público. Adicione também muitos tiroteios e algumas das perseguições mais sangrentas já vistas recentemente. Muitos longas de ação vindos depois de seu lançamento tentaram copiar esta receita, dentre eles, os mais relevantes foram a série O Protetor, com Denzel Washington, e Atômica, com Charlize Theron. Este último, inclusive, foi dirigido por Chad Stahelski, que comandou todos os John Wick. Estes replicantes entregaram bons resultados, entretanto, nenhum superou seu influenciador máximo. É neste cenário, sendo referência para o gênero de ação, que chega o novo capítulo da saga, John Wick 3: Parabellum.

A história começa exatamente de onde o seu antecessor terminou. Com John Wick (Keanu Reeves) prestes a ter sua cabeça colocada a prêmio pelo mesmo grupo de assassinos do qual já fez parte. O motivo foi ter quebrado a regra de não cometer assassinatos dentro do hotel Continental, um dos redutos do submundo do crime. Wiston (Ian McShane) é o dono do estabelecimento e possui muita afeição ao herói. Sendo assim, lhe concede uma hora para fugir antes que seja excomungado e uma recompensa de 14 milhões de dólares para quem mata-lo entre em vigor.

A hora passa e o contrato é sancionado. Não há mais lugar seguro e a perseguição é constante. Wick está ferido, sem armas e sem munição. Entretanto, isso não o impede de parar numa sala de antiguidades para consertar o tambor de um revólver antigo, bem a tempo de dar um headshot num de seus perseguidores que acabara de alcançá-lo. Fica bem evidenciado que o roteiro da produção foi escrito com o objetivo criar ótimas oportunidades de ação. A cena no museu de armas tem uma briga de lâminas muito dinâmica e incomum, influenciada por filmes como O Tigre e o Dragão.

John é um caubói moderno, o típico pistoleiro de poucas palavras. As referências ao Western se intensificam nessa nova aventura. Ele anda (e luta) a cavalo por Nova Iorque, passando no meio do trânsito dos carros enquanto escapa de criminosos motoqueiros.

Um dos pontos legais desse terceiro capítulo é sabermos mais sobre o passado do protagonista. Ao encontrar uma velha conhecida, acaba-se revelando um pouco mais de onde ele veio, assim como algumas sugestões de onde aprendeu parte do treinamento na qual o tornou um exímio assassino. Mas tudo na medida certa. Informação demais estragaria o mito do personagem, algo bastante comum em Hollywood.

Após escapar da cidade, o personagem principal procura Sofia (Halle Berry), uma assassina a quem recorre para ajudá-lo. A atriz faz apenas uma participação especial, mas a química dela com Keanu Reeves é boa. Ela é dona de dois cachorros que sempre a acompanham, principalmente nas matanças. São uns dos pontos altos da exibição. Eles correm, saltam e mordem até matar. Entre muitos tiros e golpes trocados, os cães estão juntos no meio e tudo ocorre de forma natural. Afinal de contas, John Wick é uma franquia sobre cães, portanto, nada mais justo que eles agora participem nas lutas.

Quando a sociedade dos assassinos – denominada de Alta Cúpula – se cansa de esperar pelo cumprimento do contrato milionário pela morte de Wick, eles recorrem aos matadores mais mortais da história, os ninjas. Zero (Mark Dacascos) é o líder desses guerreiros orientais encarregado da tarefa. Ele é o nemesis de John e os dois são mestres da morte. Trazer Dacascos para o elenco foi outra decisão acertada. Ele ainda está em forma e foi um dos grandes nomes do cinema brucutu dos anos 80 e 90. Uma homenagem bonita, sobretudo levando em consideração que a saga resgatou e revitalizou esse gênero nos dias atuais, acrescentando uma estética contemporânea e neon.

A adição de ninjas em Parabellum foi um grande acerto. Eles são implacáveis e caçam o protagonista portando katanas e kodachis. A luta de moto na ponte é uma obra de arte. Cria-se um potencial de ação sem precedentes.

O filme é muito violento, com direito a faca no olho e até deslocamento de mandíbula usando um livro. Tudo vira uma arma na mão do Baba Yaga, até mesmo um simples cinto. Ele é um improvisador marcial.

A direção de Stalheski é competente, com uma montagem de cenas dinâmicas aonde não permite que a película se torne enfadonha. A fotografia é bonita e consegue realçar os combates, com as luzes de neon já tão características da série. A trilha sonora é sincronizada com os confrontos trazendo uma boa batida, mas também com algumas adições de música clássicas.

John Wick 3: Parabellum não encerra o arco do personagem. É o fim de um ciclo e o início de outro. A fórmula não dá sinais de cansaço, muito pelo contrário. Se renova e se expande, abrindo um leque de possibilidades. John Wick é o melhor no que faz, ainda que o que faça de melhor não seja nada agradável. Se o Bicho Papão já consegue provocar o estrago que faz sendo calmo, imaginem agora que ficou furioso.

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