A Mão Esquerda da Escuridão faz 50 anos e é relançado pela Aleph

Ursula K. Le Guin veio a falecer no início de 2018, com 88 anos de idade. Foi um choque para muitos, especialmente aos fãs de ficção-científica e fantasia. A escritora, sempre marcada pelos seus trabalhos em torno de debate sobre política, filosofia, sexualidade, antropologia e mais, deixada para trás uma vasta obra de extremo renome e sucesso. Um dos seus maiores livors em termos de necessários para debates humanos foi A Mão Esquerda da Escuridão, na qual completa 50 anos agora em 2019. Ela foi responsável por quebrar diversos paradigmas dentro da ficção fantástica, buscando debater muito mais profundamente nossa sociedade.

Contudo, essa inspiração foi iniciada bem antes. O pai de Ursula, Alfred Louis Kroeber, foi um famoso antropólogo do início do século XX, tendo estudado até com o renomado autor Franz Boas. Le Guin, então, tinha em casa uma forte influência sobre um pensamento mais diferenciado em torno de diversas questões, especialmente no contato com o outro. Junto com outro grande estudo dela, o taoísmo e as religiões, começou alguns primeiros pensamentos em torno desse texto especificamente. Alguns dos estudiosos de suas obras falam bastante sobre o embate entre luz e trevas, um dos pontos principais do taoísmo.

Pois bem, o tempo passou e Ursula começou a pensar mais sobre esse livro em questão. Com todo apronfudamento de estudos sobre as diferenças culturais e as maneiras diversas na qual as sociedades viam a mulher, ela começou a achar pertinente esse deabte. Nisso, começou a estudar mais e seguir o feminismo, além de possuir uma consciência ecológica deveras impressionante para o período. Esses elementos só juntaram a ficção-científica, na qual ela chamava de ser uma fuga da realidade, mas – mais especificamente – um “experimento mental” por parte dos autores, em busca de olhar mais sobre o mundo de fora. Assim, surgiu A Mão Esquerda da Escuridão.

A nova edição comemorativa da editora Aleph.

Na história do livro temos o mundo de Hainish. Os seres humanos nesse espaço não evoluíram na Terra, mas nesse planeta e acabaram realizando diversos experimentos na própria Terra e em Gethen, por exemplo. Para seguir a trama, estamos com o personagem Genly Ai, na qual vai para Gethen convidar o lugar para ser parte de um sistema de coalização entre humanos de diversos planetas, chamado de Ekumen. Lá ele acaba encontrando uma grande problemática política ocorrendo entre o reinado e os povos locais. Porém, acima de tudo, ele se vê em um outro ambiente, em que não existe uma definição de gênero única, sendo modificável do masculino para o feminino os orgãos genitais.

Em comemoração a esse aniversário de 50 anos do livro, a editora Aleph irá lançar uma nova versão especial. Eles já haviam sido responsáveis por publicações anteriores da obra. Nessa, haverá uma capa dura especial com uma arte de Marcela Cantuária, além de um prefácio de Neil Gaiman. O preço de capa está a R$64,90 e pode ser adquirida aqui. O lançamento foi feito no último dia 10 de agosto.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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