Conheça: Foli Griô Orquestra e a importância dos ritmos brasileiros

Carregada de diferentes gêneros musicais e instrumentos diversificados a Foli Griô Orquestra é um dos grandes grupos da atualidade. Ela é composta por Ciça Salles (Cantora e Trombonista), João Carstens (Tecladista e Produtor), Pedro Amparo (Percussionista), Vitor Monteiro (Guitarrista, Violonista e Compositor), Pedro Sucupira (Saxofonista), Gregório Carnevale (Baterista), Pedro Moragas (Guitarrista), Laura de Castro (Voz e Percussão), Thiago García (Trompetista) e Eduardo Rezende (Diretor Musical e Saxofonista).

Em entrevista para o Senta Ai, eles sobre suas raízes, paixões, identidades e até dicas para novos grupos de selo independente que estão começando mundo a fora. Deu para notar que juntos eles trazem grande diversidade para a nova composição da música brasileira. Não é menos que nesta quinta-feira (dia 14) concorrem ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras. A banda, inclusive, convida a todos para participarem da cerimônia com um show ao vivo no Hotel Selina na Lapa, as 18h, os ingressos (apenas R$ 10) estão disponíveis no link a seguir: Ingressos Sympla AXÉ pro Grammy.

Durante a entrevista, Dudu e João nos mostram a importância e forte presença de Fela Kuti, multi-instrumentista do Afrobeat Nigeriano dos anos 50 e o estudo e cuidado que a banda teve para representar a figura do artista em suas reverberações dentro da música brasileira. Usado como objeto de estudo, o grupo era parte de uma matéria de faculdade com objetivo, além de educar, apresentar a linguagem do Afrobeat. Acabaram virando isso tudo hoje.

Foto por Maria Clara Torres/Senta Aí

Após um tempo, a Foli sentiu que era hora de expandir o projeto incluindo ritmos brasileiros em sua discografia, do Bumba meu boi ao Maracatu, do Jongo ao  Funk 150 BPM popular no Rio. Saindo do, até então e unicamente, instrumental, adquiriu letras politicas e religiosas. Tiveram incentivos e participações de grandes mestres e músicos no primeiro disco, AJO, que carrega consigo uma característica forte dos componentes (a palavra significa união).

Além desse primeiro CD, o próprio Foli tem um significado potente e energizante, Foli (Ritmo) é dito como um ritmo presente no dia a dia, muitas vezes inconsciente que nos faz querer seguir os passos de alguém próximo, algo que é compreendido e retornado pelo público e fãs. Durante o show, por exemplo, percebi que a cada som, batida, palavra, iluminação, todos do local se uniram e mexiam seus corpos em um ritmo tão único, tão original e natural e, ao mesmo tempo, uma mesclagem de todos os sentimentos e energias positivas. Dudu acentua sempre a importância do estudo e compreensão junto a grandes mestres como Cacau Amaral do Bumba Meu Boi no Maranhão, Vini Max, Alexandre Garnizé, Cebolinha do Passinho, Lenine e outras fortes personalidades. A banda nos mostra a música como arma, algo potente capaz de alcançar não apenas shows e festivais, mas também algo para ser pensado e repensado perante nossas vivências cotidianas e politicas.

Ciça relembra qual a verdade que cada artista passa, não existindo algo mais especial ou grandioso que outro, e sim a importância do som criado. Esse necessitar ser  a essência do autor da arte, repassar algo singular e peculiar do criador, podendo assim atingir um futuro grupo de pessoas que se identificam com aquilo, que lhes é passado, formando uma conexão, uma ponte, entre artista e público.

É sempre bom rememorar que, mesmo na existência da então denominada “crise de identidade” dentro de grandes metrópoles, tudo se encaixa, temos misturas de roupas, estilos, comidas, sotaques, cores, ritmos, pessoas. É uma verdadeira babilônia que nos traz tamanha diversidade e informação em tão pouco tempo. Tudo é nosso e ao mesmo tempo nada é. Essas palavras de Eduardo, caracterizam bem a cidade do Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York e outros lugares mundo a fora. Essa forma de cultura globalizada, na qual permite com que nos identifique de imediato com algo ou nos fundir e criar diferentes ligações, faz nos memorar o grande privilégio ao acesso nessa enorme variedade de conteúdo.

A Foli, junto a suas letras e sonoridade, traz a “verdade” de cada mestre, cada participante, cada fã, cada detalhe que os compõe junto consigo. Traz, ao fim, esse poder de multiplicar seu trabalho e potencializar seus fundamentos através de interpretações singulares e excêntricas da banda.

Intuição foi a palavra usada por Ciça para grupos e artistas independentes que estão começando agora na carreira esentem-se perdidos diante a tanta informação. Já Laura lembra e leva a música como trabalho. Ela traz, em suas palavras, a necessidade de rever a importância dos músicos, que muitas vezes são mal julgados, ainda mais em tempos atuais de extensa repreensão a arte. A cantora ressalta que “devemos entender a música como ofício, até por que é material e objeto de estudo e trabalho, forma de sustento de muitos brasileiros, não é apenas uma forma de entretenimento. Construir algo capaz de unir pessoas não apenas por diversão, mas construir um conjunto onde possam contribuir com seus entendimentos seja de cinegrafia, costura ou produção, relembrando que além da união da Foli, existem outras conexões a serem feitas.”

Você pode acompanhar a entrevista completa por aqui. A edição e Matheus Masulo:

Ao público paulista, a Foli Griô se apresenta em São Paulo no dia 21 de Novembro as 21H no Mundo Pensante, os ingressos já estão disponíveis aqui.

Data: 21/11/2019 (quinta-feira)

Horário: 21h

Local: Mundo Pensante

Endereço: Rua Treze de Maio, 830 – Bela Vista

Ingresso: R$15,00

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