Crítica – Space Dumplins (HQ)

Em 2003, Craig Thompson despontava como um dos novos grandes nomes do mundo dos quadrinhos naquela década. Ao realizar a HQ de romance Retalhos, criticada por alguns e amada por muitos outros, ele lançou quase uma tendência na produção que visam uma visceralidade e realismo no mundo dos quadrinhos. Isso já ocorria em um contexto de uma camada mais social, especialmente no trabalho de Will Eisner, porém acabou sendo desenvolvido de uma forma para um sentido mais urbano. Anos tempos, o autor realizou Habibi, que sai do realismo para um narrativa sobre amor voltada a quase uma fantasia. Sequência desse trabalho, Space Dumplins parece buscar os paralelos fantásticos, entretanto engatado para o mundo juvenil.

A obra vai acompanhar a vida da jovem Violeta Marlocke, a qual tem a família como a coisa mais importante para sua volta. Ela acaba ficando ainda mais próxima de tempo dos pais devido a sua escola ser explodida (as camadas quase surreais e cômicas começam já na sinopse). O problema começa acontecer quando seu pai, que possui certas relações com o contrabando, some depois de um serviço. Ela, que estava junto de sua mãe, descobre que o universo todo corre perigo por causa de golfinhos intergaláxicos. E, assim, ela vai buscar ajudar seu pai e todos os planetas.

O autor sai de sua camada muita vezes filosófica para adentrar em uma história visualmente e narrativamente infantil. Entretanto, é interessante como as camadas de debates continuam ali, quase como uma produção de animação. E a animação vive dentro de cada uma das páginas da obra, que possui um tom meio sarcástico, meio cartunesco. A comédia bem direta nunca parece tão boba, algo que chega até a rememorar produções como Divertida Mente. Entretanto, é nos pequenos detalhes que a HQ vai ganhando espaço para seus debates, sem esquecer a complexidade de detalhar sobre o universo.

Assim, a discussão trabalhada como prioritária dentro do quadrinho é a questão da proteção ao meio ambiente. Ela aparece como um enfoque de grande embate das gerações. Enquanto a mãe e o pai de Violeta estão preocupados na proteção familiar, ela prefere salvar todo o meio ambiente, o que destacaria como principal a proteção para as baleias que estão sendo atacadas e, consequentemente, a salvação das espécies. A representação fica ainda mais clara quando as espécies de seus companheiros são atacadas diretamente pela situação. Além disso, o fato do pai também estar envolvido torna-se quase um conflito moral para a protagonista. Entretanto, para ela é mais importante uma espécie de harmonia das populações.

Dessa forma, Space Dumplins é muito mais uma aventura espacial do que realmente possui pretensões maiores. Aliás, a pretensão por si só é a fluídez narrativa de não possuir nenhum momento de respiro. O conflito geracional causado pelas prioridades de vida gera uma certa complexificcação, todavia é intrigante como, em nenhum instante, Craig Thompson está realmente esperando se aprofundar nessa questão. É quase uma relação que está resolvida nas coisas que a própria HQ irá mostrar. Para muitos, pode ser um certo deslize. Entretanto, soa ainda mais como uma grande aventura pelo espaço.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *