Japão é o homenageado na XIX Bienal Internacional do Livro

De cada dois em dois anos temos uma nova edição da Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. Em cada nova edição acontecida, algum país da vez é homenageado, abordando sua cultura e história. Existem relações na qual buscam falar mais sobre a produção literária e cultural contemporânea do país e outras que tentam ir em torno de uma visão temporal e de importância. Bom, o país homenageado esse ano, na XIX Bienal Internacional do Livro, foi o Japão, com sua vasta e diferenciada estilística de abordar a escrita.

Para celebrar isso um estande especial sobre o Japão foi montado no evento, durante todos os dias. Além disso, algumas palestras de temáticas variadas e relevantes deram suas vozes. Uma delas foi mais para uma masterclass, contando sobre a construção da cultura oriental do país através dos mangás. Quem falou sobre isso foi a mangaká Reiko Okano, no espaço Café Literário.

A outra – talvez a mais curiosa e até relevante – foi entre Makoto Tezuka (filho do clássico mangaká Osamu Tezuka) e Maurício de Sousa no painel chamado “Conexão Brasil – Japão, através do incrível universo dos quadrinhos”. Nessa mesa, mediada pelo atual editor da Graphic MSP, Sidney Gusman, foram lançadas ainda mais ideias sobre um lançamento conjunto de publicações anteriores de Tezuka para o selo de Maurício. Ainda não são sabidos muitos detalhes, contudo essa visita de Makoto pode significar abertura ainda maior dos laços comerciais e editoriais.

Osamu Tezuka e Maurício de Sousa durante os anos 80, na viagem de Osamu ao Brasil.

Por fim, a mesa “A Beleza Que Vem do Japão” comentou um pouco sobre os diversos e destacados aspectos culturais na qual trazem a beleza para o país nipônico. O debate – acompanhado pelo Senta Aí – contou com os autores Lúcia Hiratsuka e André Kondo, além do representante da editora Estação Liberdade, Angel Bojadsen. A mediação ficou por parte de Sônia Luyten, estudiosa sobre a cultura pop do Japão.

Para falar sobre o tema, os presentes comentaram sobre a sua visão específica da beleza do lugar. Para André a questão da imigração de sua família e esse seu passado familiar são fundamentais para entender a beleza do país. Ele até comenta que buscava ser muito mais brasileiro, não querendo possuir nenhuma conexão com o Japão. Isso acabou mudando com o tempo. “Eu só aprendi realmente essa questão da beleza do Japão foi quando olhei para os meus pais de outras forma”, comenta o mesmo.

Já Lúcia olha bastante esse assunto para um sentido da delicadeza através do uso dos desenhos. Sendo especialista em desenhos e histórias para o público infantil, ela mostrou diversas técnicas possíveis da utilização. Por exemplo, uma das faladas por ela é o ‘sumiê’, a repetição da realização da arte para aprender realmente a técnica. Enquanto isso, o ‘haika’ busca a ocupação dos espaços especialmente nessa relação com a criança. Hiratsuka ainda comentou sobre que, a estadia dela no Japão a fez perceber ainda mais como brasileira e a valoriar suas raízes, por mais diversas que possam ser.

Angel, até por não ter essa origem japonesa familiar, revela ter se apaixonado por todo o país com o tempo. O mesmo – na qual ainda convidou para visitar o estande sobre o lugar na Bienal – contou que “a beleza, para mim, no Japão aquela comum, das árvores e mais. Para mim, o que mais mexe comigo, são as outras coisas, a cidade e tudo mais”. Ele ainda complementou a vida no país, e a vivência quando ele foi até lá. “Eu só queria me perder no Japão, pelas ruas de Tóquio, buscando todas coisas e só vivendo o lugar”.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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