A confiança incandescente de Lana Del Rey em Norman Fucking Rockwell

O novo álbum de Lana Del Rey, lançado na última sexta-feira de agosto (30), deu o que falar nas redes sociais. O título desse recente trabalho e uma das músicas havia sido divulgado em 2018, durante uma entrevista por intermédio do radialista Zane Lowe, da rádio Beats 1. Parecia que algo interessante e novo por parte da artista estava tomando forma, contudo só saberíamos isso tempo demais.

Norman Fucking Rockwell, produzido por Jack Antonoff, está sendo um sucesso. Foi resenhado pelo site norte-americano Pitchfork e ganhou nota 9.4, uma das mais altas de todos os tempos e a maior para uma artista feminina na década. Lana agradeceu seus fãs pelo Instagram com a seguinte mensagem: “Oi gente! Tem sido uma semana bem interessante pra mim, falando com rádios e revistas que nunca tinha falado antes. E eu mal posso dizer o quão feliz me fez que as pessoas notaram a generosidade de espírito e a curiosidade nas minhas letras. Pra isso eu quero dizer obrigada, foi uma semana legal de entrevistas”, disse.

A estética dos clipes que estão por vir chamam atenção pelas histórias e filtros dos anos 60. Esse conceito já foi elaborado e feito outras vezes pela artista, seguindo modelos entre o esquisito e o diferente.

No dia 17 de maio de 2019, Del Rey lançou um cover da canção “Doin’ Time”, da banda norte-americana Sublime, para a promoção do documentário do grupo, servindo, ainda, como quarto single do álbum.  A artista anunciou duas primeiras etapas da turnê de promoção do álbum, a primeira no Outono de 2019 na América do Norte e a segunda da Europa em 2020.

As faixas musicais são um grande aventura emocional alternando entre frustração e fascínio, mostrando a evolução da cantora em busca, e indo diretamente ao encontro, da felicidade. Como uma montanha russa, Lana nos leva ao romance e grande sonho californiano – exemplo das músicas “California” e “The Next Best American Record” – e em questão de segundos nos traz de volta a sua melancolia em “Cinnamon Girl” e “Venice Bitch”. A combinação dos arranjos com a voz da artista causam arrepio, nos convidando a fechar os olhos e desfrutar dos sons do piano e violão que acompanham a cantora. Novamente, essa é uma apresentação na qual brinca e retrata as temáticas cíclicas de sua carreira.

Capa do álbum.

A cantora desenvolveu um estilo musical próprio e em seu novo disco retrata a Califórnia dos anos 60, buscando todos os elementos de ídolos do rock, além da construção do sonho americano naquele período. Lana retrata a década passada nos tempos atuais, buscando semelhanças em uma obra majestosa e luxuosa, diferente das obras passadas, apostando não apenas na recorrente melancolia. A questão é que, sim, ainda há tristeza em suas composições, mas não como algo ruim e sim complementar para a obra. Ela se liberta e nos mostra como é difícil se manter vivo em um mundo milenar com tantas informações e motivos rotineiros como desejar uma vida Hollywoodiana.

Lana Del Rey fala também sobre amor e sexo em “Venice Bitch”, onde nos conta sobre o mundo da fama e o desejo carnal, conseguindo transformar sua letra excitante com uma sonoridade serena em algo romântico e delicioso. Já  em “How to Dissapear” a batida é acolhedora ao mesmo tempo que sua letra é trágica e sombria.

A artista nos trouxe um antiga Lana e colocou de uma forma mais moderna, com músicas mais profundas. É um CD na qual pode ficar bastante marcado em toda sua discrografia, especialmente por esses elementos diferenciais e bem únicos para a consolidação de uma alma própria. Se haviam dúvidas da grande força e poder musical propostos pela jovem cantora, aqui isso vai para o ar com uma apresentação sólida e diferencial. A vontade é gritar a todo momento: Norman Fucking Rockwell.

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