Jessica Jones e a volta de Brian Michael Bendis

No início dos anos 2000, o roteirista Brian Michael Bendis (que hoje escreve a nova fase do Superman para a DC Comics) iniciou, junto com o desenhista Michael Gaydos, a fase mais famosa da personagem Jessica Jones: ALIAS. Foi nessa série, que durou até 2004 e contou com 28 edições, que a protagonista foi remodelada e transformada no que é reconhecida hoje: com seu lado investigativo bastante apurado, algo que virou uma constante nas tramas dessa época. Não é de se espantar que a inspiração para o seriado da Netflix de Jones veio tanto dessa HQ.

Passado alguns anos, mais precisamente em 2016, a dupla criativa retornou para a, agora famosa, heroína. Era o momento ideal de retornar a grandes histórias para Jessica, que adentrou de vez no mundo mainstream. E foi isso que eles fizeram…

“Afastada”, o primeiro volume dessa nova fase, leva toda a energia presente nela desde a primeira página. A narrativa joga o leitor em meio a um universo em que muitas coisas aconteceram. Desde filho e prisão à novas amizades, a vida da personagem principal parece ter virado ao avesso do que era conhecido. E aí que entra a genialidade de escrita presente em Bendis.

Com seus diálogos realistas e ácidos, ele consegue implementar uma carga dramática até bem pesada para o quadrinho, algo talvez até um pouco inesperado. Além disso, a violência não é poupada, já que as consequências são reais e o medo de algo poder acontecer com qualquer personagem ali gera uma tensão crescente a cada página.

Entretanto, o maior problema se encontra também nesses diálogos que Brian tenta trazer nessa história da Marvel. Parece que existe quase uma necessidade de enrolar as tramas para que demorem mais para ter sua resolução. Além disso, não se pode esquecer da grande “vilã” aqui, que não gera perigo, mesmo que crie uma ameaça com o público, chegando até a temer, como disse acima. O diferencial fica mesmo na relação entre os personagens, principalmente no relacionamento quase destrutivo entre Jessica e Luke Cage.

Entre outas discussões levantadas, uma das mais importantes é sobre o papel da mídia nesse mundo com super-heróis. Inclusive, já entrando na arte de Gaydos, a narrativa gráfica leva a uma certa comicidade ao mostrar outros famosos heróis aparecendo no funo de planos e tendo uma importância, mesmo que indireta, na continuidade dos acontecimentos. Isso é feito de maneira magistral por Michael, já que é injetada uma realidade onírica, mesmo que seja verdadeira.

Jessica Jones – Afastada é uma grande introdução para uma protagonista que parecia meio esquecida dentro da Casa das Ideias. É um reinício?  Sim, mas também um começo necessário para quem começou a ser procurada pro novos leitores por causa da série de TV. Parecia não ser tão complicado assim de isso acontecer, já que é quase uma trama reciclada, porém foi preciso a volta dos nomes que sabiam fazer isso.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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