Lollapalooza Brasil 2019: Dia 1 #LolladeCasa

*Texto escrito por Cláudio Gabriel e Pedro Barreto.

Esse ano, mais uma vez, o Senta Aí acabou não indo a mais nova edição do Lollapalooza Brasil. Sendo assim, resolvemos fazer uma maneira diferente de cobrir esse evento amado por tantos e renegado por tantos outros. Fizemos uma cobertura interativa e em tempo real nas nossas redes sociais (Twitter e Instagram), além desses textos opinativos dos principais shows diariamente.

Confira abaixo nossas impressões sobre esse primeiro dia:

– Portugal. The Man

Voltando ao palco do Lollapalooza Brasil após 5 anos de ausência, a banda se mostrou extremamente empolgada e em uma catarse forte com o públicos. Canções como “Number One”, “Modern Jesus”, “Holy Roller” e, o encerramento, “Feel it Still” se transformaram em muito marcantes pela cantoria conjunta dos integrantes e dos fãs presentes. Aliás, fãs esses que lotaram o Palco Onix, mostrando a força possuída pelo grupo em território nacional. Pareceu claramente ter sido um adeus breve agora dos “portugueses”.

Apesar disso tudo, talvez o mais marcante da apresentação tenha sido os protestos políticos, presentes desde os primeiros instantes de abertura. Antes mesmo do Portugal. The Man entrar, foi chamado um grupo de indígenas ao palco, que discursou sobre a complexa demarcação de terras sendo imposta pelos últimos governos. O protesto já foi suficiente para gritos e xingamentos ao atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Na continuidade, diversas mensagens no fundo do palco reforçaram ainda mais as questões defendidas pelo grupo, como a pauta LGBT, descriminalização da maconha e o próprio debate sobre política.

Divulgando seu mais recente álbum, Woodstock, de 2017, o grupo pareceu extremamente confiante em palco, despojando de um estilo meio emo e meio indie. Isso só demonstra ainda mais sobre toda a forma proposta pela banda, em uma mistura um tanto quanto diferente entre rock, psicodélico, hip-hop e experimental. Portugal. The Man parece ter dado as credenciais como uma dos shows do Lolla desse ano.

– Troye Sivan

Troye é energético e calmo ao mesmo tempo. Com carisma, ele anima o público do festival de forma que podemos sentir essa energia até de casa. Sivan é um artista que precisou de pouco para cativar, com um ótimo vocal e uma banda, que garantiu adaptar as músicas do cantor para shows de forma excepcional, mantendo o show vivo. A presença é surreal, o garoto não para no palco e quando para é certo que vai emocionar.

O público respondeu muito bem em todos os momentos. Todas do Blue Neighbourhood foram um destaque, com todos cantando e em “Wild” conseguíamos ver a plateia indo a loucura. Essa interação durou muito tempo, ainda mais se levarmos em conta os discursos do cantor, eme que falou sobre ser LGBT e sobre o quanto se surpreendeu com o público brasileiro.

O show foi demais. Particularmente, estava com muitas expectativas e elas foram ultrapassadas.

– The 1975

O grupo demorou bastante a engatar no palco, algo que chamou bastante atenção no público presente, na expectativa de ver algo mais marcante do The 1975.  Toda a abertura com “Give Yourself to Try” foi marcante e até atraiu a atenção, mas ficou por ai no início. O lado mais morno tomou conta da performance, algo ainda mais apresentável pela reação um pouco cansada da audiência.

Se algo pode ser destacado no meio disso tudo são as canções mais lentas, trazendo uma energia mais intensa e correlações interessantes com os presentes. “Robbers” e “I Always Wanna Die (Sometimes)”, na qual sintonizaram uma certa energia necessária apenas pelo próprio estilo da banda. Era algo até necessário com a chega dos instantes mais finais da apresentação. Dessa forma “Chocolate”, “The Sound” e “Sex” acabaram em uma levada mais para cima, trazendo uma certa felicidade do público. Poderia e deveria ter sido bem mais, porém, ao fim, o The 1975 pelo menos conseguiu trazer algo de positivo.

– Tribalistas

Seria uma tarefa realmente complicada ter a força de um headliner sendo uma banda brasileira, algo já julgado pelo público frequentador do Festival por si e também por diversas pessoas afora. Isso se transformou em algo ainda mais poderoso por se tratar dos Tribalistas, grupo que traz uma base formada entre a música da Tropicália e o MPB. O desafio foi cumprido poderosamente em um show extremamente potente, apesar da complexidade, feito pela banda, trazendo diversos hits de sucesso do início dos anos 2000.

Trazendo os maiores destaques, é impossível não citar as mais famosas, que marcaram de forma incrível todo o concerto. “Carnavália”, “Um a Um”, “Velha Infância”, “Infinito Particular”, “Amor I Love You”, “Depois”, “Passe em Casa” e “Já Sei Namorar” trouxeram o público a momentos de extrema êxtase, com gritos absurdos e muita participação. Carlinhos Brown, inclusive, aproveitou os instantes para poder trazer energias extras e realizando novas formas de aumentar essa conexão.

Apesar de um certo tempo em baixa (principalmente no meio da apresentação), os Tribalistas realizaram com louvor um show muito mais focado no lado instrumental e em realmente apresentar conteúdo do que buscar uma interação maior. Se a platéia esperava ver um grupo fugindo de seu estilo bastante clássico no visual e conteúdo, acabou se decepcionando. Eles vieram com uma resposta a tudo, mostrando sua própria maneira de apresentar a arte. E, talvez, essa seja um dos melhores elogios a se fazer.

– St. Vincent

Luzes, o visualmente extravagante e muito (MUITO) talento é o que marca o show de St Vincent. Ela segurou o palco completamente sozinha, sem banda, apenas sua voz, talento e a característica guitarra. Apesar de pouca interação direta com o publico, a conexão era grande, com o todos a acompanhando. A estranheza misturada com exageros fez ser um show de destaque no inicio de noite no Lolla. A guitarra da cantora é um elemento essencial que marca ainda mais seu talento.

– Sam Smith

Não podemos dizer que as músicas do Sam Smith são as mais animadas do mundo, mas podemos afirmar, com certeza, que apesar disso ele sabe manter todas as atenções para si mesmo em um festival onde nem todo mundo está ali para vê-lo. A abertura, com a recente parceria “Dancing With a Stranger”, foi uma ótima ideia, levando o público a loucura e botando o clima lá em cima. Mas não durou muito, pois ele logo embalou suas famosas baladas.

O público o acompanha com paixão, sentindo cada palavra de suas melancolias. Em nenhum momento os fás ficaram dispersos, nas maiores como “I’m Not The Only One” e “Stay With Me” tinha um coro de todos os presentes, mas em menos conhecidas, como “HIM” ou “Restart”, o coro continuava lá! Ele sabe posicionar esses hits numa setlist onde, mesmo que toque musicas menos conhecidas, o show não esfria.

O veterano é poderoso no palco de todas as maneiras possíveis e entrega um show emocionante e animado. A despedida ao som de ‘Sam, eu te amo!’ resume tudo. Incrível!

– Arctic Monkeys

Não é novidade alguma que o Arctic Monkeys – apesar de ser uma das bandas mais amadas no rock – possui uma certa questão relevante em não saber tão bem se relacionar com seu público. No Lollapalooza de 2019 não foi nada diferente. A volta do grupo, depois de ter participação do festival no Brasil em 2012, mostrava um caminho um tanto quanto diferente a ser percorrido. A má recepção do álbum Tranquility Base, Hotel and Casino se mostrou uma problemática a acontecer nas apresentações ao vivo.

Bom, Alex Turner e companhia se mostraram alheios a isso durante a apresentação, tocando sem medo canções desse disco novo, apesar de não ter sido o destaque principal. Esse foi para os grandes hits e sucessos do AM, na qual fizeram o público a loucura, com destaques para a abertura, com “Do I Wanna Know?”, e o encerramento, com “R U Mine?”. No meio do caminho, a ideia de tentar explorar um pouco de tudo até funcionou bastante para atrair os fãs mais antigos e também salientar trabalhos anteriores para os mais novos. Todavia, o ritmo mais lento da voz de Alex e da performance da banda pareciam querer deixar tudo em um mesmo nível rítimo de Tranquility. E, por incrível que pareça, funcionou.

Dentro de outros destaques estão “Library Pictures” e “Pretty Visitors”, ambos do Humbug, que trouxeram uma certa energia meio nostalgica a banda. São faixas pouco cantadas nos últimos tempos e voltando com destaque desde o início da tour no último ano.

Apesar de não ser perfeito, é impressionante a funcionalidade de forma e estilo proposta pelo Arctic Monkeys, aonde se mostra extremamente sereno e quase formal dentro dos shows. Se poderia buscar a apreciação do público o tempo inteiro, a banda prefere fazer isso acontecer quase de maneira natural, apenas pela simples boa performance. E eles entregaram isso com louvor.

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