O primeiro de muitos

Fazem 20 anos que o Brasil não disputa no Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Essa idade pesa bastante dentro do cinema nacional, na qual vive um de seus grandes momentos, e ainda eleva mais perante a uma ideia de que todo filme nacional é ruim. Porém, imagina se nosso país nunca nem tivesse disputado essa categoria. Pior ainda, se nunca nem tivesse hvido enviado um representante oficial. Bom, esses eram os casos de Gana, Nigéria e Uzbequistão. Digo eram porque, nesse ano, pela primeira vez, os três países terão concorrentes na categoria.

Essa, agora rebatizada de Melhor Filme Internacional, tem ganhado destaques cada vez mais diversificados com o tempo. Por exemplo, quando forem falados os indicados de 2020, é bem provável que vejamos Parasita entre eles. A obra, vencedora do Festival de Cannes em 2019, seria a primeira produção sul-coreana a aparecer em uma edição do Oscar. Além disso, o cinema africano tem ganhado ênfase. Até o Japão, vencedor em seu período auge, começou a voltar a ter voz, chegando a vencer o prêmio nesse ano.

Cena de Lionheart.

Bom, dos três países debutantes, dois deles são do continente africano. O mais comentado é, claramente, Lionheart, da nigeriana Genevieve Nnaji. Isso porque é um longa distribuido mundialmente pela Netflix, algo na qual deu um maior destaque recente. Se irá realmente reverter-se em uma indicação ou até proximidade, é difícil dizer pelo concorridíssimo ano. Todavia, a aparição é uma interessante demonstração de novidades para a produção local, ainda mais por um canal de streaming se atentar em colaborar. Aliás, o cinema nesse continente tem tido vozes femininas cada vez mais potentes na direção, como no recente caso de Rafiki, do Quênia.

Nós tentamos conversar com a diretora, mas não recebemos nenhum retorno do contato.

Em relação ao outro, estamos falando de Azali, comandado pelo diretor de Gana, Kwabena Gyansah. Segundo ele “todos estão muito empolgados” com a escolha do território para a obra deles. Gyansah ainda revelou que “é um momento histórico para nós, cineastas ganenses”.

“O cinema africano está progredindo, lentamente, mas com firmeza; portanto, qualquer reconhecimento que obtivermos ou pudermos obter ao longo do caminho deve ser apreciado e reconhecido”, continua o cineasta em entrevista ao Senta Aí. “Essas conquistas não apenas lançam uma luz positiva sobre os países, mas também podem levar a investimentos estrangeiros no setor. Além disso, serve como exemplo para os jovens e aspirantes cineastas africanos que podemos conseguir muito com pouco. Obviamente, não temos o tipo de recursos disponíveis para outros cineastas ao redor do mundo, mas chegaremos lá”.

Cena de Hot Bread.

Por fim, Hot Bread chega como o pioneiro no cinema do Uzbequistão. A obra, dirigida por Umid Khamdamov, foi uma das que mais causou burburinho na história do país. É outra que, bem possivelmente, não deve aparecer nas listas com os indicados, todavia serve como relento e uma tentativa de força à produção local. Tentamos conversar com o cineasta, porém não recebemos o retorno do contato.

Com um número recorde de selecionadas – 93, no total -, a pré-lista de indicados ao Oscar de Filme Internacional demonstra uma nova face da sétima arte pelo mundo. Se antes apenas era possível ver o americano e o europeu ganhando seus destaques e louros, agora a globalização tem permitindo cada vez mais novidades. Se isso representará uma mudança real de paradigma? Difícil também responder. Entretanto, todas essas novidades no mundo poderão até dar oportunidade a novos mercados para trabalhar. E, tomara, que isso sirva bem ao cinema nacional e a disputa desse ano, com A Vida Invisível de Eurídice Gusmão.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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