Resenha – Por Lugares Incríveis

Violet Markey tinha a vida de uma típica garota popular do ensino médio. Tudo isso muda quando sua irmã mais velha morre, precocemente, em um acidente de carro, onde, inclusive, Violet também estava e saiu viva. Elas eram melhores amigas e compartilham um blog de escrita. Era uma paixão em comum da família. Porém, desde a morte da irmã, ela nunca mais foi a mesma, se afastando dos antigos amigos, não conseguindo dirigir ou entrar em um carro e abandonou a escrita. Já Theodore Finch era chamado de “aberração” por todos na escola. Apanhava – e revidava-, além sofria bullying dos valentões. Era considerado esquisito, a cada semana era um personagem diferente e o interpretava com clamor. Tinha constantes mudanças de humor e sempre aprontava alguma. Mas o que esses dois jovens poderiam ter de semelhante? Eles acabam se conhecendo no alto da torre do colégio onde estudam e ambos pensaram em pular. 

Pesquisei algumas resenhas antes de iniciar a leitura e a impressão que tive é que embarcaria em uma história de amor impossível, na qual um traria a vida ao outro. Já te adianto que não é sobre isso, até para evitar uma provável decepção. Eu, como uma grande admiradora do “gênero” YA (jovem-adulto), me impressionei com a escrita de Jennifer Niven e sua abordagem em relação ao luto e doenças mentais. Por Lugares Incríveis busca explorar muito mais coisas e questões.

Ao se encantar pelo doce sorriso de Violet, Finch propõe fazer o trabalho de geografia com ela. Eles terão de visitar “pontos turísticos” de Indiana, cidade onde vivem. De princípio, ele pode parecer um tanto invasivo, mas logo nos adequamos ao jeito elétrico dele. Isso porque, conforme a história se aprofunda, mais entendemos suas motivações. E é sobre ele que eu gostaria de focar. Uma característica constante em adolescentes de livros jovem-adulto é a sua idade avançada, inteligência, chegam a ser poéticos com várias frases de efeito, ou seja, fora da nossa realidade. Finch é assim. Porém, Niven escreve com tanto esplendor esse personagem, que sai de forma natural, afinal, ele não é apenas assim. Pode parecer clichê, mas é um baita personagem profundo. Ou apenas um baita personagem.

Theodore não gosta de ser rotulado, portanto não farei isso aqui, mas ele vem de uma família que não dá nenhum tipo de suporte, tem um pai violento que o abandonou bem cedo, uma mãe que não dá nenhuma atenção, praticamente ignora a existência dos filhos. Tudo que o jovem deseja é ser importante para alguém, é ser amado, é ter um melhor amigo, alguém com quem contar.

Em primeira pessoa, a narrativa se alterna entre a visão de Finch e Violet, e eu ficava ansiosa pelos capítulos de Finch ou que ele aparecesse nos da Violet. Por ler muito, Theodore é muito bom com as palavras, então tudo que sai da sua boca ou que pensa é de tamanha genialidade. Me pergunto quantos Theodore Finch tem ao nosso redor, ou seja, adolescentes “desajustados”, que não damos a mínima para entender seus sentimentos e que se escondem atrás de uma convincente máscara. Pessoas que, assim como ele, engraçados, sarcárticos, aventurerios e donos de uma mente brilhante, mas atrás disso, há uma mente cansada, uma pessoa afundada em tristeza, uma pessoa suicida. 

Não tirando a importância da Violet, afinal, é com a ajuda dela que iremos captar a mensagem da obra. Ela está enfrentando um terrível luto e não compreende como saiu viva do acidente e sua irmã não, então parou de ter interesse na vida. Apenas após o início da amizade com Finch é que a garota começa, aos poucos, voltar a viver. Quando digo que me surpreendi com esse young-adult é pelo fato de Jennifer ter feito uma história tão delicada e sem romantização sobre temas considerados difíceis para o público-alvo em questão.  

Uma adaptação foi confirmada pela Netflix com direção de Brett Haley (O Herói, Hearts Beat Loud) e roteiro da própria autora, Jennifer Niven, com ajuda de Liz Hannah (The Post). Com estreia prevista para 2019, recentemente  foi anunciado um adiamento para 2020. O elenco é composto por Elle Fanning e Justice Smith, na qual interpretarão os protagonistas.

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Ana Barbosa

Estudante de Jornalismo, feminista e enaltecedora de mulheres na arte. Viciada em séries, principalmente em Doctor Who, compra mais livros do que consegue ler e não recusa um café. A típica canceriana que chora em todos os filmes que assiste, ou pelo menos quase todos.

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