Bonnie Tyler anima público com vozeirão em show esvaziado no Rio

Eram 21h12 da noite de sábado (dia 19) quando a cantora Bonnie Tyler apareceu no palco da Jeunesse Arena. Vestida com uma jaqueta preta – cor também do resto das vestimentas -, e uma pose de rockstar esquecida no tempo, a cantora abriu a apresentação com um cover de “Flat on the Floor”, um cover da cantora country Carrie Underwood. Com um vozeirão que ecou pelo ótimo som do local, animou quem estava chegando e os presentes. Aquela mistura de country, pop, rock e, acima de tudo, uma certa nostalgia (muito marcada também pelos covers) ditou tudo que rodeou a noite.

Apesar da animação da cantora, o público era relativamente pequeno. De vista, parecia que cerca de metade da arena (que é grande e estava já diminuida e “controlada” pelas cadeiras na pista principal) estava completa. Tyler até chegou a brincar com isso em certo momento, dizendo que não tinha feito um show em nenhum local tão grande na sua passagem pelo Brasil – são 8 shows no total. A turnê da artista faz parte da celebração dos seus 50 anos de carreira, porém iria acontecer em 2020. Foi adiada, assim como boa parte dos eventos, por causa da pandemia de Covid-19. Assim, o que era para ser 50, já se tornou 53. Nem o público e nem a idade desanimam, no entanto, Bonnie. Ela chega até a olhar isso de forma irônia, falando que começou a carreira com 17 e agora está trocada, com 71.

Foto: Isabela Toscano/Senta Aí

Mas voltando ao que importa, Bonnie Tyler realmente entregou. O melhor de si e uma força que perpassa desde os vocais roucos e graves, até mesmo a disposição do palco. Ela anda para um lado e para o outro e ainda levanta a audiência ao tocar, logo como terceira faixa, o clássico “It’s a Heartache“. A vibração do canto de uma Jeunesse esvaziada parece ter animado a artista. Porém, Bonnie sabe que não tem tantos hits assim para preencher e animar um show por completo. Ao mesmo tempo, também sabe qual é o público e a faixa etária que está ali para vê-la e faz um setlist recheado de covers. A quarta, por exemplo, outro clássico: “Have You Ever Seen The Rain?”, do Creedence Clearwater Revival.

Antes de tocar mais um cover – dessa vez, “To Love Somebody”, do Bee Gees -,  a cantora deu espaço também para seu último álbum lançado, The Best Is Yet to Come, de 2021. Cantou a faixa-título e “When The Lights Go Down”. Duas misturas bem interessantes de balada com canções de rock dos anos 80 que funcionaram perfeitamente ao vivo. Claramente eram transições e uma tentativa útil de mostrar que ela ainda produzia coisas novas. Apesar disso, foram as únicas das 12 músicas do disco a entrarem no setlist.

Foto: Isabela Toscano/Senta Aí

Tudo se tratava de uma preparação de Bonnie Tyler para o grande momento da noite, é claro: “Total Eclipse of the Heart”. Antes de começar em si o teclado mundialmente conhecido, ela deu espaço para contar um pouco sobre a produção e escrita de Jim Steinman para a música. Uma espécie de reverência. Apesar de menos marcante que a versão gravada – muito pelo fato da voz envelhecida da artista não colaborar tanto -, ainda foi o grande momento da apresentação curta, de cerca de 1h10min.

Depois do auge, o show teve seu momento mais morno, com “Between the Earth and the Stars” e “Faster than the Speed of Night”, a última faixa antes do encore foi com “The Best”. A canção foi gravada inicialmente por Tyler, mas ficou conhecida internacionalmente na voz de Tina Turner com o refrão “You’re simply the best”.

Foto: Isabela Toscano/Senta Aí

Na volta da breve pausa para o encerramento, Bonnie logo pergunta: “quem quer ouvir um pouco de blues? De Janis Joplin?”, começando com os acordes de “Turtle Blues”, da Big Brother & the Holding Company, banda psicodélica que tinha Joplin entre os membros. Foi um momento diferente, talvez não o ideal para uma volta do encore, porém que se tornou ainda melhor pela força da banda de apoio (que ganhou os agradecimentos em seguida) e pela voz potente da artista de destaque da noite.

Foto: Isabela Toscano/Senta Aí

Bonnie Tyler finaliza sua primeira vinda ao Rio de Janeiro com mais um clássico indiscutível: “Holding Out for a Hero”, que mistura todo o lado épico, country, rockeiro e de ícone pop dela. Não a toa, levantou todos os presentes, com alguns cantando aos berros. Visilmente feliz e animada com a noite, Tyler finaliza agradece ao público e promete que não vai demorar tanto tempo assim para voltar. Com o sorriso no rosto, não ligou tanto para o jeito como a Jeunesse Arena estava. Queria mesmo era celebrar com os presentes.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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