Crítica – Amor com Data Marcada

Filmes de natal são praxe para a época de fim de ano. A grande maioria são comédias românticas tradicionais, com seus clichês muito fortes, e sem medo de querer ser o que são. Isso é até bastante interessante, ainda mais pela maioria assumir essa carga de esteriótipo que virá, e abrindo possibilidades de explorar em uma autoconsciência de gênero, por exemplo. Um dos casos recentes foi Um Passado de Presente, de 2019, dirigido por Monika Mitchell e com Vanessa Hudgens no papel principal. A trama em si não busca nada diferente que já foi feito diversas vezes, além do fato de ser bastante bobo. Todavia, ao brincar com os conceitos do gênero em si e tomar uma consciência do que acontece e da forma que aquilo irá desenrolar, temos contato com algo novo.

É um pouco disso que busca Amor com Data Marcada. Apesar de não ser, diretamente, um longa de Natal, a ideia da obra é explorar os feriados especiais nos Estados Unidos. Para isso, a história começa diretamente em um período natalino, a qual Sloane (Emma Roberts) e Jackson (Luke Bracey) se vêem em desilusões amorosas. Quando se conhecem, tem a ideia de seguir os preceitos  de uma das tias da primeira: sempre terem encontros, mas sem necessidade de se relacionarem, nesses feriados.

A narrativa do cineasta John Whitesell se forma em uma espécie de ciclo. Assim, a cada nova celebração, os dois estão juntos, sempre em situações de vida similares. Enquanto Sloane parece quase acabada de si mesma, sem saber se conseguirá qualquer coisa nova, Jackson acha interessante viver sem compromissos amorosos. Para ele, é como se esse ciclo representasse também uma oportunidade de continuar na estagnidade, enquanto para ela é a geração desse estágio de lugar comum. Essa continuidade de ambos funciona como um grande conforto, sem a necessidade de nada a mais. Witesell deixa isso bem claro com uma filmagem que quase se repete em ângulos, cenas, enquadramentos.

Porém, como sabemos que toda obra clichê do gênero terá, os dois começam a perceber que possuem uma relação a mais. O grande ponto de virada para a obra está nesse lado mais carnal, especialmente quando os dois ficam bebâdos em um dos feriados. A partir daquele ponto, em que não fica claro se tiveram algo, a direção abre espaço para interpretações dos espaços e passos que eles darão dali em diante. É como se essas simples quebra do cotidiano, em quem um passa a não mais enxergar o outro como mero objeto de um dia, que torna a mente turva para a circunstância. Isso, novamente, se repete como um ciclo na vida de cada um, que agora tentar observar possibilidades de como sair desse jogo romântico que acabaram entrando.

Definitivamente, isso chega a também passar uma mensagem bastante boba, como em qualquer longa parecido do gênero de natal. Contudo, esse ciclo narrativo em Amor com Data Marcada torna as coisas um pouco mais interessantes, curiosas. Não chega a ser nada verdadeiramente revolucionário, mas, de certa forma, até rememora uma criação narrativa clássica de romance, em que ambas as figuras quase são atraídas para um estágio de ficarem juntas de qualquer forma. John Whitesell consegue pegar uma trama que poderia ser até bem boba e consolidar uma abordagem dramática até complexa, especialmente de Sloane. Dentro disso tudo, o filme ganha em seus apreços mais elementos próprios, não parecendo algo tão genérico.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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