Crítica – El Camino: A Breaking Bad Film

Spoilers do fim de Breaking Bad abaixo.

Logo ao início de El Camino: A Breaking Bad Film vemos Jesse Pinkman (Aaron Paul) e Mike (Jonathan Banks) conversando em seus tempos áureos. O primeiro revela que quer parar de fabricar metanfetamina e pergunta para o segundo aonde ele iria caso estivesse em seu lugar. Mike prontamente responde “Alasca”. O lugar frio e silencioso parece ser o refúgio ideal de Jesse, após sofrer tanto ao longo de sua trajetória. Quando começa a ser vendedor poderoso com Walter White (Bryan Cranston), ele ainda era um garoto, necessitando amadurecer com o tempo. E o peso desse amadurecimento é o que vira o ponto chave para essa história.

E nela, Pinkman basicamente necessita fugir de tudo e todos. Desde os traficantes ainda amedrontando até a polícia, atrás dele por ser o único sobrevivente do tiroteio realizado por White. Ele agora sofre essas consequências e, seu primeiro local de fuga, é na casa dos amigos Skinny Pete (Charles Baker) e Badger (Matt Jones). Ali é o local na qual ele consegue encontrar o mais próximo possível de alguma relação quaisquer, após os traumas sofridos. Sem ter para onde ir, ele deverá buscar novos caminhos, porém sempre com o peso do passado em suas costas.

E esse acaba sendo um dos motivos primordias da direção e do roteiro de Vince Gilligan – o criador de Breaking Bad – terem um foco tão grande no passado durante a narrativa. Contudo, o limite é deveras ultrapassado em certos períodos para virar quase uma lembrança ao público fã do material de origem. Elas, no entanto, perpassam bem pelos diversos ambientes no qual Jesse precisa passar para sair disso tudo. Ao início, ele parece mais perdido do que o normal, todavia a busca por se encontrar acaba sendo um elemento fundamental. A falta de casa, perceptível desde os tempos do seriado, o causam uma desilusão constante com tudo e todos (a cena aparecendo seus pais é forte nisso).

Nesse sentido, Gilligan busca um longa sempre muitos elementos externos. Existe essa dramaticidade e tristeza onipresentes ao protagonista, sempre muito bem colocado pelos planos abertos e por ele se encontrar nos cantos das casas. Isso serve sempre a gerar uma trama bem objetiva perante aos acontecimentos, sempre evoluíndo a cada nova sequência e usando o suspense para catapultar isso. Se na obra fonte o lado do drama era o grande diferencial, mesclando com o crime, aqui temos uma tensão inerente a cada novo lugar adentrando por Pinkman.

Todas essas questões transformam a narrativa em cada vez mais desoladora. É interessante como o personagem, na qual morreira durante a primeira temporada, vira um dos poucos afetos. Sua ingenuidade primordial contrasta com uma busca por respiro (por isso a ideia do Alasca é tão chamativa). Toda sua vida, passada por mortes e mais mortes, agora é sempre em termos de não querer repetir o mesmo – “Eu não quero matar você”, “Eu não mato policiais”. O rosto cheio de cicatrizes também alerta para esse lado prévio altamente complicado. A relação do público, assim, para sempre a ser de entendimento sobre seu lado.

A câmera de Vince Gilligan entende bem o fardo carregado por Jesse. Por isso, não o vangloriza e nem o coloca sob uma posição de coitado, mas dá seu peso e sua importância. Tudo que ele fez é a busca por simplesmente querer fugir dessa realidade, mesmo tendo que – novamente – realizar atitudes fora da lei ou indesejáveis. Ele sabe bem disso, contudo parece buscar fazer todas as questões pela última vez. Em El Camino, na qual é o nome da marca do seu carro, vemos o protagonista tentando entender qual o seu caminho. Sofrendo o peso das mortes e tragédias assoladoras da sua existência, mas visando apenas o futuro.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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