Crítica – Loki

Apesar da demora em apresentar mais detalhes do seu multiverso, a Marvel, em seu Universo Cinematográfico, resolveu deixar para apresentar todos esses elementos que serão desenvolvidos futuramente em Loki. Até por isso, era interessante a expectativa de uma série que poderia ser mais desprendida de uma narrativa normal, por assim dizer, trazendo elementos complexos e mantendo o lado mais maluco que o personagem tem. Desse jeito, a história posiciona o protagonista aqui (interpretado, mais uma vez, por Tom Hiddleston) logo após roubar uma das joias no fim do primeiro Vingadores. Ele acaba parando na TVA, uma empresa entre dimensões e que controla todo o multiverso e as linhas temporais.

A ideia de construir a forma como Loki se relaciona com esse mundo também é feita de forma divertida. A relação inicial construída com Mobius (Owen Wilson) traz traços de comédias bem típicos dos longas, com tiradas frequentes que funcionam para consolidar o conceito desse novo mundo. Assim, logo que somos apresentados às possibilidades, também entramos de cabeça na forma como o protagonista enxerga isso tudo, sempre com receio e buscando formas de repensar o seu passado. Esse elemento da conexão do Deus da trapaça com o universo apresentado é talvez o elemento que mais traz sentido para desenvolver o personagem. É quase como se ele precisasse dessas problemáticas para poder repensar sua vida – algo que faz também nos filmes, porém de forma gradual.

E para desenvolver na série nessa condição dramática, a trama precisa avançar na relação que ele irá possuir com outros Lokis de diversas linhas temporais. A principal delas, é claro, se trata de Sylvie (Sophia Di Martino), que acaba por ser um elemento central no desenvolvimento dos seis episódios. Ela aparece como uma maneira de introduzir as possibilidades desse terreno espacial-temporal. Assim, a obra abre espaço para discutir elementos mais filosóficos, porém que são sempre colocados como pano de fundo. O grande chamariz fica por conta de uma diversidade visual, que explora a realidade e mentira – da mesma forma que o próprio personagem título.

Contudo, essa questão, colocada de um jeito até bastante surpreendente, especialmente em como se desenvolve os vilões aqui, acaba por ser facilmente deixada de lado. Com isso, Loki parece querer se resumir, em diversas situações, a apenas uma piada com o mesmo conceito inicialmente fundamentado. Um episódio, por exemplo, é focado em desenvolver esses outros “lokis” do multiverso. A ideia é apenas salientar tudo já apresentado, apenas para um motivo cômico que resulta em pouco aprofundamento para o protagonista.

O conceito colocado no seriado pelo criador  parece se resumir em uma mesma tecla. Se Wandavision e Falcão e o Soldado Invernal buscavam explorar maiores cavidades daqueles heróis, aqui isso pouco acontece. Tal situação até complica o desenvolvimento do MCU, visto que pouco aprendemos aqui, dentro do DNA da produção, sobre a verdadeira variedade dos universos. É quase como se existisse realmente algo verdadeiro para ser trabalhado, mas nenhuma verdadeira intenção de prosseguir com isso.

O que poderia ser uma grande virada de chave para todo um universo e também para a forma que a Marvel trata suas séries – com uma possibilidade de maior liberdade -, Loki é totalmente decepcionante. Não que as outras já não tenham sido, no entanto tudo feito por aqui mostra que parece que a produtora não tem muito um interesse de ir além. Dessa forma, quando formos verdadeiramente confrontados com a ideia do multiverso futuramente, a base feita aqui é tão pouca e de um jeito tão jogado, que talvez fosse melhor nem ter feito.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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