Crítica – Pokémon: Detetive Pikachu

A nostalgia nunca esteve tão em alta no audiovisual como está agora.

Seja referenciando filmes dos anos 80, revivendo personagens ou seriados antigos, ou através das aparentemente intermináveis continuações, remakes reboots, é inegável como histórias originais perderam espaço para reimaginações. Sendo uma das franquias mais populares do mundo inteiro, que engloba games, animações e brinquedos, até que demorou para que os monstrinhos de Pokémon entrassem na jogada. A variação escolhida para uma adaptação foi Detetive Pikachu, um jogo para Nintendo 3DS, onde o jogador trabalha junto com um Pikachu falante para resolver diversos mistérios.

Na história, Ryme City é uma grande metrópole onde Pokémons e humanos convivem de maneira semelhante, como habitantes da mesma cidade, sem que um pertença ao outro e sem duelos. No entanto, o ex-treinador Tim Goodman (Justice Smith) não tem motivos tão bons para visitar a grande cidade: ele acaba de descobrir que seu pai morreu em um acidente de carro. Ao visitar o apartamento, ele encontra não só uma estranha substância química, mas também o Pikachu falante que trabalhava com seu pai como detetive. Quando ambos percebem que só Tim consegue ouvir Pikachu falar, a dupla decide descobrir o que realmente aconteceu com Harry Goodman, sem imaginar que esse acidente esconde segredos muito maiores.

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Dirigido por Rob Letterman, o filme resolve apostar seguro de todas as maneiras possíveis. Considerando o universo em que o filme se situa, é uma premissa bastante inusitada: uma trama de mistério em meio a monstros fofinhos? Esse talvez seja o maior atrativo do filme para os curiosos: não só dar uma voz e personalidade para o personagem mais icônico da franquia, como transformá-lo em um detetive em um cenário quase futurista, uma grande metrópole com placas de neon coloridas e becos escuros e cheios de fumaça.

Apesar disso, é de se esperar que esse lado investigativo da película seja sacrificado para favorecer uma expansão da história conforme a trama caminha. O roteiro, escrito a seis mãos, sabe muito bem qual é seu público e não esconde isso. Embora algumas piadas de duplo sentido ainda estejam presentes, toda a trama e as soluções oferecidas são bem pueris. Fica claro, portanto, que embora ele aposte pesado no fator nostálgico para atrair os fãs mais velhos (o último ato reserva uma cena de canto que com certeza vai deixar um sorriso bobo no rosto de muita gente), seu objetivo é pura e simplesmente entreter os pequenos que já são familiarizados com a franquia e atrair os que não são.

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Dessa maneira, não é surpresa que o maior mérito do filme seja sua computação gráfica. A equipe fez uma excelente escolha estética ao fugir do realista e apenas trazer as criaturas em uma versão física, apostando mais em texturas, cores e outros pequenos detalhes do que adaptá-los ao live-action. Para os saudosos, é um saldo ainda maior caçar os Pokemóns escondidos e as referências a outras extensões da franquia.

A equipe humana, liderada principalmente por Justice Smith, Kathryn Newton e Bill Nighy se sai bem, já que não é exigido muito deles. Embora eles sejam fundamentais para o filme, às vezes (principalmente no clímax) são essencialmente coadjuvantes aos monstrinhos. Quem mais se destaca é Newton, que dá vida ao par romântico de Smith, entregando uma verdadeira personagem de anime em carne e osso. Seja em figurino, personalidade ou trejeitos, a Lucy de Newton parece ter saído das telinhas da animação. Uma participação especial no final chega até a ser previsível, mas ainda assim divertida.

Talvez o maior problema do longa seja a indecisão entre qual história ele quer contar. O primeiro ato é orgânico e funcional, mesclando bem o novo universo que a trama propõe e o mistério a ser desvendado. Talvez a necessidade de colocar cenas mais dinâmicas e até um pouco de fan service (afinal, qualquer um sairia da sessão revoltado sem ao menos uma cena de duelo) tenha forçado os roteiristas a expandirem o arco, mudando o tom do que havia sido apresentado até ali. Nada muito discrepante, mas o bastante para incomodar o espectador mais cético.

O consenso, portanto, é de que Detetive Pikachu está longe de ser uma das melhores incursões dos Pokémons no mundo cinematográfico. Não pelo formato, já que a mistura de animação com live-action funciona bem, mas pela premissa indecisa e alguns excessos que poderiam ter ficado de fora. Apesar disso, vai agradar em cheio os pequenos, o que é, afinal, seu objetivo.

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