Com novo EP, My Dead Melancholy, The Weeknd renega sua nova persona e retorna às origens

Sonoridade tradicional, ambientação, vocais sombrios e letras reveladoras. É quase como se The Weeknd tivesse tido o tempo necessário para retomar toda sua carreira, inspirando seus trabalhos anteriores, que o alçaram a sua atual posição como um dos maiores nomes do R&B masculino. E então, finalmente, após um hiato que durou quase dois anos desde seu último álbum, o artista retorna aos eixos; expira novos ares, gerando um trabalho que pode representar uma nova fase em sua carreira.

Um obra que é muito menos ousada que seu trabalho anterior “Starboy“, este que poderia ter sido um tiro no pé a considerar que se distancia completamente dos álbuns pelos quais ele se tornou conhecido – mas que conseguiu perfeitamente atingir seu objetivo principal: alcançar uma nova alçada de fãs e torná-lo ainda mais popular, dando continuidade ao percurso começado por “Can’t Feel My Face“. “My Dear Melancholy,” é definitivamente muito mais lânguido, em termos sonoros.

Em contrapartida, o EP segue enérgico em compartilhar a trajetória pessoal do artista de modo direto e quase expositório, considerando que The Weeknd é um dos poucos no mainstream a não se exporem exacerbadamente na mídia. O contrário disso, é o que acontece com Selena Gomez, por exemplo, tomada como “assunto” de algumas de suas canções, ou Bella Hadid, dois dos relacionamentos que trouxeram o nome do rapper para as páginas dos principais tabloides nos últimos anos.

Talvez seja essa seja peça principal de seu álbum: o “apoio” ou “escoro” – você pode decidir se proposital ou não e mesmo se vai considerar a atitude do artista positiva ou negativa – em seus relacionamentos altamente midiáticos. Com produções de Gesaffelstein, DJ e produtor francês; DeHeala; o queridinho dos artistas de hip-hop, Mike Will Made It; a dupla Shrillex e Guy Manuel de Homem-Christo, “My Dear Melancholy,” é co-escrito majoritariamente pelo intérprete, que imprime em meio a versos extremamente rancorosos toda a fúria e mágoa que o fim complicado de relacionamentos tende a deixar.

Ao contrário de muitas das canções do “Starboy“, a prepotência e segurança do eu-lírico é obliterada, dando lugar a um festival de lamúrias, acusações, reflexos de uma autoestima extremamente frágil, questionamentos, muita roupa-suja sendo lavada. Em dados momentos, soa quase como se The Weeknd estivesse muito irritado, em outros, como se estivesse prestes a se afundar em um estado depressivo enquanto relembra momentos e atitudes tomadas durante o relacionamento. Seus fãs mais antigos celebram o retorno da persona sombria que compõe sua bagagem lírica, mas fica o questionamento: seria essa nova fase responsável por alienar seus fãs recém-adquiridos? Num grande plano, isso é uma coisa boa? Ou estaria o artista regredindo algumas casas?

Muito embora o EP seja bem direto e incisivo, se estivermos diante de um trabalho que define o próximo passo a ser tomado do Tesfaye, há de se esperar um álbum repleto de mais memórias sombrias e densas sob perspectiva de um dos nomes do pop masculino em maior evidência nos últimos anos.

O clipe de “Call Out My Name“, dirigido por Grant Singer, dá início a era – e é uma obra de arte. Não perca tempo:

 

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