Crítica – Quase Uma Rockstar

As comédias adolescentes se tornaram quase um patrimônio extra da Netflix. Sucesso nas redes sociais e entre o público-alvo, é compreensível que esses filmes sigam regras que parecem funcionar para todos: uma fotografia brilhante, praticamente planejada para destacar a qualidade da televisão 4K de assinantes premium; personagens que beiram o excêntrico; angústia jovem; e muitos problemas românticos. No entanto, Quase Uma Rockstar, que estreou na plataforma no dia 28 de agosto, não rende à fórmula e entrega um longa que é tão imperfeito, quanto é corajoso.

Baseado no livro de Matthew Quick, a história segue Amber Appleton, que vive em um ônibus com sua mãe e seu cachorro Bobby. Mesmo se dividindo entre a escola e os diversos bicos para arranjar dinheiro, além do trabalho voluntário em um asilo, a jovem ainda consegue se manter positiva, esperançosa e um poço de energia. Ela espera sempre que as coisas possam, finalmente, melhorar para sua vida. Quando uma tragédia ameaça destruir o otimismo de Amber (e todos os seus planos para o futuro), ela percebe que talvez precise aprender que não dá pra segurar tudo sozinha.

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Brett Haley não é estranho aos temas abordados pela obra. Corações Batendo Alto, O Herói e Reaprendendo a Amar têm em comum a mesma sensibilidade e sinceridade falando sobre vício, luto, a arte como refúgio, nostalgia e, obviamente, relações familiares complexas. O diretor já se aventurou pelo gênero teen com Por Lugares Incríveis, mas é aqui que talvez haja um equilíbrio maior entre esses dois mundos. Há um interesse maior nos relacionamentos e dificuldades sociais de seus personagens, do que em dinâmicas escolares. Até os amigos de Amber, que poderiam preencher a cota “humor excêntrico” dos originais da casa vermelha, conseguem ser mais realistas. Embora a tragédia que ocorre flerte até demais com o melodrama exagerado, pelo excesso de problemas descarregados na protagonista, a produção nunca perde a leveza.

Auli’i Cravalho mostra novamente porque é uma revelação tão grande. A alegria e o otimismo constantes de sua Amber, assim como as desventuras às quais é submetida, quase nada lembram a princesa da Disney que a trouxe para o estrelato. Mas os momentos mais sérios e sóbrios mostram que há muito mais camadas que Cravalho pode alcançar e o faz muito bem. Na série One Day at a Time, Justina Machado mescla bem o drama e o humor. Embora aqui não haja tanto espaço para o seu excelente timing cômico, Machado manda bem como uma mãe alcoólica, sem deixar cair no maniqueísmo (fora que, as duas tendo os mesmos olhões cheios de emoção, ajudam a gente a comprar como mãe e filha).

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Apesar de não exatamente ser um sucesso ao discutir pobreza extrema de maneira orgânica para o grande público (é muito fácil tornar esses elementos em obstáculos para a jornada da heroína ao invés de um grande problema no sistema que não pode ser resolvido apenas com talento e otimismo), é preciso lembrar também que não é essa a proposta. Quase Uma Rockstar não vai ganhar prêmios, nem ser o melhor filme que você vai achar na Netflix num sábado à noite, contudo certamente vale o tempo assistindo.

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