Death Note não é tão ruim assim

Adaptações, principalmente relacionadas a obra quase que indiscutíveis, são temas de uma extensa polêmica, que causa irritações e desavenças de muitas partes, principalmente em redes sociais. Sendo assim, desde que foi anunciado, Death Note era certeza de um alvo certo para uma polêmica que viria, desde críticas a mudanças de etnias e mudanças para tornar a história mais próxima dos Estados Unidos, mas a maioria do público questionava como seria a qualidade do material que, apesar dos pesares, não é a tão ruim assim.


O longa conta a história do jovem Light, um estudante de ensino médio com uma grande inteligência, mas um pouco perdido no mundo. Certo dia, cai do céu com uma imensa tempestade um caderno intitulado “Death Note”, que continha uma grande quantidade de regras e dizia claramente: o nome que você escrever no livro irá morrer. Aproveitando-se desse fato, ele o utiliza para matar criminosos e grandes personalidades políticas, começando, assim, a ser investigado pela polícia e pelo incrível detetive L.

A crítica especializada e fãs detonaram o longa, falando bastante sobre a péssima qualidade de roteiro e de nível de adaptação, mas não observando alguns imensos méritos que essa obra possui. A primeira delas reside no incrível personagem Ryuk, que está MUITO mais misterioso aqui e totalmente assustador, com uma brilhante interpretação de voz de Willem Dafoe (Anticristo). Continuando no campo das atuações, deve se destacar muito Lakeith Stanfield no papel de L, um dos melhores heróis/anti-heróis criados nos últimos anos na cultura pop. Por fim, é impossível não relatar toda a intriga de suspense que – devido a mudança da história – possui outras reviravoltas e deixa o público extremamente aflito para o que virá pela frente, mesmo possuindo algumas gigantescas inconsistências, que serão relatas mais a seguir. Apesar disso, o final não é um dos melhores, mas a última cena sim, tendo inclusive um sentido maior do que certos momentos do anime/mangá.

Em relação ao roteiro, a relação de partes boas contra partes ruins perde de 2×1. Um primeiro ato fraco, um segundo ato – e o maior – extremamente interessante e bom e um terceiro ato fraco e cheio de conveniências. O início da trama é horrível, tudo parece não ter nem um pouco de sentido e algumas informações já são entregadas na cara do telespectador, que poderiam ter muito mais peso se reveladas depois. Além disso, começa um desenvolvimento do casal entre Light e Mia, ambos horrivelmente interpretados por Nat Wolff (Cidades de Papel) e Margaret Qualley (Dois Caras Legais), que gera situações totalmente fora de sentido ao longo da trama. Durante todo o meio, algumas coisas começam a se ajeitar dentro da narrativa e um certo jogo de caça é mostrado, algo bem similar com o material original. Tudo isso possui uma transição bem clara para o fim, que possui algumas bizarras convenções de roteiro, que são até risíveis.

Tecnicamente, é um filme muito interessante. Possui um interessante jogo de luz em sua fotografia, que sempre perpassa pelo protagonista Light. Além disso, a direção de Adam Wingard (Bruxa de Blair) é bem competente e traz para si algumas responsabilidades em momentos na qual a trama parece não avançar, com certo esmero cinematográfico. Talvez a única coisa que esteja errada aqui é a trilha sonora, que parece ter sido escolhida por alguém que não queria dar sentido de nada a nada.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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