O que faz um show ser bom?

Sempre que acontece uma nova edição de Rock in Rio, debates acalorados vem a tona. Um deles tomou bastante conta das rodas de conversa e com fãs de músicas após essa de 2019: o playback de Anitta. Muito criticada, a artista amplicou toda a discussão relacionada ao uso da voz em faixas com muita música e etc. Contudo, ela deveria olhar para cantoras e cantores do passado e do presente para ver bem como não é possível dançar e cantar junto. Ela, muito na expectativa de algo memorável para o festival, acabou saindo como apenas mais um, sendo até uma das apresentações mais criticadas nesse ano.

Enfim, todo esse embate apareceu e reascendeu, ao longo dos dias, um questionamento muito necessário: o que faz um show ser bom? Obviamente, os fatores são diversos e até bem diversificados. Mesmo assim, o que fica em mente é se apenas o fator visual é o grande diferencial. A performance de dança, os efeitos visuais, entre outros, seriam eles os únicos representantes necessários a um show? E a música, aonde ela fica no meio disso tudo? A primeira arte, aquela popular entre todos do mundo inteiro, não tem sua vez quando é possível analisar alguma demonstração em um palco?

Katy Perry no Rock in Rio 2015. Créditos: Marco Antonio Teixeira/UOL

Mas por que pensar nisso? Bom, é bem simples. Pelo simples motivo de grande parte da audiência pensar dessa maneira. A visualidade, em tempos de redes sociais, passou a ser algo muito mais valorizado em quaisquer apresentação. Não a toa, até o Iron Maiden se usa desses elementos como um fator primordial de seus concertos. Algo na qual antes pertencia bem as entranhas do rock, agora faz parte muito mais constante no pop. E isso seria errado? De forma alguma. São simplesmente diferentes visões para trazer uma apresentação. O ponto fundamental nisso vira o como.

E nisso há diversas discordâncias. Uma delas está especialmente na forma de mesclar isso com um lado de sentido ao espetáculo. É uma espécie de teatro, em que, caso algo esteja fora de sintonia ou sentido, não existem motivos daquilo continuar presente. Assim, como o Maiden fez, Beyoncé também faz e o Muse realizou, por exemplo, toda essa encenação de palco, com os diversos elementos complexos, fazem sentido. O mesmo pode se dizer até de P!nk nessa edição de Rock in Rio, na qual até voou pela platéia do evento em “So What”. Essa questão faz parte dessa construção da artista pelo motivo bem simples da canção ser sobre rebeldia. Rebelar-se está nas letras.

Muse no Rock in Rio 2019. Créditos: MARCELO THEOBALD / Agência O Globo

Enfim, é complicado traçar certezas demais. Existes vias e vias, fatos e fatos. Não há fórmula concreta alguma de como realizar um show e nem deveria haver. As diversas maneiras de pensar apresentações fazem parte dos cantores e bandas, todavia é impossível fazer algo aleatório simplesmente por fazer. Necessita sempre de uma correlação maior com as sensações e sentimentos transmitidos por aqueles shows. Um “ao vivo” também é arte, assim como a realização de um álbum, ou o pensamento sobre uma música. O fato de não haver um pensamento ideal não exclui os diversos trejeitos de agradar aos fãs, trazendo algo até inovador. Independente de tudo, fazer um bom show está muito mais no ‘como’ do que ‘no que’.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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