O rejuvenescimento no cinema e suas questões

Nessa última quarta (6), o site The Hollywood Reporter anunciou que o astro James Dean, conhecido por filmes como Juventude Transviada e Assim Caminha a Humanidade, seria revivido digitalmente para um longa. Morto em 1955, o ator seria ressucitado via CGI em Finding Jack, uma história de guerra com estreia para 2020. Como contou Anton Ernst, na qual irá dirigir junto de Tati Golykh, “buscamos em alto e baixo o personagem perfeito para interpretar o papel de Rogan, que possui alguns arcos de caráter extremamente complexos, e após meses de pesquisa, decidimos por James Dean”. Ele ainda contou que a família de Dean deu o suporte e agradeceu por isso, “para garantir que seu legado como uma das estrelas de cinema mais épicas até hoje seja mantido intacto.”

Toda essa questão reascendeu os debates em torno do uso da computação gráfica para rejuvenescimento, especialmente o facial – mais usado no cinema. Os levantamentos debatidos são os mais diversos, como no caso de se pautar uma atuação por algo que não é autêntico (assim como há com as capturas de movimento) até um lado mais ético, especialmente quando isso é feito com personas mortas. Aliás, esse é o segundo caso nesse sentido. O primeiro foi do ator Peter Crushing em Rogue One: Uma História Star Wars. Ele, falecido desde 1994, apareceu como um dos vilões na história.

É difícil delimitar um início sobre o uso dessas técnicas. Os fatores são diversos, mas dois seriam os principais: o uso da tecnologia mais avançada na sétima arte ser muito recente e por esse uso específico da computação também ser rescente. X-Men: o Confronto Final tavez tenha sido um dos pioneiros nesse sentido. Entretanto, é impossível não falar sobre essa técnica e como há uma profunda relação com O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, divulgado em 2008. Ele, acima de quaisquer questão moral, chocou o mundo quase inteiro com as possibilidades do uso dessas técnicas. Além disso, a partir de Fincher, houve uma maior popularização.

Uma segunda pedra fundamental é a Disney. Em um sentido mais geral mesmo, mas com duas produções em específico. O primeiro é o já citado Rogue One, na qual, além de Crushing, também possui um uso do rosto de Carrie Fisher como Princesa Leia. O segundo é aquele que gerou mais alvoroço no público geral: Capitão América – Guerra Civil. Nesse longa, em uma das primeiras sequências, Robert Downey Jr. é rejuvenescido como Tony Stark, algo devidamente impressionante visto no cinema.

A mais recente questão ficou em torno de O Irlandês, novo filme de Martin Scorsese, previsto para estrear ainda nesse mês de novembro. O custo de quase US$200 milhões não foi a toa, já que o cineasta resolveu fazer mais da metade do tempo de película com os rostos rejuvenescidos de Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, todos com mais de 70 anos. De Niro, ao falar sobre o tema, disse que a parte da tecnologia só poderia ir até um certo ponto. Segundo ele, “se isso foi usado tanto que chega no ponto que se torna algo que não é mais o que uma pessoa é, que um humano é, pode se tornar outro tipo de entretenimento, como quadrinhos, Marvel. Personagens de quadrinhos, algo cartunesco.”

Os embates são múltiplos e variados. Estaria a tecnologia chegando “longe demais” no cinema? Não é possível dar total certeza de nada, entretanto é claro ver como isso tem ocupado um espaço cada vez maior dentro das produções. Porém, até que ponto é necessário realmente realizar isso? Até que ponto isso também não chega a ser prejudicial a imagem da pessoa colocada?

Após toda essa volta, retornamos ao caso de Dean. Seu rejuvenescimento será de corpo inteiro, algo deveras arriscado e complexo. Segundo relevado pelo próprio Hollywood Reporter, a recomposição de trejeitos e corpo do ator serão através de fotos e gravações reais. O resultado mesmo só poderá ser visto no próximo ano, todavia os levantamentos foram diversos, inclusive com lembranças sobre a ideia do deep fake, cada vez mais em pauta num mundo digital. De toda forma, o cinema parece querer abraçar cada vez mais essas novidades advindas do desenvolvimento humano. Se será bom ou ruim para arte? Bom, só o futuro irá dizer.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *