Os 25 anos da estreia do Symphony X

Symphony X nunca foi uma das grandes forças em termos de público ou de crítica no metal progressivo. Seus trabalhos tiveram sempre um público nichado, algo que chamou bastante atenção. A banda acabou sendo uma das surgidas nos anos 90, grande período de ápice desse gênero dentro da música mundial, o que também aconteceu com os brasileiros do Angra. Eles, nascidos nos Estados Unidos, outra diferença perante aos europeus predominantes no metal progressivo, tentaram trazer uma linguagem relacionada a um metal quase cru, com as variações e experimentações surgidas apenas de vez em quando. Ao tentar realizar isso mais diretamente, surgiu a estreia, o álbum homônimo, de 1994, completando 25 anos em 2019.

Os trabalhos posteriores do grupo acabaram chamando mais atenção que esse, como o caso de The Damnation Game V: The New Mythology Suite. Nesse CD, a busca parecia ser tentar encontrar o seu som e suas próprias questões. Um exemplo claro aqui é a utilização de algumas vozes aparecendo em momentos um tanto quanto aleatórios – o maior destaque para isso talvez seja na faixa “Premonition”. Isso foi algo bastante aperfeiçoado com o passar do tempo nas suas produções, surgindo de um jeito mais contornado com as músicas em si. A realização feita em Symphony X remete a uma real sinfonia, porém ainda não completa.

É importante relatar como esse fato não tira em nada do realizado. Com uma capa já remetendo a uma apresentação meio mística e esse lado quase teatral presente em grande parte dos grupos de metal no período, eles já adentram com o pé direito. A colocação instrumental de “Into the Dementia” jogou o público ainda mais para todo o clima apresentado, com uma mistura de sons dando espaço para uma guitarra de fundo abrindo esses movimentos. É uma boas-vindas para essa confusão estética e funcional. Para ilustrar ainda melhor esse ponto, toda a difusão é quebrada com um riff de guitarra da abertura, “The Raging Seasons”.

A continuação ainda é mais retratada nesse sentido. As guitarras e as baterias parecem quase uma escola de samba em continuar para um ritmo conjunto, quase sem parar. O lado sinfônico acabam aparecendo pouco e o grande destaque nessa parte fica para todo o trabalho vocal de Rod Tyler, na qual já saiu da banda. A masterização de Joseph M. Palmaccio joga ainda mais espaço para os elementos pequenos do álbum, trazendo realmente uma composição bastante complexa.

O guitarrista Michael Romeo, grande líder deles, gosta de realizar uma sonorização de quase um violino para as guitarras elétricas. Elas são uma base de sustento para quaisquer nova nota que aparece, algo visto desde os primeiros acordes do CD. É uma instrumentalização necessária se o objetivo musical deles é criar uma ambientação sonora. Essa ambientação sofre efeitos diversos por talvez até uma falta de experiência completa dos integrantes, todavia é apresentada de uma forma bem correta e empolgante ao futuro, até então meio desconhecido.

A capa de Symphony X (1994).

Esses 25 anos da estreia em álbuns do Symphony X demonstram o quanto o tempo fez bem para toda a formação. Apesar das diversas mudanças, esse encaixe inicial foi extremamente necessário para essa radicalização – frequente até durante os anos 2000 – em termos de experimentar as possibilidades do metal. O progressivo nunca realmente ganhou um destaque ou encabeçou algo musicalmente pelo mundo, contudo ganhou suas próprias forças e pernas. E talvez um dos maiores representantes para esse feito tenha sido o Symphony X. Obviamente junto com diversos outros, como Dream Theater, Gojira, Stratovarius, Avantasia, Mastodon. Porém, é impossível não destacar o impacto dessa aqui e desse trabalho, lá nos idos de 1994.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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