Parque do Inferno é um terror que não assusta e nem diverte

Desde os tempos áureos do cinema, o terror é feito de tendências. Dos monstros clássicos da Universal, aos suspenses satânicos, até as famílias assombradas à crianças possuídas, uma das tendências mais bem-sucedidas foi o slasher adolescente. Revitalizado com Pânico, em 1996, o auge foi atingido no final dos anos 90, com inúmeras películas tentando capitalizar em cima do sucesso do terror metalinguístico de Wes Craven. Em 2018, é possível dizer que houve um brevíssimo retorno do subgênero. Inicialmente com A Morte te da Parabéns, depois com o novo capítulo de Halloween e, agora, com este Parque do Inferno

A história é bem simples. A universitária Natalie (Amy Forsyth) está de volta à cidade, visitando sua melhor amiga Brooke (Reign Edwards). Apesar de as duas estarem afastadas devido à nova rotina de Natalie, a dupla se prepara para um final de semana de diversão e reencontros, com a participação da não tão querida colega de classe Taylor (Bex Taylor-Klaus), seus respectivos namorados, e um romance em potencial para a protagonista chamado Gavin (Roby Attal).

Já que é a semana do Halloween, o grupo decide se aventurar pelo Parque do Inferno (ou Hell Fest, no original), um parque temático de terror interativo. O clima do lugar, que permite tanto brincadeiras inocentes quanto sustos macabros, não deixa que os jovens percebam o perigo prestes a enfrentar, devido a ter um assassino solto pelo parque a espera de suas vítimas.

O roteiro, escrito a seis mãos, desperdiça toda e qualquer ideia boa que poderia estar perdida em suas páginas. Apesar de uma história simples, a trama apresentava um enorme potencial para cenas de suspense e até mesmo jump-scares, devido ao fato de um parque temático de terror indica inúmeros cenários tétricos onde poderiam ocorrer boas cenas de perseguição e morte, elementos essenciais de um slasher minimamente funcional. No entanto, o assassino faz suas vítimas de maneira totalmente anticlimática, sem nenhuma tensão construída. Ao invés disso, somos apresentados com requintes de crueldade que, diante da falta de terreno preparado, se mostram gratuitas e sem graça.

Apesar de Amy Forsyth defender bem sua protagonista Natalie, principalmente nos momentos finais, os coadjuvantes não se dão ao mesmo trabalho. Temos aqui um elenco recheado de caricaturas, cuja única função é cruzar o caminho do assassino e inspirar pouca ou nenhuma empatia com o público. O romance entre Natalie e Gavin, que deveria ser responsável por uma possível conexão com os personagens, é raso e rápido demais para que a audiência se importe com ele da maneira que o roteiro sugere.

Este não se trata do primeiro trabalho do diretor Gregory Plotkin no terror. Além de já ter dirigido Atividade Paranormal: Dimensão Fantasmaele foi responsável pela edição de títulos como Corra!, A Morte te dá Parabéns, todas as sequências de Atividade Paranormal e a comédia A Noite do JogoÉ de se pensar que, com esse currículo, o americano teria uma compreensão mínima de ritmo, algo completamente ausente no longa. Sempre nos momentos de mínimo risco, essa expectativa é quebrada logo em seguida, levando o filme de volta ao marasmo que foi quebrado durante os cinco minutos anteriores. É por isso que os 89 minutos de duração do longa parecem ser quase três horas.

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Apesar da direção sem identidade, os cenários sinistros e o jogo de luzes proporcionado pelo Hell Fest apresentam algumas cenas raras e interessantes. Se houvesse um pensamento de composição melhor planejada, agregariam ao filme ao menos uma fotografia digna de elogios. Entretanto, o foco fica mais no vermelho, trazendo um perigo constante a narrativa, mesmo que – como tudo – extremamente repetitivo.

Parque do Inferno, portanto, se apresenta como o “o filme do quase”. A premissa é boa, e poderia ter apresentado em 2018 um título até memorável, se fosse bem trabalhado. É inegável que abordar a visita de um grupo de jovens a um parque macabro não é nada original, mas ainda assim é raro o suficiente para trazer curiosidade para o que poderia ter sido visto. Ao invés disso, temos um dos longas de terror mais esquecíveis e irritantes da década, um festival de oportunidades perdidas que não vale o seu ingresso.

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