Primeiras Impressões: Batwoman

A DC Comics é indubitavelmente dona de um dos universos mais ricos da ficção. Apesar de isso se refletir de maneira irregular na sétima arte, os personagens da empresa possuem títulos de sucesso na televisão há muitos anos. Mesmo após o fim de Smallville, com o início e eventual sucesso do Arrowverse, as séries de super-herói da CW parece ter ganhado mesmo seu espaço e importância não só dentro do canal, mas também para os fãs de quadrinhos. A mais nova personagem a ganhar uma série para chamar de sua é a Batwoman. 

A personagem foi introduzida nas revistas em 2006, como uma sobrinha de Martha Wayne (e, portanto, prima do Batman) que começa a operar como vigilante em Gotham City após um misterioso desaparecimento do Homem Morcego. Além disso, Kate Kane também ganhou muita notoriedade por ser uma das mais conhecidas super-heroínas lésbicas da grande mídia, ainda mais de uma editora de renome como a DC. A sexualidade da personagem atraiu tanto críticas severas quanto elogios do grande público.

Na série, Gotham City entra em colapso após o sumiço repentino do Batman. Para ajudar a combater o crime, é criada uma espécie de firma de vigilantes que se chamam de Os Corvos, liderados por Jacob Kane (Dougray Scott), um coronel militar aposentado. O grupo consegue lidar bem com os bandidos da cidade até a chegada da enigmática Alice (Rachel Skarsten), que começa a desafiar a capacidade dos Corvos de proteger as pessoas de Gotham City. Quando a agente dos Corvos Sophie Moore (Meagan Tandy) é sequestrada pela gangue de Alice, Kate Kane (Ruby Rose) resolve voltar para Gotham City para ajudar no resgate de Sophie, que é uma antiga “amiga”. Enquanto se mete em problemas com bandidos e descobrindo segredos profundos de seu passado envolvendo Bruce Wayne e um trágico acidente, Kate Kane decide superar seus próprios demônios e proteger as ruas da cidade como uma nova e destemida heroína.

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Certamente, há muita coisa a ser dissecada aqui. Tematicamente, o seriado criado por Greg Berlanti e Caroline Dries não se distingue muito de suas séries irmãs de emissora. Seguir esse formato não é algo essencialmente ruim, já que pareceu funcionar para todas as outras. O clima quase novelesco que toma conta das relações entre os personagens está lá, mais firme do que nunca, assim como cenários duvidosos de computação gráfica e as cenas de ação de coreografias bem ensaiadas. No entanto, o maior problema inicial de Batwoman é o peso do Cavaleiro das Trevas em sua história e sua jornada.

Tudo aqui parece familiar. Dependendo de quem esteja assistindo, é uma experiência que pode ser cansativa, nostálgica ou somente desinteressante, já que algumas motivações e conflitos parecem óbvios desde os primeiros dez minutos. Há a vigilante, com problemas familiares, cujo passado trágico se relaciona com os dilemas que está enfrentando atualmente. Isso se estende até mesmo aos coadjuvantes, como Luke Fox (Camrus Johnson), aquele que provavelmente irá servir como o “Alfred” de Kate Kane, que tem ligações com o personagem de Morgan Freeman da trilogia de Christopher Nolan. O que deveria ser o diferencial do seriado, trazer uma heroína abertamente LGBT, acaba sendo abordado de maneira rápida e fugaz através de flashbacks. Um recurso, inclusive, que é visualmente bem preguiçoso, com filmagem e edição que parecem ter fugido de uma série da WB em 2005. Apesar disso, a questão de como a academia militar lida com LGBTs e o impacto que isso pode trazer ainda foi abordado de maneira válida, mesmo que breve.

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O elenco, liderado por Ruby Rose, ainda não parece ter encontrado bem o tom de seus personagens. É algo compreensível, considerando que trata-se apenas do piloto, mas a maneira extremamente expositiva com a qual os os protagonistas e coadjuvantes são inseridos na narrativa não ajuda nem um pouco. Rachel Skarsten é quem mais se destaca: veterana tanto da CW quanto do universo DC (ela interpretou a Canário na breve Birds of Prey), a australiana equilibra bem o diálogo enigmático com o tom ameaçador que a personagem pede.

Em seu primeiro episódio, Batwoman não toma muitos riscos. A série apresenta seu elenco, formato e narrativa de maneira didática, simples e rápida, o que pode essencialmente descrever o ritmo de como ela pode funcionar durante a temporada, inclusive pelos plots sempre deixados no final do episódio: o interesse romântico que está indisponível, o parente perdido que pode estar de volta de um jeito diferente, uma nova missão que se apresenta diante dos conflitos em que nossa heroína foi introduzida… É farinha do mesmo saco. Agora, resta saber se os roteiristas possuem uma surpresa planejada não só para que Kate Kane encontre seu caminho como heroína, mas para que a Mulher Morcego encontre sua própria história a ser contada.

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