Primeiras Impressões – Game of Thrones (8ª temporada)

Spoilers do episódio abaixo

Voltas de temporadas sempre são um tanto quanto traumáticas. Ainda mais se contarmos que o final da série se aproxima e os arcos começam a se fechar. Dessa maneira, Game of Thrones iniciou seu derradeiro ano: pisando com calma em tudo. O traumático, todavia, se estabeleceu, e agora os personagens precisarão lidar apenas com consequências extremamente complexas ao longo dos próximos 5 episódios. No capítulo, intitulado “Winterfell”, os jogos de xadrez ainda estão na mesa e a tensão parece estar a um ponto de estourar. Porém, esse ainda não parece dar as caras de maneira tão gratuita assim.

Se é possível distinguir um protagonismo nesse instante, ele é dado a Jon Snow e Daenerys, casal formado a muito contragosto por boa parte da audiência, mas ainda assim os mais importantes no decorrer das temporadas. Assim, fica interessante observar como a chegada dos dois à cidade do Norte – cena que abre o episódio – causa um efeito remetente bastante a reação da cidade na vinda do Rei, logo no início da série. O garoto subindo em uma árvore para poder ver melhor, também remete a escalada de Arya para observar o já morto Rei Robert Baratheon. A sequência inicial, aliás, mostra um poderio latente aos dois como dupla, algo possivelmente a ser melhor mostrado no decorrer desse fim.

A direção de David Nutter ainda propõe uma encenação baseada na nostalgia, pelo menos nas cenas baseadas em Winterfell. Uma que demonstra claramente isso é o reencontro entre Jon e Arya, momento salientado por uma fotografia sempre fria (remetendo a região e a frieza da situação), mas sob a força de cores vermelhas em volta, trazendo uma vivacidade necessária ao abraço dos irmãos. Essa nostalgia, dessa vez mais pelo lado do público, também aparece no fim, na aparição de Jaime Lannister e a troca de olhares com Bran.

Jaime, aliás, ainda é um ponto central em termos dessa discordância do poder. Bronn acaba sendo designado para realizar a morte de seu amigo, devido a um pedido de Cersei. Essa na qual se preocupa em manter uma força do exército, acabando por realizar sexo com Euron Greyjoy. Essa correlação de disputa quase verbal entre os dois ainda impulsiona mais essa realização meio bizarra e meio tensa. Até pelo simples fato dos dois serem imprevisíveis, a audiência sempre se sente retraída na presença de ambos. Euron parece até caminhar no limiar da morte, com inclusive brincadeiras nos diálogos sobre isso, mas devidamente certo de como possui a rainha em suas mãos. Ela não tem uma frota militar grande, por isso necessita desse.

A parte dos caminhantes brancos acabou sendo deixada de lado para dar mais espaço à disputa política. Aparecendo apenas perto do encerramento, ela ainda possui um peso quase místico para uma consolidação de maligno pelo Rei da Noite. O ritual, se é possível dizer isso, feito, demonstra uma faceta ainda intrigante sobre esse “vilão” altamente confuso. Talvez até o mote maior dessa temporada seja entender quem e porque desse morto-vivo realizar os atos e estar atacando Westeros.

O contraponto dessa mística se deu pela disputa entre Daenerys e Sansa, ambas agora bem mais maduras do que quando apresentadas no início. A primeira, querendo se impor sobre novos rostos, utilizando seus dragões como arma de imponência. Já a segunda, sempre jogada de lado por todos ao longo dos tempos, agora precisa se colocar de frente, precisa assumir seu posto de rainha da cidade. Em uma conversa com Tyrion, isso se demonstra ainda mais diretamente, com quase uma inversão dos dois personagens.

O início do último ano de Game of Thrones se mostrou morno para os que já esperavam algo gigantesco. Aliás, realizações de maior magnitude deverão vir apenas a partir do terceiro episódio. Entretanto, é impossível não perceber a abertura dramática imposta agora. A rearrumação do jogo se pôs de frente, para abrir espaço de pensamento aos jogadores. Jon agora assume um papel de protagonista dentro de tudo, ainda mais sabendo ser o herdeiro do trono. Com essas perguntas muito mais abertas em mente, a série se prepara afim do apoteótico surgir. E, se prepare, pois o que virá parece não ser nada agradável, mas totalmente empolgante.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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