Resenha – Um Lugar Só Nosso

Lucky ingressou muito cedo no universo do K-pop. Aos dezessete anos, ela é uma febre na Ásia e a grande aposta de sua gravadora para conquistar o Ocidente — mas ainda tem dúvidas de que essa é a vida que realmente deseja. Por isso, em uma noite pouco antes de viajar para os Estados Unidos, resolve sair disfarçada de um hotel em Hong Kong atrás de um hambúrguer, afinal é submetida a dietas alimentares severas. É então que Lucky encontra Jack, um jovem paparazzo. Sem saber que está ao lado de uma das maiores celebridades do momento, ele acompanha a garota pela cidade e os dois desenvolvem uma conexão especial. Mas Jack percebe que Lucky está um pouco alterada, acreditando ser efeito da bebida alcoólica. A questão é que, na realidade, são os remédios para a ansiedade que Lucky toma todas as noites. Quando a superestrela cai no sono em seus braços, ele não vê outra alternativa além de levá-la para o seu apartamento. Quando o rapaz finalmente abre as redes sociais e dá de cara com uma publicidade de Lucky e sua estreia nos EUA,  ele se vê num dilema quando percebe que tem o maior furo de sua carreira bem à sua frente.

Jack é um rapaz indeciso sobre seu futuro. Filho de um executivo, ele está sendo obrigado a estagiar em um banco em seu ano sabático antes de iniciar uma faculdade, porém, Jack não se enxerga fazendo uma e muito menos enxerga seus talentos como fotógrafo. Ao sair da casas dos pais para não ser mais pressionado, o jovem faz uns bicos como paparazzi para se sustentar. Descobrindo identidade de Lucky, tem a brilhante ideia de passar um dia inteiro com a sensação do K-pop para desmascará-la e acabar com sua carreira, assim, dando a oportunidade de conquistar um emprego fixo na agência na qual é freelancer.

Se você conhece ou já viu A Princesa e o Plebeu, vai estar familiarizado com a história, porém em uma versão contemporânea. O belo rapaz que propõe o dia perfeito para a bela moça que está em busca de uma fuga da realidade, onde ambos escondem segredos. A obra se intercala entre os protagonistas, o início foi meio arrastado, mas quando começa a aventura por Hong Kong o ritmo flui muito bem e fica a sensação de que realmente apenas um dia se passou.

As narrativas de romances de um dia são bastante conhecidas, porém arriscadas, já que se o escritor não me convencer daquela rápida paixão e não souber construir uma boa química entre os personagens, não funcionará. Mas assim como O Sol Também é Uma Estrelanão é o caso de Um Lugar Só Nosso, pois soube desenvolver muito bem a dinâmica entre os dois.

Com os passar do dia, as mentiras vão se tornando sufocantes e Jack, apesar de firme em sua decisão, se questiona diversas vezes por não estar conseguindo evitar gostar tanto de Lucky. O livro propõem uma reflexão a respeito do futuro. Como avaliar o que queremos e o que faremos da nossa vida? Devemos ser egoístas quando se trata do nosso futuro? Lucky sempre sonhou em ser uma cantora de sucesso. Embarcou nessa vida aos 13 anos, entretanto agora ela tem repensado se continua tendo o mesmo sonho e se está tudo bem querer seguir outro caminho. Já Jack não se permite sonhar, mas também não pretende seguir por caminhos sonhados pelos seus pais. O jovem quer algo prático e está convencido de que não há talento o suficiente para se almejar algo. Apesar disso, eles não faziam ideia de que se ajudariam a resolver essas incertezas e mudariam a vida um do outro para sempre.

“Alguém que se lançava em meio a um grupo de desconhecidos para experimentar algo novo. Sabendo que poderia ser péssima naquilo, que poderia fazer tudo errado. Mas ela seguia em frente mesmo assim, sabendo que poderia insistir até melhorar. Eu a admirava tanto naquele momento que quase chegava a doer”.

Você pode até pensar que a história é batida, porém sou uma grande enaltecedora de clichês com representatividade e é por isso que eu amo tanto livros young adults (voltados para o público jovem). Eles proporcionam enredos fofos e envolventes como esse, com protagonistas não-brancos, afinal Lucky e Jack são coreanos nascidos nos EUA. Além do mais, a escritora Maurene Goo, nos leva para um passeio em Hong Kong. Embarcamos em uma verdadeira viagem cultural. Se está a procura (ou não) de algo leve, divertido, apaixonante e que faça a gente sair um pouquinho da nossa rotina, Um Lugar Só Nosso é a pedida certa.

Já estou desejando loucamente por uma adaptação.

Comentários

Ana Barbosa

Estudante de Jornalismo, feminista e enaltecedora de mulheres na arte. Viciada em séries, principalmente em Doctor Who, compra mais livros do que consegue ler e não recusa um café. A típica canceriana que chora em todos os filmes que assiste, ou pelo menos quase todos.

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