Troye Sivan mostra ser um dos melhores nomes da música pop com Bloom

Existe uma crítica frequente à música pop em relação a batidas extremamente comuns perpetuadas pela grande maioria dos artistas. Alguns preferem ir para uma crítica mais voltada a lírica, com letras padrões. Porém, o que se deve sempre olhar é que todo tipo de música busca uma normalidade para se apropriar, com o objetivo de atingir sucesso comercial. É difícil que algum artista consiga aliar esses dois lados de uma maneira tão orgânica e sem perder sua originalidade. Se no campo feminino Carly Rae Jepsen têm se mostrado um bom exemplo dessa harmonia, Troye Sivan começa a trilhar seu trajeto no lado dos homens.

Após seu primeiro álbum, Blue Neighbourhood, o cantor parecia buscar uma voz no pop focado em um tom quase erótico, ao mesmo tempo que adolescente. Ainda bem imaturo, suas referências chamavam mais atenção do que o próprio ser, gerando diversas críticas dentro desse lado. Após 3 anos, com Bloom, Sivan assume seu “eu” na arte, mostrando um ritmo que ainda relembra o trabalho inicial, mas com um tom bem melódico nas composições (sejam elas rítmicas ou não).

A abertura com “Seventeen” e “My My My!” ainda denota aquele padrão comentado anteriormente nesse texto. Apesar de portar letras sobre amadurecimento – na qual ele mostra no decorrer do tempo -, as simples batidas ainda voltadas totalmente para baladas expõem a tentativa de fisgar o público logo de cara, para gerar diferenciações depois. Tudo começa mesmo com “The Good Side”, em que o australiano faz diversas brincadeiras no andamento da canção. Com uma base focalizada no violão, essa parece se mostrar uma faixa acústica, porém é subvertida com batidas eletrônicas e um distorcedor de voz no refrão. Essas variações ficam na cabeça da audiência de maneira bem fácil, se transformando em uma das melhores do CD.

A música homônima “Bloom” volta para o ritmo dançante de 5 anos atrás, mas totalmente repaginado. Se Troye poderia seguir o modelo, ele prefere modificar criando um verso principal mais marcante por diferenciar de tudo apresentando na musicalidade. Seu timbre também assume um papel quase Daft Punk, com o jovem sendo um ser eletrônico dentro da própria voz.

“Postcard” (em parceria com Gordi) assume um tom mais calmo, como um respiro para quem ouve. O clima lento e o recitamento sobre um amor distante e afastado se sobressaem nos dizeres calmos do artista. Ao mesmo tempo que isso ocorre, todo o ritmo assume uma tonalidade quase épica, intrigante de ser ouvido. “Dance To This” (com Ariana Grande) volta para a mistura adolescente e semi-erótica, entretanto com uma nova roupagem de batida quase chegando no ritmo latino. É impossível ficar parado com o pé dentro do lado da eletrônico sútil e forte presentes na faixa. Ariana compõe uma função importante de uma base para um lado quase conversa a obra assume, quase como se fosse uma declaração dupla.

Em seguida “Plum” retoma o pensamento da batida dupla e controversa do refrão com o resto da canção. A voz do cantor tem mais espaço de utilização aqui em conjunto com as notas sempre estendendo para uma extensão vocal já reconhecidamente sua. “What a Heavenly Way to Die” prossegue nessa pegada de mistura dos versos cantados em conjunto com as batidas leves. Aqui, o que parece inicialmente ser mais leve, se mostra uma letra até pesada e com uma batida dançante, porém rememorando o estilo do artista de ser produzir algo muito mais para ser ouvido.

A reta final desperta com a gostosa “Lucky Strike”, estabelecendo de vez que o músico não vai esquecer o lado sexual do início da sua carreira. É uma das maiores demonstrações claras dessa dualidade que o jovem busca no seu lado artístico: de ser sexy e sempre contemporâneo. Por fim, “Animal” apropria-se de uma postura mais hip-hop leve – que tem feito sucesso nos últimos tempos – com alguns toques voltados ao padrão da música pop. Talvez seja um prenúncio para o futuro, mas isso ai só ele mesmo poderá mostrar daqui à um tempo.

Em Bloom, Troye Sivan se mostra um dos grandes nomes novos do pop no mundo inteiro. Ele se assume como alguém necessitado desse caminho experimental dentro da sua arte, apesar de não esquecer do mainstream. É algo diferente do usual, ainda que não seja realmente uma ruptura para o gênero ou a criação de algo além disso. É difícil saber se o cantor irá continuar com essa toada em sua, até agora, curta carreira. Mas, definitivamente, coisas boas são prenunciadas de sua voz.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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